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Arquivo mensal: abril 2015

A música te escolheu!


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A primeira vez que ele chamou a atenção de toda a família para o seu dom foi aos 2 anos de idade. Podia estar brincando onde fosse, bastava que minha mãe se sentasse ao piano, bastava uma única nota e ele largava o que estava fazendo e corria para a sala.

Ficava sentadinho, olhando mamãe ou tia Maria tocar. Fechava os olhinhos e reclinava a cabeça… Era encantador de se ver.

No início achávamos “bonitinho” e quase não demos valor ao que tio Costinha dizia:”Maria sempre fala que Felipinho vai ser pianista.”

Para toda minha família a futura pianista seria minha filha Leatrice, para quem minha mãe já tinha deixado o piano dela como herança caso viesse a falecer.

Quando ele tinha 5 anos enquanto todos almoçavam à mesa, a mesa dele era o piano.

Quando ele ficava triste, sentava-se ao banco do piano, deitava a cabecinha na madeira que protegia as teclas e ali chorava, com os ouvidos colados à madeira muda até adormecer…

Quando ele estava muito quieto, podia contar que ele estava sentado no banquinho do piano olhando as teclas brancas e pretas, com as mãozinhas presas no vão das pernas.

__ Felipe, O que você está fazendo?

__ Estou escutando música. __ ele respondia ___  Uma música que só ele ouvia.

Quando minha mãe faleceu. Felipe tinha 9 anos de idade. Foram dias muito dolorosos para nós. Meu pai (cardíaco) me causava muita preocupação. Várias noites eu acordava e ia até seu quarto ver se ele estava bem, várias vezes vi Felipe no escuro, no meio da noite sentado olhando o piano em silencio. No início achei que ele estava tendo crise de sonambulismo…. Fiquei preocupada…. Arrisquei um dia a chegar perto. Nunca tinha chegado antes, afinal minha avó dizia que não se pode acordar quem está tendo crise de sonambulismo…. Eu sempre ficava de longe esperando ele voltar sozinho para a cama e se deitar e  naquela noite eu fui…. Toquei seu ombro, ele se virou para mim

__ Sinto falta de ouvir vovó tocando o piano…

Foi aí que eu vi que ele não era sonambulo. Foi aí que vi que ele sentava ali para chorar duas saudades…. Abracei meu filho e dormimos juntos aquela noite… Chorando de saudades.

Um ano depois da morte de minha mãe, meu pai resolveu refazer sua vida e escolheu para desempenhar um papel importante nesse “refazer” uma mulher que só de pensar nela eu ARREPIO e sinto NAUSEA até hoje (que Deus me perdoe…). Para ela entrar na vida de meu pai nós tivemos que sair…Sair da vida dele, da casa dele…

Ficamos de longe, esperando a hora de voltarmos e reassumirmos o nosso lugar; mas eu não ia deixar o piano de minha mãe na casa daquela mulher.

Leatrice não estava preparada para aprender a tocar piano, nem demonstrava interesse… Já Felipe…. Quando saia de casa e não avisava onde ia, podia contar que estava em frente à casa de meu pai, esperando a mulher sair para entrar nela rever o primo e se sentar ao banco do piano e ficar olhando as teclas,mudamente, num silencio que emocionava quem visse. Quem me contava isso era minha prima que trabalhava como doméstica na casa de meu pai.

Na época eu trabalhava em três escolas e ainda administrava uma casa de carnes (CASA DE CARNES PRIMAVERA) onde tinha um escritório que cabia o piano de minha mãe, já que eu e meus filhos e a Tia Maria (que com a morte de tio Costa eu tinha assumido como minha nova filha, ela tinha 80 anos) havíamos mudado para um prédio de apartamentos (ANACHE) e o piano não cabia no elevador… Eram 6 andares. Deixei o piano de mamãe no escritório da casa de carnes.

Felipe logo demonstrou interesse em me ajudar na administração da Casa de Carnes. Ele tinha na época 10 anos de idade, não gostava muito de estudo, e eu não tinha tempo para ele … (uma das maiores culpas que carrego em meu espirito) afinal eu tinha mais de 600 alunos para me preocupar…

Um dia o meu açougueiro faltou o serviço e eu fiquei na parte da manhã na Casa de Carnes. Faltei a escola na parte da manhã. Liguei para meu pai.

__ Pai o senhor pode ficar na Casa de Carnes à tarde para mim? Não posso mais faltar a escola…

Papai foi para a Casa de Carnes, eu não podia deixar Felipe sozinho lá afinal ele tinha só 10 anos de idade.

Naquele dia os professores da cidade começaram uma greve por tempo indeterminado, sai cedo da escola e fui direto para a Casa de Carnes. Quando estacionei perto ouvi o piano de mamãe sendo tocado. Uma revolta se apoderou de mim. Entrei como uma leoa na Casa de Carnes. Quem seria o atrevido ou a atrevida que ousava estar tocando no piano que fora de minha mãe e que agora é de minha filha? …

Papai me viu entrando e sorriu.

__ Quem está no piano de mamãe? __perguntei furiosa.

__ Felipe! __ Papai respondeu.

Senti meu corpo gelar. Parei. Não conseguia dar um passo sequer. Fiquei ouvindo… Meu filho de 10 anos tocando a música de Tom Jobim “DINDI” como se tivesse sido composta por ele. Com uma musicalidade… com um sentimento que me arrancou lagrimas no mesmo momento. Passou um filme em minha cabeça… ele olhando o piano mudamente desde os dois anos de idade…. Em que momento ele teria aprendido a tocar? Com quem?  A única pessoa que tocava aquele piano era minha mãe, e quando ela faleceu ele tinha apenas 8 anos. Quando viva ela nunca ensinou ele tocar piano…. Infelizmente (uma dor que carrego comigo) minha mãe nunca teve tempo para meu filho …

Cheguei devagar, para não atrapalhar. Felipe tocava arrepiado… e quando terminou abriu os braços e abraçou as teclas.

Quando percebeu minha presença, tremeu de medo.

__ Eu não toco mais mãe. Juro!

__ Toca sim, meu filho. Toca sempre que quiser tocar. O piano é seu. Ele escolheu você.

Nunca!! Absolutamente ninguém, nunca mostrou para ele onde ficavam as teclas que produziam o som das notas…

Nunca!! absolutamente ninguém, nunca ensinou, tempo, ritmo, acorde ou harmonia. Nada!

Ninguém humano, só o único professor que ele teve, chamado:

TALENTO (também conhecido como DOM DIVINO)

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Publicado por em 27 de abril de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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DIA MUNDIAL DO LIVRO


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HOJE É O DIA MUNDIAL DO LIVRO
E eu quero homenagear todos eles:
Os contadores de histórias,
Os que cantam em versos.
Os que mostram o caminho da justiça
Os que ensinam as letras e os numeros
Os que falam sobre historia da história
Os que mostram caminhos e desvendam os segredos dos lugares
Os que mergulham nos mares e nos revelam a vida nas águas
Os que se embrenham nas matas e nos desnudam vida da vegetação
Os que nos deixam em suspense
Os que nos fazem chorar de emoção
Os que nos contam sobre o passado
Os que nos explicam o presente
Os que nos mostram o futuro
Os que nos fazem rir
Os que nos fazem ter esperanças
Os que nos ensinam a cuidar do corpo e da mente
Os que nos nos mostram os caminhos da fé
Os que passeiam de mãos em mãos
Os que se veem refletidos na visão
Os que são esquecidos nas estantes
Os que são engavetados
Os que sobrevivem ao tempo
Os que são rejeitados.
Os que merecem só uma chance para ser
Os que foram sorvidos
Os que foram esquecidos
Os que só desejam se lidos
Os que que são recomendados
Os que morrem ao tentar nascer.

 
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Publicado por em 23 de abril de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Escrever dói.


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Certa vez uma aluna na aula de redação me disse:

__ Professora, me pede para ler e eu leio o que a senhora quiser, mas escrever não…. Escrever dói.

__ Dói? …. Perguntei mudamente a mim mesma…

Olhei o exercício que ela fazia nas mãos, o espichar dos dedos, o girar do pulso, o abrir e fechar das palmas das mãos, o sacudir freneticamente a mão no ar….

“Sim”… pensei… “Ela tem razão. Escrever dói…. Dói muito, porque escrever o pensamento é escrever o que sentimos. Porque somos o que sentimos…Dói porque escrevemos o nosso choro e as nossas lágrimas não matam nossa sede de carinho… Dói porque ao escrever , vomitamos as palavras que não podemos gritar e ao fazermos isso nossos sentimentos antes microscópicos ao olhar dos outros tornam-se alto relevo…Dói porque precisamos olhar pra dentro de nós para encontrar a pontuação adequada ao nosso texto e nem sempre encontramos algo agradável de se ver. Sim… Ela tem razão… Escrever dói… dói muito… Mas salva!!!

 
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Publicado por em 22 de abril de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Gota!


sozinha na multidao

O bar está lotado…muitos rostos…sorrisos diversos…

E eu? Eu sozinha com a saudade e com meus versos.

Nem meu canto, hoje, supriu a tua ausência.

Nem meu brincar, hoje camuflou minha carência.

Eu só sei sentir você…

Só sei pedir você…

Só sei pensar você…

Só sei chorar você…

Olho para os rostos conhecidos

E encaro o conhecimento ausente.

Percebo os acordes, mas a melodia dorme dentro de mim

Minh ´alma se compadece de si mesma.

Qual seria meu fim?

Até quando vou perceber

Que sempre amei você?

Que sempre vou amar você?

Preciso de amputação cardiorrespiratória…

Preciso arrancar você de mim.

 
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Publicado por em 21 de abril de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Vídeo

Oração do bebê…


 

Deliciosamente lindo!!!!

Emocionante!!!!

 
2 Comentários

Publicado por em 19 de abril de 2015 em MEUS VIDEOS, PÉROLAS DA INTERNET

 

Açai… dando um delicioso sabor a mais esse encontro musical.


 

Era para ser só uma compra a ser feita no Hipermercado Comper em Campo Grande/ MS.

 

 
 

Testamento ecológico


conceito-ecologia

Fica a todos aqueles,

que quiserem deste tomar ciência

Que através do presente documento,

com firma reconhecida no cartório do DNA,

Deixo declarado em caráter, irredutível, irrevogável, indestrutível para o fruto de meu ventre

O ar puro das montanhas nos pulmões das grandes cidades…

O translucidez das águas cristalinas

nas fontes intocadas,

que alimentam os rios,

que serpenteiam as matas nativas ,

que ganham o status de canais de pura vida…

O vôo soberbo dos tuiuiús,

das garças reais, dos colhereiros, das araras azuis…

O balé submerso dos dourados,

Piraputangas e caxaras em época de piracema …

Os gritos do aranquã ao nascer e ao por-do -sol -pantaneiro

As salinas, os igarapés, as baias e corichos.

A imponência do rio Paraguai

tatuando em prata o S no seio pantaneiro.

Deixo para minhas netas Hena Iara, Maria Luiza,

Júlia, Bruna e Maria Eduarda,

Luzes de minha vida,

o fruto colhido no pé,

na época e no tempo certo,

sem a interferência da química forjada.

Deixo para minhas netas a MÃO DO HOMEM.

 Porem deixo-a em situações distintas:

Espalmadas: ao plantar , apoiar, regar, preservar,colher…

Unidas , palmas e dedos… ao agradecer.

Pela certeza de que a natureza,

Ali estará , intacta, a cada amanhecer.

 
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Publicado por em 17 de abril de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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