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Arquivo mensal: outubro 2014

PEDIDO DE PERDÃO


perdao

(TEXTO DE Maeluci Brasil)

Perdão criança sedenta.
Perdão criança faminta.
Eu peço perdão pelo o que vocês estão ouvindo.
Peço perdão pelo o que vocês estão sentindo por causa desta eleição.

Não, queridos brasileiros, vocês não são “burros” não…
Não, amados filhos da seca, vocês não são “inferiores” não…
Vocês são um povo guerreiro, corajoso, altaneiro,
Vocês são os construtores de um Brasil melhor.
Vocês são a inspiração de um Brasil da solidariedade.
Vocês são determinação.

Perdão, povo nordestino.
Perdoem os meus irmãos do sul, do centro-sul, e do sudeste.
Por tanta agressividade.Perdoem tanta crueldade,
Não levem em consideração.

Eu sei… sim, eu sei que na verdade, por termos mais oportunidades
Por termos mais acesso à educação,
Pelo menos em tese,
Deveríamos ser mais respeitosos,
Mais democráticos,
Mais educados…
Mas não são todos que pensam assim…
E até pelos mal-educados
Até pelos recalcados…
Eu envergonhadamente.
Peço perdão

 
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Publicado por em 29 de outubro de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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Funcionário Público


o-peso-do-mundo[4]

A minha ferramenta é o público

só a denominação de minha profissão já denuncia o meu feito.

A burocracia é no entanto a parte mais estafante do processo em defeito

que deprime a minha ação.

 

Da segurança à secretaria de uma escola

trabalho pelo sistema

quase em troca de esmola

não fosse a importância

que sei ter em todas as estâncias

o labor anônimo dos meus préstimos,

do meu objetivo , do meu tema.

 

Às vezes pergunto-me cansado:

Até quando salário defasado?

Até quando condições precárias?

Até quando sobrecarga?

Até quando esperar por melhoras futuras?

Será que vou ter que esperar tanto,

até que o futuro  nunca chegue a ser presente,

e se corrompa no passado?

 
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Publicado por em 27 de outubro de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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OS INTOLERANTES


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“Ah, meu Deus! Assisto com muita tristeza a pena da aspereza dilacerando a beleza de uma linda sinfonia. A aguarrás de juizes, ciumentos inflexíveis, descolorindo as matizes de uma linda pintura, só porque não gostam da assinatura?

E vai com uma bailarina, com a inocência de menina, dançando em volta do sol, a Grande Mãe Terra. Enquanto muitas nações, governos, religiões ensaiam a dança da guerra.

Na verdade a bola azul quase nunca foi amada; é sempre penalizada. Tem um trabalho enorme, dedicação e talento para preparar a mistura, juntar os seus elementos para dar forma às criaturas, e elas, depois de paridas, desconhecem a matriarca e dizem, mal agradecidas: que a carne é fraca.

E quando o planeta gera um Avatá, um iluminado assim como o Nazareno, tem logo quem se apresenta com conhecimento profundo e diz logo: não é desse mundo, só pode ser extraterreno.

Ah, é difícil entender porque é que o homem, até hoje, cospe no prato que come. Algumas religiões, não sei por qual motivo, dizem que a Terra é um território com vocação pra purgatório, não passa de sanatório… E que nós só seremos felizes longe dela, bem distante, lá onde os delirantes chamam de paraíso.

Olha, eu vou dizer de coração. Na minha simples, dia após dia, me perdoem a liberdade, mas religião de verdade, mais parecida com a que Jesus queria, talvez seja sentimento de ECOLOGIA. Para esse sentimento não tem fronteiras e só reza um mandamento: preservação das espécies com urgência, sem adiamento.

Hoje, ela pensa nas plantas, nos rios, no mar, nos bichos. Amanhã, com certeza, com a mesma dedicação e capricho, pensará com muito cuidado nos meninos abandonados.

Ah, se ela tivesse mais força para sustentar sua zanga, evitaria, com certeza a fome cruel de Ruanda. Não tinha maturidade, ainda era uma menina, quando a impertinência sangrou, com a bola de fogo, a pobre Hiroshima. Mas ela cresce, se instala como uma prece no coração das crianças. Tenho muitas esperanças…

Eu tenho toda a certeza que nosso planeta um dia, mesmo cansado, exausto, terá toda a garantia e guardado por uma geração vigia, nunca mais verá a espada fria no Holocausto.

A intolerância, repito, é a mais triste das doenças. Não tem dó, não tem clemência. Deixa tantas cicatrizes nas pessoas, nos países, até as religiões, guardiãs da Luz Celeste, abandonam seus archotes para empunhar cassetete. E o que, na verdade, refresca o rosto de Deus, é um leque, que tem uma haste de Calvino e outra de Alan Kardec.

Na outra haste, as brisas, que vêm das terras de Shivas, são uma, dos franciscanos, e outra, dos beduínos. Não precisa ir muito longe… Jesus nasce entre os rabinos.

Às vezes corações que crêem em Deus, são mais duros que os ateus. E jogam pedra sobre as catedrais dos meus deuses Yorubás. Não sabem que a nossa terra é uma casa na aldeia, religiões na Terra são archotes que clareiam.

( texto de  ALTAY VELOSO)

 
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Publicado por em 27 de outubro de 2014 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 

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