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Arquivo mensal: maio 2014

Saudades…


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Hoje acordei com saudades de Vovó Lucinda. Uma saudade com cenário (o fogão de lenha) e som de lenha queimando (estalando, espremida e calorosa no fogão). Uma saudade com cheiro de mate-quente-com- leite, bolinhos-de-chuva e as histórias dos vinhedos da cidade do Porto (Portugal) terra natal de meu bisavô Gonçalo Cristovam.

Aquela mesa de três metros, os bancos de igual metragem que acompanhava a sua extensão, a única cadeira de madeira escura na cabeceira, a toalha-de-mesa quadriculada onde as cores azul e branco se acotovelavam.

Na varanda com a abertura próxima do telhado ( uma faixa de uns 30 ou mais centímetros) deixava o ar mais gelado nas tardes de inverno. Mas apesar disso era o nosso local preferido para ouvirmos as histórias de vovó Lucinda.

Interessante como ela não se sentava na cadeira de vovô Castro mesmo quando ele não estava lá. Ela sentava-se no banco, com os netos e contava suas histórias. A cadeira de vovô dava assento à sua ausência presente no respeito que sua figura humana nos impunha. Mas vovó Lucinda… ah… Vovó Lucinda era só amor, só doação, só carinho, só atenção. Só havia um momento do dia que nunca podíamos contar com ela. No momento de sua reza no quartinho de madeira que tinha no quintal onde ela ficava exatamente uma hora de relógio por dia numa eterna novena, conversando com  o seu MENINO JESUS DE PRAGA.

O vestido sempre com as mesmas estampas ( florais ) mesmo quando depois da morte de tio Eca quando eternizaram-se as cores branca e preta nele, sempre manchados de carvão na altura dos quadris e na barriga, ( pela lida à beira do fogão à lenha) fazem parte dessa minha lembrança que hoje se apresenta mais viva do que nunca.

A perna com aquela ferida envolta numa gaze que obrigava minha avó a mancar … nunca tiraram o brilho de seu olhar ao nos contar suas histórias.

Hoje amanheci saudosa… saudosa de minha avó Lucinda

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Publicado por em 29 de maio de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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A Velhice é a melhor idade?


MAE E FILHAXênia escreveu uma crônica que me arrepiou. Às vezes isso acontece comigo quando encontro algo escrito por outra pessoa e de repente eu tenho certeza que aquele texto fui eu quem o escreveu. 
Por isso mesmo em meu blog, abri uma página intitulado TEXTOS QUE EU GOSTARIA DE TER ESCRITO. 

Parabens Xênia. Vc falou por mim. 

“É preciso ser muito calhorda para chamar a velhice de “melhor idade”

Não chorei a morte de José Wilker, nem lastimei. Também não fiquei deprimida, mas sim, serena, porque ele teve a morte dos abençoados: morreu dormindo. Que prêmio! – Claro, por merecimento.
Agora, minha cara leitora vai ficar chocada com o que vou escrever, mas hipocrisia não combina comigo. Detesto quem elogia velhice, tecendo mentiras em torno de uma tragédia. A velhice é o maior castigo que cai sobre a humanidade. E a hora de pagar todos os nossos pecados. É preciso ser muito calhorda para chamar a velhice de “melhor idade”. E não estou me referindo à estética, as rugas, a decadência do corpo, se é gorda, se é magra ou parece um cadáver. Perdemos a fisionomia. Me olho no espelho e penso: quem é essa velha que me encara? São poucos os que escapam da diabetes, do infarto, das terríveis dores reumáticas, da pressão alta, do Alzheimer. É o mapa do inferno!!! Qual velho e lúcido inteligente que não abomina sua condição de arremedo de vida!
E quando a gente começa a sentir que precisa depender dos outros? – Esse é meu maior pavor!!! O horror quando vou ao médico e a enfermeira começa a me chamar com voz mansinha de queridinha, bonitinha – tudo no diminutivo – e já vou dizendo “sou velha, mas não sou retardada”. E todos os olhares de impaciência quando você demora a abrir uma bolsa, por exemplo. Ser velho passou a ser xingamento. Por tudo isso, não choro mais quando um companheiro vai embora, volta para casa. Um homem brilhante como José Wilker, ator deslumbrante, culto e sensível, se alguém lhe perguntasse se queria viver, mesmo que doente, tenho certeza que ele escolheria a morte. Voltou para casa, numa viagem em que fechou os olhos e acordou na casa do pai. Ele merecia! Já pensou José Wilker velhinho com problema de próstata usando fraldão? ” ( Xênia)

 
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Publicado por em 24 de maio de 2014 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 

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O QUE MEU SENHOR QUER DE MIM?


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Ah as palavras…. Por muitas vezes, quando elas me faltam eu as empresto de alguém que não eu mesma.Hoje eu as emprestei de Fernanda Gaona ( uma das mentes que considero mais brilhantes da atualidade).

“Eu não sou tão forte quanto eu previa, nem tão fraca quanto eu temia. Não tenho o passo rápido como eu gostaria, nem paraliso como poderia. Aprendi a me equilibrar nos extremos. Se não tenho o direito de escolher todos os acontecimentos, posiciono de acordo com os fatos. No final, o que me move não é forte o suficiente pra me derrubar, mas é intenso o bastante pra me fazer ir além.”

É, hoje estou emotiva… chorosa… Vivenciei algo que nunca imaginei vivenciar um dia. Um pedido de socorro, um afeto contido, um grito infantil preso em pupilas dilatadas, acorrentado a um sorriso tímido…

Estou dando aula particular para um menino que pela segunda vez traz um amiguinho seu para ter aula também, sem que seus pais tenham vindo tratar comigo os custos de meu trabalho como professora particular.  Da primeira vez eu aceiteie até achei que a coisa não iria se repetir.

O “aluno” é uma criança linda, inteligente, sensível… Notei no primeiro dia. E nesse primeiro dia teve aquela “bronca-básica” por causa da conversa enquanto eu explicava. Quando terminou a aula, o menino veio me abraçar. Foi um abraço diferente, cheio de calor, cheio de “me-deixa-ficar-aqui-nesse-abraço?”… Passei a noite pensando no garoto.

Hoje ele veio novamente e eu fui mais fria. Afinal no 0800 não dá. É o meu trabalho!

Quando um dos familiares do aluno “de fato e de direito” veio buscar as criança,s fui logo esclarecendo:

__ Por favor, fale para a mãe do ……. vir conversar comigo. Eu preciso saber se ele vai fazer as aulas ou não. (Era uma forma de eu colocar os pingos nos is).

Foi quando ouvi:

__ Professora, não sei como fazer isso. Essa criança esta abandonada. Os pais se separaram. A mãe caiu no mundo e o deixou para trás. O pai é podre de rico, tem fazenda e tudo mas não liga para o menino. Esse menino esta na minha casa tem mais de semana e ninguém vai saber se ele esta bem. Eu que levo e trago ele da escola. Não sei como fazer isso…

Meu coração gelou… Minhas mãos suaram…

De repente o menino se aproximou segurou nas minha mãos e me olhou de uma forma que nunca vou esquecer:

__ Professora, não me manda embora… eu gostei de estudar com a senhora… eu quero vir aqui… prometo que fico só olhando.

“Meu Deus!!!! Meu Deus!!!! Meu Deus!!!! O que o Senhor quer de mim?” 

__ Você pode vir todos os dias. Mas tem que vir como meu aluno.

O sorriso e o abraço se misturaram no momento em que terminei a frase….

Mas eu…. eu to aqui… chorando até agora… não consigo parar.

 
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Publicado por em 5 de maio de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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