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Arquivo mensal: novembro 2014

UM OBSESSOR NO CENTRO ESPÍRITA


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Num centro espírita famoso e muito frequentado, senhor Raimundo estava iniciando os trabalhos de desobsessão. Seu Raimundo, como bom doutrinador espírita há mais de 30 anos, fez uma prece de abertura e pediu a Jesus que ajudasse a libertar todos os irmãos que viessem a sala de desobsessão do sofrimento que atravessavam.

Raimundo viu o médium incorporar um espírito que dizia estar no umbral, sofrendo muito por conta da raiva e mágoa que sentia de um desafeto. Senhor Raimundo iniciou então os procedimentos da desobsessão clássica e disse que o espírito deveria perdoar o desafeto, pois a lei do amor é a nossa salvação.

O espírito incorporado, com olhar penetrante, disse:

– E porque devo confiar em você?

– Ora meu irmãozinho – disse Seu Raimundo – Estamos aqui num centro espírita, onde os ensinamentos de Jesus são praticados. Nós aqui ajudamos todos os espíritos sofredores e necessitados.

– E você também ajuda a si mesmo, ou só pensa em ajudar os outros? Perguntou o espírito. Seu Raimundo ficou surpreso com pergunta, mas como doutrinador experiente sabia que não podia cair nas artimanhas dos obsessores, e disse:

– Irmão… não estamos aqui para falar de mim. Você está no umbral e precisa de ajuda. Você não quer sair do umbral?

– Sim, eu quero. – disse o obsessor – Eu só fico me perguntando como existem tantas pessoas vivendo no nível ou no estado umbralino e não percebem, mesmo estando encarnados. Pois afinal, como o senhor mesmo ensina em suas palestras aqui no centro, o umbral é um estado de consciência e não um lugar ou espaço físico. Alguns espíritos vivem no umbral porque não conseguem se desprender da raiva e mágoa que sentem de um desafeto. Mas o senhor, seu Raimundo, perdoa todas as pessoas? Não sente também raiva e mágoa de alguém?

Senhor Raimundo estava ficando irritado com o obsessor. Estava pensando numa resposta, mas o espírito completou:

– Não é verdade que o senhor também sente raiva e mágoa da sua ex-esposa, que te traiu com um dos seus amigos há aproximadamente 10 anos? Não é verdade que até hoje você não consegue perdoa-los?

Senhor Raimundo ficou assustado com aquelas colocações. “Como o espírito poderia saber disso?” pensou. Começou a sentir raiva do obsessor, e não muito confiante, disse:

– Não vou entrar na sua cilada. Você como obsessor experiente deve atacar as pessoas em seus pontos fracos. Portanto, saiba que…

– Eu sou um obsessor, senhor Raimundo? – perguntou o espírito interrompendo seu Raimundo. – Eu me pergunto se todos nós não somos um pouco obsessores das pessoas que dizemos amar, mas que no fundo as tentamos controlar e ganhar seu afeto a força. Não é verdade que você tem sido quase um obsessor da sua filha adolescente? Quantas vezes por dia você liga pra ela perguntando onde ela está? Quantas vezes você proibiu os namoros dela? Quantas vezes você tolheu a liberdade da sua menina por conta dos próprios medos e incertezas que guarda em seu íntimo? Você pode estar sendo um grande obsessor encarnado dela e nem perceber…

Seu Raimundo ficou atônito com aquelas revelações. Aquele espírito parecia saber tudo a seu respeito, e estava ali desnudando seus defeitos um a um. Seu Raimundo ainda não queria dar o braço a torcer e ficou com mais raiva. Resolveu fazer uma oração, dizendo:

– Senhor Jesus, peço que sua equipe conduza esse irmãozinho perturbado a um local de tratamento no plano espiritual. O espírito disse:

– Por que me chamas de irmãozinho, se nesse momento você quer, na verdade, pular no meu pescoço? De que adianta fazer uma oração a Jesus com toda essa raiva que quase transborda de você? Não, Jesus não vai te atender nesse momento… Você precisa, Seu Raimundo, parar de fugir dos seus problemas e emoções, olhar para as impurezas do seu ser, e parar de achar que é o outro sempre o sofredor e você é o “salvador”. Na verdade, todos nós precisamos de ajuda, todos somos sofredores em maior ou menor grau. E orientar o outro a praticar aquilo que nós mesmos não realizamos em nossa vida é, nada mais nada menos, do que hipocrisia. É da hipocrisia que o ser humano precisa se libertar… Ensinar aquilo que pratica, ou apenas praticar, sem precisar orientar os outros a fazer aquilo que nós mesmos não fazemos. Quando se vive a vida espiritual, nem precisamos ficar ensinando-a a outros, nossos atos já demonstram os princípios que desejamos transmitir…

Seu Raimundo sentiu uma imensa vontade de chorar e desabou em prantos… O espírito incorporado veio falar com ele. Colocou as mãos em seu ombro e disse:

– Calma meu irmão. Você precisava dessa terapia de choque para poder enxergar a si mesmo e parar de ver os defeitos apenas nos outros. Precisava também parar de se ver como o “salvador” e os outros como “sofredores”, pois isso nada mais é do que uma forma de orgulho e soberba; é uma forma de se sentir superior e de ver os outros como inferiores. Chore, coloque tudo isso que você sente para fora, faça uma revisão desses pontos que eu te apresentei, e a partir de agora você poderá se tornar um verdadeiro ser humano, renovado, e pronto para ajudar ao próximo, realizando a verdadeira caridade… E dessa vez, sem hipocrisia.

Seu Raimundo, após alguns minutos de choro intenso, olhou para o espírito e perguntou:

– Quem é você?

O espírito olhou para seu Raimundo com todo o amor e carinho e disse:

– Meu filho, você não pediu a Jesus, em sua prece de abertura dos trabalhos, que libertasse os espíritos dessa sala do sofrimento? Então meu filho, Jesus me pediu que viesse aqui e mostrasse tudo isso a você, para que você pudesse ver a si mesmo, saísse do “umbral” de sua mente, e se libertasse de tudo aquilo que te causa sofrimento. Sou um enviado de Jesus, e a partir de agora, você será um novo homem…

Seu Raimundo chorou ainda mais. Agradeceu imensamente a Deus e a Jesus aquela sagrada lição de autoconhecimento… Depois desse episódio, tornou-se uma pessoa muito melhor…

Autor: Hugo Lapa

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Publicado por em 27 de novembro de 2014 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 

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Intensa


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Sou o que sei ser.

Sei que as vezes assusto

As vezes provoco até compaixão

Mas é que em minha forma de ser

Não sigo nem mente nem coração

Sigo minha alma rebelde

Âmago de meu ser

Sigo minha forma intensa de ser.

 

Não sei ser morna… ou sou fria ou sou quente

Ou não me entrego ou o faço totalmente.

Não sei me doar aos poucos

Ou de forma intermitente.

Me jogo de cabeça em mergulho profundo,

Não sei ser garoa… ou sou orvalho ou diluvio

Não sei ser escada… ou sou rampa ou sou ladeira

Não sei ser edredom… ou sou lençol ou sou cobertor

Não sei ser amiga por afinidade

Ou sou colega… ou sou amiga “de verdade”

Do tipo impossível se esquecer.

 

Admiro as pessoas mornas,

Mas não almejo ser como elas.

Até porque me apiedo

De sua forma morna de ser.

Texto de Marluci Brasil (respeite os direitos autorais)

 
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Publicado por em 26 de novembro de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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Um dos mais belos e atuais discursos que já ouvi…


 

 
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Publicado por em 26 de novembro de 2014 em PÉROLAS DA INTERNET

 
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Eu Olho pra Ti


Existem coisas que nunca vou conseguir entender. A busca, o experimentar de coisas que é sabido ser prejudicial para a saúde física e mental é uma delas.

Pessoas instruídas… Por que? Qual o motivo? Não entendo… Juro que não entendo e se entendo, não aceito.

Uma cantora como essa, morrer de over dose… é quase inadimissível, não fosse a droga um mal tão comumente usado entre os artistas…

Meu Deus!!!! A música, a poesia, a dramaturgia são as drogas que uso para fugir do mundo que me cansa, que me corroi, que me amedronta…

Chega a doer ver uma intepretação como essa, um pedido de socorro como esse… e no fim…OVER.

 
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Publicado por em 24 de novembro de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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Prô… como posso ajudar meu filho, que começou a ler?


Um dos posts que vale a pena compartilhar.

Blog da Professora Janaína Spolidorio

COMO AJUDAR FILHO COMEÇOU A LER.fw

Nós, leitores, podemos ser classificados em tipos variados, de acordo com nossa fase de leitura. Mesmo leitores fluentes têm fases!

Uma das fases mais importantes de leitores, contudo, é certamente a iniciante. Consideremos fase de leitor iniciante aquela criança – ou mesmo pessoa de outra faixa etária – que descobriu que ao juntarmos letras temos palavras e essas palavras possuem um significado em nossa língua.

Não parece, mas é algo complexo! O iniciante tem que juntar as letras, formando sílabas, juntar as sílabas, formando palavras, notar a palavra que essa espécie de quebra-cabeça forma e ainda por cima interpretar. Ler palavras – ou frases – é a primeira forma de interpretação leitora das pessoas. Se essa fase não for bem trabalhada, mais tarde certamente o leitor terá problemas ao interpretar textos.

Para ajudar, veja que interessantes as 5 dicas a seguir, para ajudar seu filho, que é um leitor iniciante…

Ver o post original 316 mais palavras

 
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Publicado por em 18 de novembro de 2014 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 
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Viajando pela saudade


Tem saudades que vão e voltam feito viagens de trem.

Tem saudades que permanecem  feito..feito…vi..viagens de trem.

 
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Publicado por em 13 de novembro de 2014 em MEUS VIDEOS

 

A BEATA DA CAPELA


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Nunca um dia era diferente do outro, era sempre a mesma coisa. Ela orava fervorosamente todas as manhãs naquela mesma capela. Mal o dia amanhecia e a “beata da capela” já cruzava o jardim da Independencia em Corumbá para  alcançar a rua 13 de junho e depois a Antonio Maria e finalmente junto ao antigo ponto de ônibus encontrar a capelada Matriz Nossa Senhora da Candelária.

Os aposentados frequentadores da praça da Independencia já sabiam que ela iria cruzar por ali, saída não se sabede onde,visto que bem em frente à praça tinha a igreja Nossa Senhora Auxiliadora, mas a esta ela não frequentava… tinha que ser a Matriz. E os “desocupados” até já conheciam o “toc-toc” de seus passos ligeiros e miúdos.

Não houve um só dia de calor ou frio, de tempestade ou vento forte que a privasse do ritual. Alguns se perguntavam se “ a beata da capela” seria um ser vivente desta ou de outra dimensão…

O que parecia é que ela rezava fervorosamente todas as manhãs quando o dia ainda bocejava sonolento suplicando por um milagre que nem ela poderia demensionar  a urgência e a importância…

Impressionava o olhar perdido com que ela passava pelos “madrugadores-do-fazerabsolutamentenada” e parecia não divisa-los em sua habitual “jogadadeconversafora”.

Mas naquela manhã fria de 23 de julho, a “beata da capela” não cruzou a Praça da Independencia. Os “jogadores-de-dominó” não ouviram seus passos… não observaram seu olhar perdido, não a viram surgir do nada no meio da praça nem a viram dobrar a esquina da rua 13 de junho com a Frei Mariano rápidamente.

Burburinhos surgiram.Onde estaria a beata da capela? O que teria acontecido de tão importante que não permitira que ela fosse cumprir o seu ritual de reza? Teria adoecido? Teria viajado? Teria perdido a hora?

Já aproximava-se o cair da tarde. E meia dúzia de curiosos juntaram-se aos aposentados da praça. Eram vendedores das lojas da 13de junho, eram cobradores de ônibus que circulavam pela Antonio Maria. Todos queriam saber da “beata da capela”. Ficavam um olhando para o outro sem arriscar a pergunta: ___ Alguem viu a beata hoje? ___ Mas ninguém se arriscava embora todos quisessem saber afinal o que de tão grave a impediu a sagrada visita matinal da “beata da capela” ao Jardim da Independência ?O que teria feito a “beata” nessa manhã de inverno tão rigoroso quanto o verão na região do pantanal de Mato Grosso do Sul?

De repente um dos aposentados que estava no local tomou a iniciativa:

__ Vamo dexá de lero-lero. Vamo lá a igreja falá com o padre. Ele tem que dá noticia se a beata foi hoje rezá, o se não foi. Afinar ele deve sabe max que nóx

Não foi preciso mais argumentos… Num piscar-de-olhos a procissão de curiosos deixou a praça e ganhou a rua. Carros pararam, sinaleiro deteve-se entre a ordem de seguir e de parar e a quase multidão tomou o rumo da igreja. Ao dobrarem a esquina da alameda Helo Hurt , puderam ver a multidão em frente a matriz Nossa Senhora da Candelária.

Com o terço na mão uma senhorinha balbuciava sua reza. Dedos nervosos de uma outra senhora coriam entre as contas mostrando que ela não seguia a guia das contas do rosário… O que teria acontecido afinal?

Na escadaria da igreja, vestindo um espaço vazio, estava o vestido de flores brancas em fundo preto, o véu cobria uma cabeça imaginária, o terço solto no chão.

A “beata da capela” despira-se de sua penitencia e sumira da mesma forma que aparecia no meio da praça com passos miúdos e rápidos para suas orações matinais durante anos a fio…

 

( AUTORIA DE MARLUCI BRASIL)

 
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Publicado por em 13 de novembro de 2014 em MEUS ESCRITOS

 

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