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Saudades do JARDIM DA INDEPENDENCIA…

27 jan

Hoje amanheci saudosa. Sonhei com a minha adolescência. Dias felizes… soltos…leves…
Saíamos do ensaio do Coral do GENIC e íamos para o Jardim da Independencia.
A saudade foi tanta que resolvi descer do meu apartamento no ED. IOSA ( Salin Kassar) sentar-me no banco do Jardim da Independencia e viver ali a minha saudade .
O primeiro lugar pelo qual passei foi o grande portão de ferro que fica em frente à portaria de meu prédio. Parei para olhar de perto.
“Precisa de manutenção”__ Pensei…
Tentei puxá-lo. Ele gemeu.
A calçada o segurou aprisionando sua beleza mantendo-o cativo nas laterais da passarela do jardim.
E ele ficou ali, mudo… me olhando com o olhar próprio dos excluídos.
Imediatamente senti uma brisa e na brisa um assovio, fino e intermitente…
Olhei para a esquerda e o bambuzal se balançou. “Saci?” __ pensei…
Parei e fiquei buscando o chapéu vermelho ou a fumaça de cachimbo (na minha infância, eu tinha tanto medo de saci…).
A ponte me chamou. Caminhei com dificuldade e cheguei até ela.
ponte do jardim
Pensei: “Daqui eu posso ver o bambuzal sem correr perigo”.
As pedras ressequidas, o lodo, o cheiro de água parada e de perigo me assustaram.
Aos poucos a visão doentia foi tomando outra forma, o lago foi se enchendo. Peixes, tartarugas e cisnes foram surgindo…
“Ah!!!!! Os cisnes do jardim!!!!!! Como são belos!!! Como nadam com altivez!!!”
No mesmo instante surgiram milhos em minhas mãos. Joguei no lago e os cisnes deslizaram na água em direção aos milhos que boiavam…
Nesse momento ouvi: “Churrru… Churrru…”
Pombas, muitas pombas …
Hora de brincar de revoadas. Jogo um monte de milho para o lado direito e elas levitam no ar na mesma direção; jogo para o lado esquerdo e o bailado pombal se repete…
Dou risada. Minha pele se arrepia…
Meu olhar alcança o lago do outro lado da ponte. E lá estão elas… Lindas… Soberbas… Majestosas… As vitórias-regias do jardim! Que visão! Um verdadeiro paraíso.
Procuro o banco de granito, moldado para o corpo do contemplante extasiado (feito eu). Só consigo divisar passarelas tortuosas de cimento.
Pisco várias vezes e os bancos surgem, um a um…
No encosto as propagandas da Casa Saib, Farmacia do Santa Maria, Casas Santos Sabatel,Casa Palmira…
Escolho um para me sentar.Quero um que esteja à sombra de um bambuzal e que me mostre o coreto.
coreto
Lá esta ele. À minha frente. Observo atentamente.
Penso: “MEU DEUS!!! PINTARAM O CORETO!!!… Que pecado!!! Toda a parte de ferro tinha que ser de bronze… Mas é de bronze… Pintaram o bronze? … Não acredito…. Pintaram o bronze!!!”
Não consegui segurar as lágrimas…
A banda municipal começou a surgir do nada.Um a um dos componentes cada qual com seu instrumento e a música começou a tomar conta da manhã…
Fechei os olhos.
__ Professora!!! Professora!!! A senhora está bem?
Abri os olhos era Jardel ( meu ex-aluno).
__ A senhora esta sentindo alguma coisa?
__ Saudades __ eu respondi __ Estou sentindo saudades.

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1 comentário

Publicado por em 27 de janeiro de 2013 em MEUS ESCRITOS

 

Tags:

Uma resposta para “Saudades do JARDIM DA INDEPENDENCIA…

  1. byrooney

    27 de janeiro de 2013 at 12:01

    Parabéns pela sensibilidade, pela “viagem” maravilhosa, de um tempo que só ficou em nossas doces lembranças… Coisas que a memória curta das gerações recentes não conseguiria guardar, infelizmente!

     

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