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Arquivo mensal: julho 2008

A lei do Retorno


O ciclo da vida que determina quando as coisas vem, quando vão embora, e quando retornam ao nosso convívio, é uma incógnita. Passei a vida ouvindo frases feitas:” Não cuspa para cima, pois o cuspe retorna e atinge o seu rosto “; “Faça aos outros aquilo que queres que te façam “; “Não julgues para não serdes julgada “…

São engraçadas essas ponderações…Elas tem o poder de nos impulsionar e de nos frear ao mesmo tempo, são diretas e dúbias, claras e obscuras e… perfeitamente compreensíveis.

Teoricamente se dermos amor, teremos amor; se dermos carinho, teremos carinho; se plantarmos fraternidade, colheremos amizade, e no entanto as coisas não são assim na práticas. Se são… desconheço mais de um endereço de retorno.

Tenho, sinceramente, me esforçado para ser amiga nos últimos vinte e cinco anos de minha existência. Não vou dizer que nunca errei, estaria mentindo. Errei sim, e muito. E nos erros que cometi procurei plantar a semente do concerto buscando a calmaria da paz. Ultimamente estou esperando o retorno desta última atividade que desempenhei frente aos erros que tive.

Os seres humanos são tão maravilhosamente complexos que nos extasiam na tentativa de entende-los. Lembro-me de uma professora de minha mais profunda admiração. Uma professora de Língua Portuguesa, uma pessoa que aprendi a admirar pelo conteúdo da língua, pela cor clara e aristocrática da pele, pelo modo suave de se dirigir às pessoas, pela autoridade pacífica em sala de aula, pela maneira de se vestir, de se posicionar… E  retomo aos ditos populares anteriormente citados e não encontro nexo neles. O maior desconforto desta mulher é saber, talvez, que não compartilho do mesmo tipo de sentimento que ela declaradamente, tem por mim. Admiro-a demais para isso. Lembro-me do quanto procurei ocupar o mesmo espaço que ela na sala dos professores onde nós duas exercíamos a profissão do magistério… Lembro-me do quanto ela se esquivava de mim. E Se eu tentava saber o porquê a resposta era sempre a mesma: ELA NÃO GOSTA DE VOCÊ! E eu sempre gostei tanto dela.

Lembro que um dia alguem me deu uma resposta que poderia justificar o desafeto dela por mim. Meu sobrinho era “terrivel” e foi aluno dela, e eu comentei num cabeleireiro que ninguém conseguiria “dar jeito” nele que se ela (a professora não tinha conseguido, então ninguem conseguiria)… Comentaram com ela, e ela teria entendido que eu teria dito que ela era incapaz … Mas será? Pensei! Tentei me explicar, propus uma conversa a três, eu, ela e a pessoa que me dera essa explicação… A resposta foi taxativa: NUNCA! JAMAIS! ELA SÓ TE ATURA POR  PROFISSIONALISMO. Doeu… Pra mim, foi um elogio… Para ela foi uma ofensa… Calei minha explicação e continuei admirando aquela mulher… E admiro até hoje.

A vida  decididamente  é uma bola de neve . Fofa, fria e devastadora. Cheia de senões, de questionamentos…E aí é que acredito estar o verdadeiro sabor de viver e esperar  o  retorno das coisas, das atitudes, dos sentimentos, da própria vida.Eu vou esperar… Há de chegar o dia em que a verdade virá a tona.

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Publicado por em 24 de julho de 2008 em MEUS ESCRITOS

 

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O MEU TIPO DE HOMEM


Tem que ser assim: deixar de ser comum e assumir a singularidade dos nomes próprios; no entanto, ele deve, tem quer ter coisas e momentos de pluralidade.

É fundamental que conheça os meus caminhos, mas que finja não conhece-los ( de todo), para que a busca se torne uma constante. É imprescindível que use mais de dez pôr cento de sua cabeça animal (amo homens inteligentes que desconheçam a prepotência).

O meu homem tem que mudar de atitude de acordo com a adrenalina do momento, que ao me defender assuma a ferocidade do felino maior, mas que ao precisar se defender de mim torne-se o visitante noturno do meu telhado “ronronando” a minha atenção.

O meu homem tem que ter sensibilidade fraterna e artística. Tem  que saber tocar  UM e O  instrumento, tem que me impelir e me frear, tem que ser incuravelmente louco, do tipo que adora banhos noturnos, caminhadas na chuva, viagens relâmpago…

O meu homem tem que ser intuitivo, perceptivo, sacar o momento em que a solidão será a melhor companheira para nós dois. O meu homem tem que viver o presente intensamente, sem ser extremista , tem que me dar segurança sem bloquear a minha realização profissional, tem que dar grande importância  ao antes e ao depois, ser atrevido no  durante, ser generoso e receptivo.

O meu homem tem que me falar coisas obscenas no ouvido, com a pureza de quem faz uma prece ( não pode ser vulgar) , tem que ter um toque de mistério e me dizer mais com os olhos do que com a voz.

 
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Publicado por em 24 de julho de 2008 em MEUS ESCRITOS

 

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