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Arquivo mensal: junho 2009

MÃE


To sentindo falta do teu colo, do teu cafuné … das tuas preocupações com a minha vida ,com o tipo de meu sorriso até.

To sentindo falta da tua forma repreender-me,da tua forma de aquecer-me e de me cuidar quando eu doente

precisava mais do que médico e remédio…eu precisava só de você

Hoje …já crescida…. já sofrida,não coleciono mais moedas, nem champilhas, nem pedrinhas redondas

Já não jogo mais SETE MARIAS, já não brinco mais de bonequinhos, saquinhos de sachê…

Mas sinto muito …. sinto tanto ter crescido em pranto, afogada em desalinhos , e no meio de meus caminhos, ter perdido o contato com você.

 

 

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Publicado por em 28 de junho de 2009 em MEUS ESCRITOS

 

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CONFESSO


Confesso…. não sei exato o que sinto….

Tem horas é dor… Tem horas absinto…

Tem horas acho que amor…

Tem horas …nem tesão eu pressinto…

 Me preocupo com você… Tão sem rumo.. tão a esmo…

O que fará quando se der conta de que jogou o que ganhou

e perdeu o que ja teve?

Que fará quando sentir solidão… impotência…

Que fará quando sair na chuva tempestuosa e olhar a muralha espantosa

que você mesmo contruiu isolando o abrigo mais dourado que os seus olhos nem viu…

 É sério …preocupo-me…

O que fará quando as rugas forem mais profundas, as dores mais fecundas, as tristezas mais patentes…

O que fará quando se sentires um animal caído, e concluires que alguem um dia já te viu como gente?

 O que farás quando entrares em torpor, e descobrires que o que sempre buscastes… jogaste fora… o amor.

O que farás ?…

 

 
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Publicado por em 28 de junho de 2009 em MEUS ESCRITOS

 

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Expulsão


Vai …pode sair… PORTA DA RUA …SERVENTIA DA CASA

Pode sair… o que te prende aqui?

Meu filho , tem um nome… tem um rosto… tem meu sangue… quente… vivo…

Pode sair… vai… não vou morrer.. garanto que sobrevivo

Já passei por outras catastrofes nem por isso me perdi…

 Foi mais um erro, outra ilusão que vivi…

E se pensas que vou estar sofrendo… engano seu!!! Ledo engano….

Eu já encerrei a peça… Já tirei  o cartaz da fachada

A entrada não mais tem preço…, agora é objeto de estudo em aulas de representação…

 Pode sair… Sem medo… sem susto…

E quando for… não precisa olhar para traz.. nem tão pouco colocar o ferrolho no portão.

 

 

 

 
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Publicado por em 28 de junho de 2009 em MEUS ESCRITOS

 

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Em verdade vos digo…


Ai… que saudades eu tenho, da escola da minha vida

das minhas aulas queridas, que o tempo não me traz mais.

Eram professores bem pagos, satisfeitos, rigorosos, exemplares, e o NUNCA  era sinônimo de JAMAIS .

 A gente estudava ponto, gramática e tabuada, fazia contas , fração, entendia mapas , interpretação, cantava o hino com emoção e aprendia a lição.

Os diários , eram DIÁRIOS! Não eram tão complicados, como filhos malcriados com os quais não conseguimos conviver

por nos sentirmos otários.

 A recuperação , não existia, era prova final e pronto!

O aluno estudava tanto, aprendia e conseguia passar.

Hoje a recuperação paralela, tornou-se a grande BAGATELA do “jeitinho brasileiro”

Pro aluno não estudar o ano inteiro e passar.

Quando se entende a SÉRIE..cria-se o CICLO , que de forma menstrual aprova o aluno e reprova o professor.

__ –Ele tem que passar!

__ MAS E SE ELE NÃO ESTUDOU?

E SE AS CHANCES NÃO APROVEITOU? E SE NÃO ENTENDEU?

__ Ele tem que passar ! E acabou!

Ai… Meu Deus!… Que saudades eu tenho da escola da minha vida!

Que não tinha burocracia nem projetos pra emperrar.

A gente estudava  e aprendia.

Ai…Meu Deus… Ai que saudades da escola do meu passado… quando eu era feliz, e não sabia!

 

                                                         ( após a leitura na nova legislação de ensino )

 
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Publicado por em 28 de junho de 2009 em MEUS ESCRITOS

 

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A ingenuidade


                Como em todos os anos íamos eu, minha irmã Márcia, minha mãe Hena passar as festas de final de ano com meu pai (Betinho) na fazenda que fora de meu avô. FAZENDA LARANJEIRAS, que fica um pouco acima da região do Morro do Castelo. Lembro-me perfeitamente… Gostava muito mais das 12 horas rio acima no batelão do que as poucas horas de teco-teco.

Quando chegávamos à fazenda era sempre uma festa. Tia Laudelina tinha sempre um queijo fresquinho à nossa espera, Guti (o ordenhador) já sabia que queríamos antes de tudo o nosso leite quentinho tirado na hora, cheio de espuma para brincarmos quem ficava com o bigode mais bonito.  Dona Sebastiana preparava o “quebra-torto”, afinal não ia demorar muito e os peões chegariam da lida… Todos tortos de fome… (só mais tarde fui entender o porquê daquela deliciosa farofa de carne seca com um saboroso arroz carreteiro e café servido às 8 horas da manhã eram chamados de “quebra-torto”. Os peões saiam as 3 da madrugada para o campo e voltavam as oito tortos de fome…

Mas eu gostava mesmo era do domingo na fazenda. Tínhamos o nosso churrasco desde as primeiras horas da manhã. Era a hora de eu ver a mágica do Gorão, um bugre analfabeto que nunca usara sapatos, nunca tirara fotografias, tinha medo do espelho e de gafanhotos. Mas já tinha arrancado as orelhas de uma novilha quando esta escapara do laço e ele pulou para dentro do curral segurando-a pelas orelhas, o bicho recuou com todas as suas forças e Gorão fez a mesma coisa até que as orelhas do animal saíram em suas mãos, mas o bugre não largou. Diziam os outros peões que uma boca-de-sapo picou Gorão no pé, mas ele nem sentiu e depois de sete dias encontraram a cobra seca. Essa cobra, contam os pantaneiros, que quando pica alguém ela fica por perto esperando sua vitima morrer, quando então o cadáver exala o cheiro de seu veneno e então ela sente ter cumprido seu papel e vai atrás de outra vitima, mas se isso não ocorre, ela pica a si mesma e morre seca…

Os peões buscaram um animal que tivesse sido picado, mas encontraram mesmo foi o calcanhar de Gorão com mais de 10 centímetros de pele grossa com uma das presas da cobra ainda nele… Os pés do homem eram tão grossos que quebrou a presa da cobra e ele nem dor sentiu…

Mas era a mágica de Gorão que me encantava. Ele pegava umas pedras brancas pequenas… Mais parecidas com restos de carvão que esteve em brasa e colocava na vala aberta na terra para o preparo da novilha no espeto. Ele dizia algo numa língua que eu nunca entendi e jogava água nas pedras que então incendiavam. Só então ele colocava gravetos e depois as pequenas toras de madeira. Depois do braseiro pronto, era a vez de colocarem os espetos.

Para mim aquilo era mágica! Gorão era um mágico! Como podia atear fogo com a água do rio Paraguai? Era mágica… tinha que ser mágica….

À noite… No terreiro em frente à casa enquanto os peões se reuniam pra discutir a lida do dia seguinte, D. Sebastiana me contava sempre a mesma história:

O pantanal já foi mar, um mar chamado XARAES, os bugre são parente dos xaraes, por isso nós tem lagoa de mar aqui no pantanal, por isso nós tem camarão e nós tem a pedra do ouro negro. Lá na terra dos home de olho puxado é fraquinha, num é qui nem que a nossa, feita de rocha… Então quando o mar vence o bem em argum lugar da terra, o inferno fica em festa e ele treme a terra e joga sua baba em forma de fogo pra fora. E faz novos morros que gospem fogo lá no Japão… Nós aqui no lado de baxo deles, nós pega o refruxo da pressão dos vulcão, e pra nós vem as pedra de fogo, elas vem disfarçada, mas os bugre as conhece, só eles tem permissão de ateá fogo nelas…

Era uma historia deliciosa de ouvir. Eu imaginava tudo… Visualizava tudo… Tremor de terra no Japão, vulcões jorrando lavas e nós aqui recebendo o refluxo dessa pressão… Gorão era um bugre… Ele sabia onde encontrar as tais pedras… E só ele podia tocar nelas sem se queimar. Tinha que estar com as mãos secas … Se estivessem suadas queimavam…

Perguntava a meu pai e meus avós se aquilo era verdade, eles sempre me afirmaram que sim, mas até hoje não sei se para alimentar a minha fantasia de criança. A única coisa que sei é que vi as tais pedras. É que assisti o ritual feito por Gorão… E muitas…muitas outras coisas que não quero e nunca vou esquecer.

 

 

 
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Publicado por em 7 de junho de 2009 em MEUS ESCRITOS

 

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