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Arquivo mensal: outubro 2015

Estou indo embora…


Houve um tempo em que quis muito pegar a estrada, sair do lugar onde eu estava, respirar novos ares, pisar novo chão, reconhecer novos rostos cruzando por mim nas ruas, que seriam outras…
Quis tanto, tanto, tanto… E GRAÇAS A DEUS consegui o que queria…
Na verdade, não tenho do que me queixar. Eu sempre consegui tudo o que eu quis. Posso não ter conseguido o que quis pelo tempo que quis, mas em toda minha vida experimentei o sabor de ter aquilo que quis ter, de ser aquilo que quis ser.
De uns dias para cá venho tendo insônia … quase não durmo…
Acesso a internet e me pego buscando fotos de cidades desconhecidas, estradas a perder de vista, malas …
O interessante é que são malas vazias… como se eu estivesse deixando tudo para traz, como se estivesse mudando de ares, com a roupa do corpo… ou da alma… sei lá…
Sinto-me indo embora sem saber para onde… E me vejo querendo ir embora….
Ah! Essa alma inquieta…

 
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Publicado por em 29 de outubro de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Ré em carma ação…


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Descobri que quando digo que quero, que preciso “mudar de ares, de outro chão, de outro campo de visão, de outro cheiro, de outros céus”, descobri que na verdade eu quero é mudar de época… Quero voltar no tempo e no espaço.
Quero viver novamente uma vida já vivida… Só não sei se é para nela reparar os erros que lá cometi ou se é para ter a chance de um recomeço sem erros…
Quero me preparar para uma nova vida sem trazer para ela as arestas da outra vida. Recomeçar literalmente, renascer literalmente, reviver literalmente.
Minha alma está cansada de anulações, de submissões, de aceitações…
Minha alma é rebelde, é afoita, é sonhadora…
Minha alma são cabelos cacheados soltos ao vento e quando a fronte deitada em relva úmida os olhos de minha alma saem de si e vão brilhar entre outras estrelas iluminando a noite…
Os olhos de minha alma não são turvos pela chuva torrencial das lágrimas sentidas…
Os olhos de minha alma são vivazes, acostumados a olhar para cima, acostumados a analisar os voos de pássaros, o formato de nuvens, as cores da aurora. Os olhos de minha alma não se entendem buscando formigas, caçando minhocas, observando a secura das folhas caídas…
Descobri que meu corpo nasceu, mas que minha alma dividida ainda está presa em paredes de pedra, na umidade dos sons dos fados e de relvas ondulantes de paisagens europeias…
Não sou deste tempo… Não sou deste lugar…

(#respeiteosdireitosautorais)

 
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Publicado por em 27 de outubro de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Mergulho em si


Quando mergulho dentro de mim mesma,
Tenho medo do que penso e sinto…
Os extremos me comprimem e eu me dissolvo
Temo por quem consegue ganhar 100% de minha antipatia.
Temo por quem me ensina o desamor.

( Marluci Brasil —- #respeiteosdireitosautorais )

 
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Publicado por em 26 de outubro de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Orgulho ferido!


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__ Vó, posso ficar olhando você cozinhar?

__ Pode Marluci! Claro que pode!

E eu me sentei no enorme banco de madeira e fiquei observando enquanto ela mexia nas achas de lenha no fogão e abanava com o pedaço de papelão o braseiro que soltava labaredas rebeldes contra o vento que o atingia.

__ Por que você está rasgando minha toalha?

(Susto) Percebi que enquanto eu observava estava com meus dedos nervosos rasgando a toalha de plástico que estava em cima da mesa.

__ Desculpe vó! __ falei com medo.

__ Tudo bem, só que ainda quero a resposta. Por que? O que você está descontando na pobre da toalha?

Ela sempre sabia o que se passava dentro de mim…

__ Estou triste com uma amiga da escola. Eu gosto dela, vó. Admiro ela. Queria ela no meu grupo. Mas como eu fui escolhida pela professora como líder de grupo, ela fica falando mal de mim. Então porque que ela aceitou o meu convite?

__ Ela é inteligente como você?

__ Ela é vó ! As notas dela são melhores que as minhas.

__ Então é isso Marluci. Orgulho ferido por não ser a líder. Vem cá.

Levantei e fui para perto dela.

__ Olha aqui a brasa… é ela que gera o calor, é ela que cozinha o alimento… Mas o ar do meu abanico, mantem ela acesa. É assim você é o abanico que produz o ar, ela é a brasa. Ela faz o serviço e você que aparece… Tem pessoas que não suportam isso…

__ Mas vó eu devo tira-la de meu grupo.

Vovó me olhou demoradamente:

__ Claro que não…. senão quem você vai abanar? Qual a serventia de seu esforço já despreendido? Vai jogar fora seu serviço? Vai apagar o fogo e desandar a comida? Não minha neta… continua abanando… Deixa que ela se consuma em seu orgulho ferido e aproveita o fogo que ela pode te oferecer. Depois que a chama apagar, jogue fora. Carvão queimado vira cinza e cinza a gente assopra. Depois abane outras brasas. Aprenda a lidar com as situações que a vida lhe impõe.

Olhei para a toalha:

__ E a sua  toalha vó?

__ Eu vou recortar e fazer toalha de bandeja, vou por na geladeira, vou enfeitar a casa com ela… E você pede pra sua mãe comprar outra pra mim, ta?

__ E eu devo falar pra mamãe que fui eu que rasguei sua toalha?

__ Só se você achar que deve. Você fez isso num momento em que estava ferida. E as pessoas quando estão feridas saem rasgando as outras sem perceber o que fazem…

Foi assim que aprendi que orgulho ferido pode ser mais destruidor que uma bomba-atomica.

 
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Publicado por em 22 de outubro de 2015 em MEUS ESCRITOS

 

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Um sonho simples. ( texto de Carol Szabadkai)


Um daqueles textos que a gente eoncontra por acaso e pensa:
“Nossa!!!! Taí um texto que eu gostaria de ter escrito!!!”

fazenda

Bateu uma saudade do sítio da minha avó…

Tive vontade de ter um cantinho bem simples, com uma casa menor que a Flamboyant que estaria plantada ao lado dela, com um interior menor que a varanda que a cercaria, cheia de redes, para sonhar com a paz durante o dia e fazer pedidos para estrelas ao cair da noite.

Queria um lugar cheio de verde, com cerca de arame e uma porteira bem velha, dessas feitas de tábua e rangendo ao abrir. Ao lado da porteira, chamariam mais a atenção os coqueiros que ali estariam plantados, apinhados de coquinhos, que as crianças teimariam em quebrar para comer, mesmo sendo um “quase nada” de conteúdo sem gosto, que traz um prazer único, sempre que conquistado.

Sonhei com um pôr do sol que toma o horizonte inteiro, pintando tudo de vermelho, leves pinceladas de roxo e amarelo, e respingado de preto, com a imagem em negativo das garças que se recolhem no rio. Aquela brisa de fim de tarde, com um pinguinho de melancolia do dia que se foi. Faz falta uma lagoa com brilho de lantejoulas, refletindo o sol em despedida.

Desejei que minhas crianças conhecessem o prazer de nenhum brinquedo e milhares de possibilidades: subir em árvores, correr livre, banho de chuva, arco-íris…

A água seria do poço e o filtro seria de barro, com aquele gosto de água fresca que não é possível sentir numa casa de cidade.

Fruta no pé, barro no sapato, chuva com cheiro de terra, bolsos cheios de areia, exaustão às 7 da noite…

Bateu forte a saudade daquele cantinho simples, daquele paraíso. Saudade da infância, do barulho das risadas com meus primos, casa cheia, cama cheia… A criançada amontoada na cama de casal da minha avó… Noite com vagalume e barulho de grilo e cigarra.

Desejei um cantinho que trouxesse de volta, nem que fosse só um tiquinho, do que um dia havia sido tão presente e natural que existisse, mas que hoje percebo ter sido um privilégio. Um tiquinho daquela monotonia tranquilizante, do lugar onde o tempo corria de forma distinta.

Sonhos, sonhos… Realizei tantos… Fica mais um registrado. Quem sabe um dia?

Enquanto isso, fica a saudade e a gratidão por saber exatamente o que eu quero.

Fonte: Um sonho simples.

 
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Publicado por em 15 de outubro de 2015 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 

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Fusão


Meu Deus!!!!!!! Meu Deus!!!!!! Meu Deus!!!!!
Por que será que meu corpo nasceu onde minha alma nunca viveu?
Meu ser interior é de outras paisagens, de outros sabores, de outros versos, de outros acordes…
Minha arquitetura é outra, meus azulejos são desenhados…
Meu mar é calmo, meu ritmo é fado!!!!
Minhas paredes são de castelos antigos…
Meus caminhos, minhas escadas são de pedras…
Em minhas janelas violetas florescem e no inverno a neve cai do lado de fora de minha morada…
As árvores de minha rua são pinheiros enfileirados em relva verdejante…
Em meu horizonte sempre tem uma cruz em sinal de que a igreja não fica longe de mim…
Meu Deus!!! Meu Deus!!!! Minha alma é européia!!!
Quando meu corpo perder a vida. Quero que minhas cinzas encontrarando com minha alma para que meu adormecer eterno seja perene… natural
Quero minhas cinzas em PORTUGAL!

 
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Publicado por em 13 de outubro de 2015 em MEUS ESCRITOS, VIDEOS QUE AMO

 

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