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55 anos…

02 maio

  1.955 …. 55 anos. Já vivi mais da metade de minha vida.

Tempo de rever as datas importantes e marcantes das quais me lembro com toda a vitalidade de minha alma. É óbvio que não posso relatar os primeiros meses… os primeiros anos… mas posso ter a certeza de que foram importantes e que foram os anos em que eu mais tive a certeza de minha fragilidade e da minha total dependência de minha mãe e do meu amor pelo meu pai.

De 1.965 a 1.973 … Vivi o que considero os melhores anos de minha vida. A minha adolescência. Conturbada, dividida entre a alegria de me descobrir uma pessoa de boa índole, e o medo dos pensamentos violentos que passavam pela minha cabeça quando algo que eu queria não era concretizado como eu esperava que fosse. Época de minha escola inesquecível o GENIC. Época de Natais eternos, aniversários, família feliz, numerosos primos, tios, a presença dos avós… A descoberta da poesia, da musica… Época em que descobri que era possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo…Época em que sofri…terrivelmente!!!! O que hoje chamam de Bulling… mas que eu conhecia como MALDADE, INVEJA, PRECONCEITO… A obesidade travava um duelo constante com os meus predicados e sempre ganhava deles… sempre… sempre…. Mas ainda assim…. a melhor época de minha vida.

1.974 ( o primeiro grande acontecimento de minha existência) : ganhei a bolsa de estudos para os Estados Unidos da América . Ganhei sozinha. Entrei na competição escondida de meus pais, burlei os caminhos, falsifiquei assinaturas. Provei que meus escritos eram meus, que minha criatividade era minha… Afinal sempre que eu ganhava algum concurso, ou recebia um elogio, uma nota boa, sempre vinha a pergunta fatídica : FOI VOCÊ MESMO QUEM FEZ? AI NÃO TEM DEDO DE SUA MÃE? Afinal mamãe era um ícone no mundo das letras na cidade. O único problema é que depois de ganhar o concurso eu tinha que encarar o convênio e ir realmente estudar nos USA, ficar um ano longe da minha família…. um ano longe de MEU PAI. ( O que me parecia mais impossível de ser realizado) …

1.975 (o segundo grande ano que modificou a minha vida) Conheci a saudade, o desespero, a solidão indesejada, fui para os Estados Unidos da América. Foram meses de sofrimento… Na volta… fui para São Paulo estudar com minha irmã, mais meses de sofrimento… As sombras voltaram a me assombrar… as vozes, os vultos, os arrepios, os pesadelos constantes, os esquecimentos…. a sensação horrível de pensar e lembrar de se estar pensando, de ver, enxergar e lembrar de se estar enxergando… mas de não ouvir e não conseguir controlar as atitudes e nem de saber o que se estava dizendo. Só estar registrando na memoria para sempre o olhar apavorado ou com pena das pessoas me olhando…. Eu não entendia… mas era a mediunidade que se manifestava contra a minha vontade. Época em que eu fui eu por poucas horas no dia….

1.976 ( a grande reviravolta… O maior de todos os meus erros ) : Casei… Meu Deus!!!! Nunca me arrependi tanto de um ato como me arrependi desse. Eu sabia que não era amor, sabia que não ia dar certo, mas casei. Casei porque? Não me pergunte… nem eu sei ao certo o porque… Casei!!!!! Que burrada meu Deus!!! Eu poderia ter tido os filhos que tive sem precisar ter casado, mas como saber disso na época?… Casei… e me danei … Enterrei todos os meus sonhos tão definitivamente, que nunca mais consegui desenterra-los.

1.979 ( conheci a plenitude) : Nasceu meu filho Luiz Felipe. Sou mãe. Nunca meu peito se expandiu tanto… nunca pensei que poderia encontrar meu coração até mesmo nos poros de minha pele. Nasceu o MEU FILHO, a sensibilidade, o talento em pessoa. Tão lindo, tão diferente, tão ele mesmo…. a vida toda… todos os dias… Cada dia diferente ao seu lado, nunca a certeza… sempre uma interrogação, mas nada que tirasse do meu peito um amor tão profundo. Meu filho é o buraco negro no espaço… INTENSO, INFINITO, INESPERADO… MAS ESTRELAR!

1.982 ( conheci o céu e o inferno): Sou mãe pela segunda vez e órfã pela primeira… Nasceu minha filha Leatrice, minha princesa… tão parecida comigo… como se eu tivesse a segunda chance de me consertar … Vi renascer nela os meus ideais, os meus sonhos, as minhas esperanças. Tão linda, tão fragil e tão forte ao mesmo tempo. Minha filha Leatrice foi bussola na minha caminhada a êsmo pelas avenidas da vida. Perdi Marcia, minha irmãe. O destino me reservou uma outra irmã Cristininha chegou para segurar minha mão…

1.984 (abriram-se as portas, as janelas, as nuvens negras carregadas de lagrimas e rancor sumiram… o céu esta azul! O ar está leve… Consigo respirar! ) Meu casamento acabou!!! Nem vale a pena escrever sobre ele.

1.988 ( conheci a dor do cordão umbilical rasgado pelos dentes da morte… Conheci o sabor do doce dentro da fotografia) Perdi minha mãe… publiquei o meu primeiro livro de poesias.

1.989 a 1.998 ( convivi com a peste, com a besta, com o rancor, com o monstro da mágoa, experimentei o sabor da comida podre a cada garfada, do gosto de urina a cada gole, do cheiro de carniça a cada respiração … envelheci 20 anos…) Perdi em vida o maior bem de minha vida para o pior dos males com quem já cruzei, mas mantive segura uma linha tênue…e consegui resgata-lo quando o fosso o chamava. Consegui papai de volta para a nossa família. Fragilizado… triste… envergonhado… mas conosco.

1.999 ( a maior de todas as dores…de todas as perdas… ) Não tenho mais papai comigo. Não posso mais vê-lo. Não posso mais falar com ele.. Simplesmente não posso mais.

2.000 ( conheci a ilusão… o doce sabor da ilusão ___ Revi a desilusão , e entendi o quanto ela é necessária ao nosso crescimento ) Um amor pela net… um amor intenso, verdadeiro, que só valeu a pena enquanto usou apenas dois de meus sentidos… os meus olhos que liam o amor na tela e os meus dedos que respondiam ao toque das teclas as palavras que dizia. Começou o meu sofrimento corporal… A obesidade começou a me matar…

2.001 ( nasceu um de meus pulmões… uma de minhas narinas…. um de meus ouvidos… um de meus olhos… renasceu metade de mim) Hena Iara esta presente em minha vida. Minha neta, filha de meu filho Luiz Felipe e de Clarice ( a nora / filha que pedi a Deus). Nasceu Duda ( Maria Eduarda , filha de Gisele , minha filha do coração).

2.002 ( nasci de novo) Fiz a cirurgia de redução de estomago. Minha vida mudou para sempre, mas as cicatrizes da obesidade não deixaram meu corpo… acompanham-me.. ditam os meus passos … literalmente.

2.005 ( nasceu a outra parte de mim) Estou completa agora, tenho dois lados de pulmão, dois olhos, duas narinas, dois ouvidos… nasceu Maria Luiza, filha de minha filha Leatrice. O anjo que eu esperei… a força da minha filha, o estimulo de minha filha, a salvação de minha filha. Maria Luiza ( minha querida Malu) é a grande benção de minha vida. Por ela Leatrice vai conseguir o que não conseguiu por si mesma, e eu estarei em paz por saber que ela não vai ser eu.  

2010 ( 55 anos… mais da metade de minha vida… ) quando começo a me despedir da vida, porque me vejo cheia de vitalidade interior , uma alma de 20 anos de idade e um corpo de 200 anos, cheio de dores, de incapacidade de se locomover… Surge uma nova esperança… A filha de Eduardo Alberto e Bianca…. esta chegando para me trazer a certeza de que minha família esta de volta comigo.

Hena … minha mãe, voltou no nome de Hena Iara ( minha  primeira neta)

Marcia… minha irmã, voltou no jeito, nas peraltices, no carinho, na afinidade de Malu ( minha segunda neta)

Betinho… meu pai, renasce no que Julia será para todos nós: O Portal para a plenitude.

Não estou mais só…. Tenho minha minha família de novo!

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1 comentário

Publicado por em 2 de maio de 2010 em MEUS ESCRITOS

 

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Uma resposta para “55 anos…

  1. Lurdes Gemzi

    18 de julho de 2010 at 10:58

    Chorei junto no passo-a-passo. Sua mãe é um ícone e você também o é. Nunca desista dos seus sonhos, e agora que já viveu 50% da idade, viva 100% de cada dia, todos os dias. Um beijão da sua eternamente amiga, Lurdes Gemzi Ribeiro.

     

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