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Um sonho simples. ( texto de Carol Szabadkai)

15 out

Um daqueles textos que a gente eoncontra por acaso e pensa:
“Nossa!!!! Taí um texto que eu gostaria de ter escrito!!!”

fazenda

Bateu uma saudade do sítio da minha avó…

Tive vontade de ter um cantinho bem simples, com uma casa menor que a Flamboyant que estaria plantada ao lado dela, com um interior menor que a varanda que a cercaria, cheia de redes, para sonhar com a paz durante o dia e fazer pedidos para estrelas ao cair da noite.

Queria um lugar cheio de verde, com cerca de arame e uma porteira bem velha, dessas feitas de tábua e rangendo ao abrir. Ao lado da porteira, chamariam mais a atenção os coqueiros que ali estariam plantados, apinhados de coquinhos, que as crianças teimariam em quebrar para comer, mesmo sendo um “quase nada” de conteúdo sem gosto, que traz um prazer único, sempre que conquistado.

Sonhei com um pôr do sol que toma o horizonte inteiro, pintando tudo de vermelho, leves pinceladas de roxo e amarelo, e respingado de preto, com a imagem em negativo das garças que se recolhem no rio. Aquela brisa de fim de tarde, com um pinguinho de melancolia do dia que se foi. Faz falta uma lagoa com brilho de lantejoulas, refletindo o sol em despedida.

Desejei que minhas crianças conhecessem o prazer de nenhum brinquedo e milhares de possibilidades: subir em árvores, correr livre, banho de chuva, arco-íris…

A água seria do poço e o filtro seria de barro, com aquele gosto de água fresca que não é possível sentir numa casa de cidade.

Fruta no pé, barro no sapato, chuva com cheiro de terra, bolsos cheios de areia, exaustão às 7 da noite…

Bateu forte a saudade daquele cantinho simples, daquele paraíso. Saudade da infância, do barulho das risadas com meus primos, casa cheia, cama cheia… A criançada amontoada na cama de casal da minha avó… Noite com vagalume e barulho de grilo e cigarra.

Desejei um cantinho que trouxesse de volta, nem que fosse só um tiquinho, do que um dia havia sido tão presente e natural que existisse, mas que hoje percebo ter sido um privilégio. Um tiquinho daquela monotonia tranquilizante, do lugar onde o tempo corria de forma distinta.

Sonhos, sonhos… Realizei tantos… Fica mais um registrado. Quem sabe um dia?

Enquanto isso, fica a saudade e a gratidão por saber exatamente o que eu quero.

Fonte: Um sonho simples.

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1 comentário

Publicado por em 15 de outubro de 2015 em TEXTOS QUE EU GOSTARIA TER ESCRITO

 

Tags:

Uma resposta para “Um sonho simples. ( texto de Carol Szabadkai)

  1. Carol

    21 de outubro de 2015 at 3:57

    Que bom que gostou! Obrigada! Um beijão!

     

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