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Arquivo mensal: agosto 2013

Defendo minha cria sim. E dai?


Uma das coisas que mais me faz mal é segurar o que quero falar. Principalmente quando SEI QUE ESTOU CERTA.

Quem pode me julgar? Quem pode me dizer que estou errada em defender quem eu gerei, pari, alimentei, eduquei, curei, saciei a fome e a sede, ensinei os primeiros passos, peguei na mão para ensinar a escrever, indiquei o caminho, mostrei a diferença entre o certo e o errado. Quem?

Quem pode adentrar no espaço da MINHA MATERNIDADE para me dizer que estou errada e o que é mais grave (a meu ver) sem ter sido requisitada pra ter essa atitude.

Lembro de minha avó Lucinda. Já falei dela muitas vezes… Uma vez ela viu minha mãe chorando por ter sido agredida verbalmente por uma professora quando ela (minha mãe) foi “Delegada de Ensino” aqui em Corumbá (houve um tempo em que a denominação era essa). Vovó ouviu minha mãe chorar e reclamar e disse:

__ Hena, não há dinheiro, nem cargo politico, que paguem a falta de respeito.__ Naquele dia minha mãe colocou o cargo a disposição e voltou para sala de aula,

Guardo na minha memória as frases de minha avó. E elas me servem até hoje.

Quando digo que quero ir embora de minha cidade, tenho amigos que argumentam comigo que devo ficar. Mas eu tenho que pensar em minha família. E sei que não estou errada em pensar assim.

Estou vendo acontecer com meus filhos o que aconteceu comigo e eu sei o quanto sofri com o que vivenciei. Não quero que meus filhos vivenciem esse sofrimento tambem… Não estou errada em pensar assim.

Lembro que quando eu escrevia um poema, tinha sempre alguem que dizia:

___ Foi você que escreveu ou foi sua mãe?

Eu ficava dividida entre o orgulho de ver que minha mãe era valorizada, reconhecida e a raiva do brilho dela ofuscar o meu. Raiva pelas pessoas acharem que eu sempre estava à sombra da luz de minha mãe.

Meu filho Felipe se cansou de ser “o filho de Marluci”. Buscou outros ares para viver a arte que ele é capaz de fazer. E ele sempre foi melhor do que eu. Ele toca, ele, canta, ele é arranjador, ele é produtor… mas na minha cidade… aqui… ele era “o filho de Marluci”.

Minha filha Leatrice é uma das pessoas mais inteligentes, capazes, mais dedicadas, mais organizadas e centradas que conheço.

Eu faço trabalhos academicos, todos sabem disso. Mas nunca escrevi uma só linha pra ela. Nunca sentei com ela para prepara-la para um concurso, nunca revisei as monografias dela… Sempre tive a preocupação de faze-la aprender com os erros.. Mas ela ainda é “a filha de Marluci”… Isso é revoltante.

Eu só passei a ser Marluci Brasil depois que minha mãe faleceu. Será que terei que morrer para que meus filhos tenham um lugar ao sol? Mesmo sendo capazes e com bagagem suficiente para brilhar?

Anseio vigorosamente em ser “a mãe de Leatrice” mesmo porque “a mãe do Felipe” eu já sou … mas na capital do Estado, no Paraná, em São Paulo e por esse Brasil a fora…

Agora… Quando ameaçam meus filhos… ah!!! Eu levanto como essa ursa sim… Levanto e vou levantar sempre. Mesmo depois de morta; materializo meu espirito e assombro sim. Mesmo que achem que estou errada.

Dane-se. Exploda-se. F…-se!

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Publicado por em 21 de agosto de 2013 em MEUS ESCRITOS

 

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sobre decepção…


sobre decepção

 
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Publicado por em 3 de agosto de 2013 em MEUS ESCRITOS, MEUS PENSAMENTOS

 

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