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MEU TEMPO!


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Não tenho tempo para o futuro.
Meu futuro se chama AGORA!
Meu amanhã é hoje
Meu “mais tarde “ é “nesta hora”.
Não quero ficar debruçada na janela olhando o horizonte.
Quero o portal alargado pelo que já vivi e que me conduziu até aqui.
Não tenho saúde para picuinhas, ciúmes, crises existenciais.
Não tenho estômago para dores e rancores viscerais.
“Bariatriquei” minha paciência.
“Extremauncei” minha carência.
E diagnostiquei minha tendência de me bastar
Em SINDROME DE EU MESMA ME BASTO.
Só faço o que quero.
Só espero o que tenho.
Só creio no que sonho.
Só ouço o que grito.
Só copio o que recito.
Já não busco meus dentes em outros sorrisos.
Já não enxergo com graus de lentes que não sejam as minhas.
Já não sento em assento onde minha anca não se espalhe displicentemente.
Já não ouço críticas, não registro antipatias
Sou dona de meus dias.
Sou mãe do feto que fecundei e em mim mesma gerei.
Meu EU é minha assinatura.
Meu espiríto é minha criatura.
E não conto mais minutos nem horas…
Meu Futuro é o Hoje.Minha vez é o Agora!

 

 
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Publicado por em 27 de junho de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

ARACNOFOBIA


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ARACNOFOBIA

Eu tinha apenas 10 anos de idade. Estava passando por aquela idade em que hoje nós chamamos de “idade-da-gaveta” (rs…). Calma, eu explico para quem não sabe: é aquela idade que a gente tem de pegar o “quase adolescente” e trancá-lo numa gaveta para só abrir depois que a fase conturbada de emoções contraditórias passasse…

Era uma fase em que todos não gostavam de mim, tudo o que acontecia de ruim era minha culpa, ninguém me entendia, eu sentia frio no calor e calor no frio, queria e não queria a mesma coisa ao mesmo tempo. Chorava só de raiva (e chorava o tempo todo afinal eu tinha óoooooooooodio do mundo que não me amava).

Comecei a usar óculos e chorava porque na escola me chamavam de “boi-de-quatro-olhos”. Chorava porque era gordinha e sofria bulling. Chorava porque sentia vontade de chorar sem saber o porquê.

Era mês de julho, um frio de 5 graus. Estávamos na Fazenda Laranjeiras, de meu avô, na região acima do Morro do Castelo no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Eu, minha irmã Marcia e meus primos Luil, Amaury, Marlene e Marilene fomos tomar leite no curral, tirado na hora das tetas da vaca. (Eu só tomava leite da vaca malhada que apelidei de MOCOCA, em homenagem à marca do leite em pó que eu tomava quando estava na cidade). Fazia frio… muito frio…

Eu tinha cabelos longos (me batiam nas costas) estava com os meus óculos e com uma blusa de lã de gola olímpica, que eu subi até perto do nariz tapando-me a boca para evitar o ressecamento dos lábios por causa do frio, os óculos protegiam meu rosto e a touca de crochê a cabeça e os ouvidos.

O leite estava morninho, uma delícia, em contraste com o frio congelante misturado com neblina que formava gotículas quase cristalizadas na grama que nossos pés pisavam.

Guti (um mestiço de índio com negro) estava ordenhando as vacas. Eu encostei no curral feito de toras de aroeira e fiquei ali, quase abraçada com minha caneca de “leitinho” saboreando a delícia que MOCOCA me dava. Esperei meus primos terminarem de tomar e saímos para voltar à casa da fazenda que ficava a uns 100 metros do curral

__ Marluci! Para ai! __ Ouvi Guti gritar

Parei e olhei para trás:

__ O que foi? __ perguntei.

O peão estava já ao meu lado. Nem percebi que ele tinha corrido em minha direção.

__. Fica parada. Tem uma aranha nas suas costas.

Congelei, nunca gostei de bichos peçonhentos.

Num instinto tentei olhar por cima dos ombros e alcançar minhas costas, foi quando deparei com uma caranguejeira enorme em meus ombros. Gritei e tentei bater nela com a minha caneca de leite para tira-la de meus ombros, mas ela entrou por trás de meus longos cabelos e começou a se emaranhar neles. Eu sentia o bicho andando na minha nuca, e minha pele começou a queimar. Desesperada eu gritava, e a gola da blusa já não mais protegia minha boa. Ouvia Guti gritando “Para! Fica quieta! Eu vou tirar o bicho! ”. Entrei em pânico e tentei tirar o casaco, mas a gola enganchou nos meus óculos e vi uma aranha enorme, preta com listras amarelas, peluda sair de minha nuca e andar pelo meu rosto sob o olhar de pavor de meus olhos protegidos pelas lentes dos óculos. Pude perceber os oito olhos da aranha encarando meus dois olhos. Quase li os pensamentos dela.

Fechei minha boca e minha língua queimou. Ela tinha colocado uma de suas pernas dentro de minha boca e quando eu a fechei ela soltou seus pelos em minha língua. Cuspi a perna e gritava mudamente com a boca serrada.

_ hhhhhhuuuuuuuuuuuuummmm!!!!!! Huuuuummmm!!!!!! Hummmmmm!!!!!!! _olhando nos olhos ela e ela nos meus olhos

De repente ela armou o bote e tentou picar meus olhos. Escutei o “tic” de seu bote nas lentes de meus olhos e vi o veneno escorrendo pelo vidro.

Já com os braços libertos do casaco, eu tentava desesperadamente tira-lo, mas ele estava preso em meus óculos. Senti um formigamento no corpo todo e vi a aranha crescendo…crescendo…crescendo…. Diante de meus olhos.

Senti as pernas sendo molhadas pela minha urina quente e tudo foi ficando escuro…. Desmaiei.

Acordei com meu cabelo cortado, minha nuca e meu rosto inchados e vermelhos, minha língua dolorida e tão grande que não cabia em minha boca, dentro de um “motor-de-popa” no colo de meu pai que me abraçava com força tentando me proteger do frio congelante aumentado pela força do vento na lancha que corria em alta velocidade rumo à cidade de Corumbá.

Hoje… aranha de parede me assusta… elas crescem diante de mim … ganham proporções imensas…. E podem até ficar na parede descansando … mas para mim… elas crescem e vem olhar nos meus olhos e tentar entrar em minha boca!

 

 

 
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Publicado por em 25 de junho de 2016 em MEUS ESCRITOS

 
 
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