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Arquivo mensal: junho 2014

Lições que a vida nos dá…


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Impressionante como a vida nos ensina sobre os segredos dela mesma…Morei  58 anos em minha cidade natal, tive meus momentos de morar em outras cidades para estudar ( Campo Grande/MS, Lins/SP, São Paulo /SP, Erie /USA, Sharon /USA, Edinboro /USA) mas sempre voltava para Corumbá.

Vivi intensamente minha infância, minha adolescência, minha juventude, minha maturidade… Ah, a minha maturidade… ela se viu invadida pela velhice quando ainda estava em sua plenitude, mas lutou e ainda luta bravamente para viver com dignidade até o último segundo de sua existência.

Conheci menos da metade das pessoas que me conheceram durante minha vida inteira.As vezes recebia um cumprimento sorridente que eu retribuía com fervor, mas depois que a pessoa passava por mim, eu mesma me perguntava: “Quem é essa? Quem é esse?”

De repente as pessoas pareceram doentes da memória ou eu passei a ser invisível, inaudível, imperceptível… Confesso que foi difícil digerir essa vírgula do tempo, mas hoje já não me machuca mais.

O interessante é o que a distancia faz com a gente. O que a vida nos mostra. Mudei de ares, de vista, de chão, de cidade… Começar do zero, conquistar meu espaço mais uma vez e de repente, deparo com os rostos que cumprimentei vagamente sem saber de quem era pelas ruas da nova cidade e eles se abrem em sorrisos, e os braços se estendem para o abraço e o contato caloroso relembra uma proximidade que nunca existiu em “solo-mater”.

Os “conhecidos- amigos” de agora são mais calorosos, mais alegres, mais companheiros. Recebemos telefonemas diários, mensagens pelo celular ou pelas redes sociais… Os convites para sair à noite, curtir a balada se multiplicam… E para mim é impossível não lembrar da solidão dos últimos 10 anos vividos em minha cidade natal…

Fico extasiada com a mudança… Os “amigos da vida inteira” literalmente “ficaram para trás” ou nunca foram amigos? Seriam os amigos conhecidos e os conhecidos os amigos?

Penso então que a “cidade natal” não está na terra branca nem na vista alagada… A “cidade natal” está na distancia da terra branca e da vista alagada.

Estou me sentindo em casa, entre amigos e parentes todos nascidos no mesmo chão que eu. Hoje moro em Campo Grande, mas vivo em Corumbá.

Perguntam-me  se quero voltar? Não… não quero.

 
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Publicado por em 21 de junho de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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