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SOBRE A POLÍTICA

29 jul

 

 

 

Uma vez, durante um almoço de domingo, ouvi de minha avó, uma mulher admirável que quase não tinha a “curtura“ dos bancos escolares, uma afirmativa que me chamou a atenção.

A família, já numerosa pela quantidade de netos que rodeavam a mesa onde a “macarronada da vovó” era o grande motivo da festa.

_Cada povo tem o governo que merece – dizia ela com um ar distante enquanto  nos servia um a um os seus (até então ) seis netos.

Notei, naquela ocasião que meus pais e tios sorriram disfarçadamente e que vovô Castro colocara-se com o senho franzido, estremecido com o comentário, mostrando toda a sua reprovação ao aparte oportuno da matriarca da família.

O assunto do momento era a política.

Hoje posso afirmar que ela, A POLÍTICA, está no sangue de minha família.

_ A credibilidade no potencial da boa vontade quando se quer fazer alguma coisa de bem para uma comunidade, nos impulsiona a tomar atitudes que as vezes nem somos compreendidos _ nos dizia vovô Castro.

Convivi com o mundo político desde a minha adolescência, acompanhando meu avô em palanques, reuniões partidárias em sua casa e foi aí que percebi que é preciso acima de tudo ter três principais defeitos para ser um político de “$uce$$o”: muita lábia, muito dinheiro  e pouco escrúpulo.

Certa ocasião ouvi numa das conversas partidárias, a preocupação com o crescimento virtuoso do candidato adversário nas pesquisas populares, um dos membros do diretório sugeriu que se lançasse nas ruas panfletos anônimos acusando o adversário de LADRÃO, meu avô, não concordou com a idéia argumentando que isso não seria verdade, pois o adversário teria outros defeitos a serem atacados, menos esse, por não ser verdadeiro.

O comitê argumentou que até que se provasse ao contrário a difamação já estaria lançada e que o objetivo seria alcançado, visto que o povo é fácil de ser enganado.

Na manhã seguinte, o meu avô anunciava que saía em definitivo do cenário político de nossa cidade e quando perguntamos o porquê, ele respondeu que chegara à conclusão que jamais iria aprender a fazer política.

No mesmo dia, a cidade amanheceu forrada de panfletos difamatórios e o candidato que subia nas pesquisas começou a despencar vertiginosamente.

Quando ainda em vida, o meu avô percebendo a minha inclinação para a política, argumentou comigo que esse era um caminho difícil de ser percorrido, que não existe lealdade, não existem boas intenções, que o voto consciente é quase um fantasma.

O povo não sabe votar, dizia ele, neste país , o voto de gratidão, de cabresto, o voto comprado é que ganha a eleição. O eleitor é o maior corruptor que existe, ele praticamente obriga o político a atitudes não recomendadas.

Difícil para mim, na época entender o que o meu avô me ensinava.

Anos após a sua morte, ingressei no mundo da política e comprovei os seus ensinamentos. Sábio Vovô!

Felizmente os meus ideais ainda não foram de todo devidamente derrubados pelas decepções, acho que ainda tenho condições de lutar por uma comunidade melhor .

Sorte da democracia … azar meu!

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Publicado por em 29 de julho de 2012 em MEUS ESCRITOS

 

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