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Ódio entre irmãos

29 jan

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Hoje tomei conhecimento de uma atrocidade. Arrepiei… Senti náuseas… Meu coração ficou apertado…

Pensei na alma boa que ficou e na alma boa que já partiu e me perguntei: Como será que está o coração dela? Como será que está o espirito dele? Imediatamente coloquei-me  em oração…

Sempre tive a doutrina espírita como minha FONTE DE VER O MUNDO E AS RELAÇÕES QUE EXISTEM NELE.  E ao saber que um irmão espancou a irmã na frente da mãe que por ser idosa não teve opção a não ser enfrentar a fúria do filho e acabou se machucando também; ao saber disso chorei… Chorei de verdade…

Fiquei imaginando a cena. Ela sendo agredida a socos no rosto, nariz quebrado, hematomas pelo corpo, tentando se defender como podia da agressão da força desproporcional… A mãe com o equilíbrio do corpo comprometido pelo peso da idade avançada se metendo no meio dos murros e dos empurrões , clamando por paz … Ele no auge de sua força física se impondo…

Meu Deus!!!! Pensei!!! Meu Deus!!!! ESSA FAMILIA ESTÁ SOB A FALANGE DO MAL. Como entender isso, se é uma família que só fez o bem… a vida inteira…O que aconteceu?

Lembrei de um artigo que li e que agora transcrevo aqui:
Inimizade entre irmãos, ódios em família ( texto de Adenáuer Novaes)
Júlio e Márcio têm um ano de diferença na idade. Parecem-se fisicamente muito embora o primeiro se assemelhe às feições maternas e o segundo, às paternas. Em temperamento ocorre o inverso. Júlio ‘puxou’ ao pai, impulsivo e dado a afetividade exagerada. O segundo, à mãe, mais calmo e comedido nas manifestações afetivas.
Desde quando eram crianças, notava-se a dificuldade entre eles de se relacionar. Havia uma certa inveja ou desejo de um mostrar ao outro os erros alheios. Vez por outra se via um corrigindo o comportamento do outro frente a terceiros. Muitas vezes chegavam às vias de fato, se engalfinhando por tolices. Já adultos não se tocavam e embora não se falassem, não mais havia um clima para agressão física.
Tudo começou quando o mais novo passou a se incomodar com os privilégios que o mais velho tinha. No aniversário de cinco anos do irmão, ele fez de tudo para bagunçar a festa a ponto de ser retirado para não tocar fogo nos enfeites cuidadosamente feitos pela mãe. Todos notavam a inveja dele pelo irmão. Mas, por sua vez, o mais velho também fez o mesmo na festa do ano seguinte quando o irmão fez cinco anos. Conseguiu derrubar algumas bandejas de doces e desagradar a todos que também notaram o ciúme dele por não ser o centro das atenções.
Na adolescência passaram vários meses sem se falar e quando o faziam, brigavam. Disputavam a atenção dos demais familiares. Queriam mostrar que um era melhor que o outro. Quando brigavam, queriam a razão de seu lado.
Buscaram profissões diferentes. Um se tornou dentista e o outro administrador e funcionário público. Continuaram sem se falar para desgosto dos pais. Casaram e um não compareceu à cerimônia do outro. Serão inimigos enquanto o orgulho falar mais alto. São iguais.
É típico no ser humano os mecanismos de defesa usados inconscientemente pelo ego para que sua sombra não apareça. Na maioria dos casos o indivíduo não o faz por dolo, pois encontra motivos lógicos para enxergar no outro aquilo que não está ainda completamente resolvido em si. Vê razões de sobra para o que projeta, pois o outro lhe apresenta motivos reais e que são percebidos pelas pessoas com quem convive.
A projeção ocorre graças à não percepção da própria sombra e à existência, nos casos mais intensos e complexos, de antigos ódios não resolvidos entre as pessoas envolvidas.
O orgulho, irmão do desejo de poder do ego, responde pela ausência da renúncia e da humildade, tão necessárias nas relações humanas.
Sentimentos aversivos de uma pessoa a outra podem ser efetivamente trabalhados e direcionados para o desejo do encontro com o outro, quando se abre a mente e o coração ao amor.
A intensa emoção do ódio, latente no inconsciente e agora presente na consciência, consegue contaminá-la dominando-lhe o foco de atenção, a ponto de direcionar as ações do ego, colocando-o a serviço da vingança. O ódio, como a maioria dos sentimentos intensos, consegue contaminar a consciência, a qual é movida pela atenção promovida pelo ego. O perdão atuará sobre a consciência para que a contaminação se desfaça devolvendo o equilíbrio necessário.
Com o perdão na consciência haverá, por inverso, o atingimento do núcleo do passado no qual se encontram as experiências que lhe deram origem.
As brigas entre irmãos são naturais. Afinal, luta-se por espaço, pelo domínio do ambiente e do controle das situações, resquícios da experiência animal presente no ser humano.
Há limites para os pais permitirem que a situação perdure.
O trabalho de conciliação deve ser constante, principalmente durante a infância e a adolescência. Na maioria dos casos são inimigos de tempos remotos que reencarnam como irmãos consangüíneos a fim de que juntos aprendam a lei de Amor.
Em geral o orgulho e a rigidez mental impedem que se reconciliem. Só a educação e o contato familiar poderão alterar a situação. Os pais devem estar atentos para promover o necessário respeito de um pelo outro para que a contenda não perdure por mais outra encarnação.
Deve-se evitar deixar de dar razão a qualquer um deles quando a situação assim se justificar, pois, sob pretexto de ficar neutro pode-se ser injusto. Mesmo sendo dada a razão a quem a tenha, deve-se, posteriormente, conversar com quem ocupou aquele lugar sobre a necessidade de evitar a contenda, tendo em vista que o outro irá nutrir o natural sentimento de vingança. Àquele que não tinha razão, deve-se expor o motivo pelo qual ele se equivocou e como poderá proceder quando algo semelhante ocorrer. É imprescindível que sempre haja o diálogo de mediação para que os direitos sejam respeitados.
É também importante lembrar que, quando a causa geradora da inimizade vem de vidas passadas, no inconsciente de cada um deles estará a contenda anterior, a qual, naquele que se sentiu injustiçado, gerará a postura de quem deseja alguma desforra ou compensação. Isso poderá ser observado quando a razão costuma estar, muitas vezes, do lado de um deles, o qual, via de regra, não foi o injustiçado do passado.
A preferência inconsciente dos pais por este ou aquele filho decorre dos laços que unem os espíritos entre si alicerçados pelas afinidades estabelecidas em vidas passadas. Essa preferência se mostra quando inconscientemente um dos filhos é escolhido para as manifestações de alegria, para as conversas mais prolongadas, para o olhar nos olhos, para os elogios, para os presentes mais significativos, para a ausência de críticas, a citação de exemplos, etc.
Mesmo que a escolha por um dos filhos não seja explícita não é possível esconder sentimentos. Aquele que for preterido sentirá através das vibrações emitidas por quem o discrimine.
Essa discriminação, explícita ou não, poderá, e geralmente o faz, levar aquele que foi inferiorizado a manifestações de hostilidade ao que foi escolhido. Entre eles haverá essa diferença, que poderá promover animosidades. A inveja e a competição se instalarão.
É comum que se diga e pense que os pais vêem os filhos de idêntica maneira e que gostem deles igualmente. O amor ou o ódio, como qualquer outro sentimento, que se sente por alguém, não se modifica apenas por uma ordem racional. Sentimentos são construídos com base em experiências relacionais e nem sempre obedecem a razão, salvo quando esta se submete a transformações profundas.
Espíritos renascem como irmãos para solidificarem o sentimento de fraternidade e ampliarem seus esforços comuns em favor do grupo do qual fazem parte. Também para aprenderem a dividir a cooperar e a reconhecer a igualdade de direitos e deveres.
Os pais devem entender que os filhos, ao apresentarem diferenças intelectuais, devem merecer idêntica atenção e carinho. Aquele que apresente condições intelectuais inferiores deve ter outras habilidades igualmente importantes que devem ser valorizadas.
As preferências são conseqüências das relações anteriores entre os espíntos, porém deve-se prevenir para que elas não se repitam de forma estereotipada e inadequada à evolução do ser humano.
Não é raro encontrar em família pessoas que não se toleram e cultivam ódios duradouros. A maioria não consegue conviver no mesmo teto distanciando-se sempre que possível a fim de evitar o contato.
Em alguns casos o grau de parentesco com a pessoa não é consangüíneo, lsto é, muitos decorrem de um consórcio que vincula uma a outra, o que dificulta a proximidade para que a harmonia se estabeleça. E comum encontrar inimizades entre cunhados ou entre enteados e madrastas ou padrastos, o que torna a situação ainda mais complexa.
Na maioria dos casos se observa que o orgulho está presente, visto que nenhuma das partes toma a iniciativa para reatar a relação. Cada um tem suas razões ou motivos para acreditar que cabe ao outro o dever de pedir desculpas e re-equilibrar a situação. Os envolvidos procuram justificar-se perante os outros atraindo para Sl uma parte da família, enquanto a outra toma partido oposto. A divisão se instala sem que as pessoas envolvidas percebam.
Às vezes, o fato gerador do sentimento aversivo por outra pessoa se situa na atual encarnação, tornando a situação mais simples de ser resolvida, visto que se consegue identificar as responsabilidades dos envolvidos. Quando o sentimento vem de outras vidas, isto é, o fato gerador não ocorre na atual ou, se ocorre, é insignificante, a probabilidade de resolver a situação é menor.
Briga-se por causa de objetos insignificantes, por sentimentos não resolvidos, por palavras mal colocadas, por agressões voluntárias ou não, pela disputa de poder, dentre outros. Em todos os casos alguém não tem razão ou ambos. Quando um dos dois tem razão, o outro, se quiser, pode mudar a situação renunciando ao seu direito de conquistar seu opositor. Nem sempre a renúncia é possível visto que, às vezes, os bens e valores envolvidos são muito caros a ambos. Quando a renúncia está presente, ambos ganham.
Os ódios em família decorrem também da própria natureza humana na qual se insere o desejo de superação da inferioridade através do predomínio sobre o outro. Porém, esse ódio é fomentado pelas ocorrências aversivas do espírito em vidas passadas. O desejo de vingança, a necessidade de fazer justiça por conta própria, a raiva acumulada, dentre outros, são fatores que fomentam as aversões em família.
É importante que os pais fiquem atentos a fim de passar aos filhos a existência de uma justiça maior que a todos vê e age com amorosidade no momento adequado. Devem os pais ensinar a lisura nas relações e a honestidade em tudo que se faça, pois a ausência delas costuma provocar o ressurgimento de velhas desavenças que já poderiam ter sido eliminadas.
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mateus, 5:9)
A paz é o bem mais precioso do ser humano. Quando estamos em paz o mundo nos parece mais harmônico. Uma pessoa em paz tem o dom de promovê-la e de tornar-se excelente mediador de conflitos.
A afirmação do Cristo deve nos levar a entender que os que se colocam no lugar de promover a paz receberão a honra de serem chamados de filhos de Deus, isto é, procedem como ele. Quando alguém é chamado de ‘filho de’ é porque tem as características daquela pessoa, ou seja, é da mesma família.
A paz interior é fundamental para sermos pacificadores e para evitarmos as contendas que porventura venhamos a ter com alguém. Nenhum de nós sabe exatamente sobre o seu passado para afirmar categoricamente que não tenha tido inimigos. Eles costumam aparecer na encarnação quando menos esperamos, portanto devemos estar preparados com a paz a fim de quebrarmos o padrão repetitivo de litígio.
É típico das inimizades entre irmãos a disputa de poder pela atenção das pessoas, pelos sentimentos de alguém ou pelos bens materiais. Em qualquer dos casos é imprescindível educar o espírito para a renúncia e o desapego. Isso se consegue toda vez que se doa amor àquele que reivindica o que não lhe é devido .

 

 

 

 

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Publicado por em 29 de janeiro de 2015 em MEUS ESCRITOS, PÉROLAS DA INTERNET

 

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