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Arquivo mensal: janeiro 2017

Intrínseca


amor-gotico

Fique calada.

Não fale nada.

Não veja nada.

Não sinta nada.

Sua palavra é contradita

Antes de pronunciada.

Portas que batem

Distorções na face aborrecida

Fique calada!

Não veja nada.

Não fale nada.

Não sinta nada.

Fique em branco e preto na foto colorida…

Congelada.

Fique calada!

 
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Publicado por em 22 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Barco de Papel


conselhos-de-vovo-lucindabarcoCheguei na casa dela e me mantive em silencio…
Percebi seu olhar interrogativo pra mim. Mas não falei nada, não sorri nem chorei, apenas permaneci calada.
Ela colocou um suco de laranja num copo na mesa e nada disse só olhou pra mim…
Eu olhei para o copo e não vi o suco. Minha alma adoecida não via o “cheio” só percebia “o vazio”
De repente percebi que ela sentou-se ao meu lado à mesa e ali colocou uma panela funda. A panela estava cheia de água…
Em silencio pegou uma folha do jornal O MOMENTO, onde meu avô tinha uma página que ele assinava, e começou a dobrar e dobrar…
Percebi a forma de um chapéu se formando…
Ela continuou dobrando e o chapéu se tornou um barquinho. Ela colocou o barquinho na panela cheia de água e ele ficou ali flutuando e nós duas olhando o barquinho de papel flutuando na panela.
De repente ela colocou a mão na água e começou de gota em gota transferir a água de fora para dentro do barco de papel e ele começou a afundar… E afundando…afundando foi sendo dissolvido pela água da panela.
Ela olhou para mim e quebrou o silencio.
__ Marluci, o barco não afunda por causa da água ao redor dele. O barco afunda por causa da água que quando entra nele, nós não tiramos e jogamos fora. Não deixe que o que está machucando seu coração afunde sua alegria…
Ah!!!! Vovó… Meu barco hoje tem tantos remendos …
Meu barco ainda flutua…
Obrigada Vovó Lucinda!

 

 
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Publicado por em 21 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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RECEITA PARA LAVAR PALAVRA SUJA


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Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.

Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.

São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.

Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,que é capaz de esvaziar o vigor da língua.

O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.

O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.

Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.

Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.

A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.

Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.

Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.

Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.

Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.

Uma palavra LIMPA é uma palavra possível.

(AUTORIA DE VIVIANE MOSÉ)

 
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Publicado por em 15 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Olhe a casa dela…


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Ontem passando pela Avenida Afonso Pena algo chamou-me a atenção.

O cuidado! Sim, o cuidado que esta cidade tem com as crianças e com os idosos.

“Nunca vi uma cidade com tantas vagas de estacionamento para idosos  como esta. Nunca vi uma cidade com sinalizações em escolas como esta.

E o mais bonito de tudo … respeitados.” Não pude deixar de pensar assim quando vi essas imagens.

Resolvi parar o carro e fotografar a visão. Quantas vezes eu já passei por “esses cuidados” e nunca os percebi dessa forma?

Observei as pessoas nas calçadas, nos carros que cruzavam pela avenida passando como eu passava antes, “desapercebidas” e desconhecidamente.

Acho que nunca mais passarei da forma que passava antes por um jardim como esse.

Lembrei de minha avó Lucinda.

__ Marluci, se você quer conhecer uma pessoa olhe a casa dela. Preste atenção em tudo. Se ela deixa a casa suja e caindo aos pedaços ela não ama a família que tem. Se ela não tem verde, se não tem plantas é uma pessoa amarga, rude, sem raízes, muda sempre e quando muda leva consigo só o que plantou na vida , amargura, egoísmo, insatisfações. Se ela tem plantas e não cuida, não apara, não rega, e permita que o mato cresça é uma pessoa acomodada, que acha que tudo tem que ser resolvido por Deus e por outras pessoas; ela sempre se julga o centro das atenções e aparenta ser o que não é. Se tem o verde e cuida, mesmo pagando alguém pra cuidar pra ela, essa pessoa se ama, ama sua família, ama a vida, ama os amigos, tem esperança e é de Deus! Sim de Deus! Porque respeita a primeira criação divina a Natureza. Essa é uma pessoa que vale a pena você ter como amiga, porque ela vai te fazer o bem e vai te ensinar muita coisa boa na vida.

Pensei mais uma vez: Obrigada Campo Grande por me ensinar tanta coisa em tão pouco tempo.

 

 
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Publicado por em 15 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Emoção e sentimento


 

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Fui chegando sorrateira, ela estava como sempre , com o vestido de bolinhas brancas em um fundo preto ( já desbotado na altura do umbigo- cicatrizes do tanque de lavar roupas e da pia da cozinha) caminhando léguas entre a pia de granito vermelho e branco e o fogão de lenha que ficava no canto esquerdo, ao lado da porta da cozinha , quase embaixo da pequena janela que não ventilava em nada aquele minúsculo cômodo da casa:

-Vó – arrisquei.

– Fala Marluci.

– Qual é a pior emoção que uma pessoa pode sentir?

Ela parou de mexer a colher de pau no caldeirão de ferro (o cheiro inconfundível do feijão da vovó Lucinda). Olhou-me e sorriu.

Enxugou as mãos no pano de prato que trazia pendurado no ombro esquerdo e aproximou-se de mim.

– E sentir que você não é nada na vida de alguém que é tudo na vida pra você.

Foi até a geladeira e pegou uma garrafa de água vazia que eu tinha acabado de esvaziar, e como sempre guardava vazia, na geladeira porque eu sabia que alguém iria encher o que eu esvaziei…

Colocou a garrafa em minha frente.

– Pra que serve essa garrafa vazia pra quem tem sede?

-Pra nada… eu respondi (envergonhada—lá vinha uma lição)

-Pois é … a coisa funciona assim. As vezes nós somos a garrafa  para alguém, A garrafa que aguenta o frio e que é buscada com avidez por quem tem sede, mas só pelo o que a gente pode dar pra quem tem sede. Só a água gelada. Não é a nós que a pessoa quer , é o que podermos dar pra ela, e outra garrafa também pode fazer isso. Sem contar que depois de vazia nem pra matar a sede a gente serve… Quando a gente ama e não é amado por quem a gente ama é o sentimento de inutilidade, de desprezo, de desamor… essa é a pior coisa. Tem muita gente que pra não sentir isso fica mimando filho, marido, neta…(e riu…) Assim a gente tem a sensação de que nunca vai ser inútil…

Olhei pra ela com carinho. Mas calei o pensamento.

Em seguida argumentei:

– Vó , eu pensei que o ódio fosse a pior emoção que a gente podia sentir.

– Ódio não é emoção, Marluci. Ódio é sentimento. Emoção é o que o sentimento provoca na gente. O ódio provoca o medo em quem recebe ele e provoca amargura e frieza em quem sente ele. Entendeu?

( Como era sábia minha avó Lucinda)…

– Você quer que eu faço mate queimado pra você?

– Vó… (abracei ela pela cintura) Eu nunca vou gostar de você só porque você faz mate queimado pra mim…

Senti seu beijo em minha cabeça.

…..

Hoje penso: Vó, nunca ninguém fez mate queimado pra mim… Só você!

 

 
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Publicado por em 10 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Marcas de batom no espelho


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Numa escola de elite em SP estava ocorrendo uma situação inusitada: meninas que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom. O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom…
Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora. No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram…
No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e passou no espelho. Nunca mais apareceram marcas no espelho!

Moral da história: Há professores e há educadores…

Comunicar é sempre um desafio!
Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.

Por quê?

-> Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.

-> Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.

-> Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.

-> Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.

“O saber a gente aprende com os livros, a sabedoria se aprende com a vida”

(Desconheço a autoria)

 
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Publicado por em 7 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Sentimento oco…


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O que posso dizer a mim mesma quando vejo uma foto que deveria despertar um turbilhão de emoções em meu peito e ela me parece apenas o retrato  de algo que vi em algum lugar, mas que não sei onde, nem quando ?

O que fazer quando olho o passado e não me vejo ligado a ele?

O que fazer quando percebo que atravessei uma ponte que une dois pontos distantes de uma cordilheira com montanhas imensas, com verdadeiros abismos separando os cumes, ouvi o barulho da ponte ruindo e nem olhei para trás para ver se a ponte caiu mesmo… Apenas caminhei para a frente com o coração aos pulos, sentindo o vento nos cabelos, acariciando a pele do rosto, com o olhar fixo no horizonte e um sorriso solto nos lábios ?

O que fazer quando ouço, vejo , leio verdadeiras declarações de amor eterno por algo que eu também devería sentir e me sinto mal ,exatamente por não sentir o que devería sentir?

Pergunto-me onde, quando foi que meu coração congelou e minha alma se desprendeu…

 

 
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Publicado por em 6 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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“Aguas calmas não fazem bons marinheiros.”


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A paisagem não me era estranha… Já tinha visto aquele lugar, só não me lembro onde.Talvez no filme “A noviça rebelde”… Seria? Não sei!

Senti o cheiro de terra úmida. No meio do vale uma árvore.“Sombra”—pensei—Vou pra lá.

Estranho… Desci correndo a colina mas quanto mais eu descia, mais a árvore se afastava de mim…

De repente, sem mais nem menos, eu estava embaixo dela. Que surpresa adorável!!!! Sentada na raiz que aparecia no chão (de tão grande que era) estava minha avó Lucinda!

— Vó?!!!

— Senta aqui Marluci! – e me apontou a raiz que serpenteava pelo chão

Senti meu coração disparado. Arrepiei! Quis correr para abraça-la mas algo que desconheço me continha.

Caminhei lentamente e me sentei ao lado dela.

— Antes que você me pergunte…(e deu um sorriso) Não! Você não morreu! Você está dormindo!

Comecei a chorar! Queria falar mas não conseguia ouvir minha voz nem ordenar meus pensamentos.

— Lembre-se: nossos medos e nossos inimigos tem o tamanho e o valor que nós damos a eles. Você é capaz de superar isso tudo. Mais uma vez você está no leme do barco, e existe uma tempestade. Mas saiba que aguas calmas nunca fizeram bom marinheiro.

Ficou me olhando e com a minha mão em seu colo acariciava o dorso dela…

— Depois da enchente o rio sempre volta para o seu leito. Mantenha a calma. Espera. O sol tem hora pra nascer.

–Mas vó…- Tentei argumentar.

— Não tem mas, nem meio-mas.  Eu sei que tem coisas que acontecem  sem que a gente esteja preparado, Eu sei que a chuva não pede pra cair, mas ela avisa que vai cair se vai ser mansa ou se vai ser avassaladora. Você percebeu a tempestade, por que não se preparou?

— Mas eu me preparei vó! Eu percebi o vento das arvores, o céu escurecendo, as nuvens pesadas. Percebi que os pássaros não cantavam que parece que se escondiam amedrontados… Aos poucos fui arrumando tudo, uma coisa de cada vez! Busquei ajuda espiritual. Apelei para Apometria. Fiz curso de Reiki. Chamei a família inteira pra ir se preparando junto comigo. Eu sentia o que ia acontecer. Só não achei que seria assim.

— Marluci, olha pra mim!

(olhei)… Ah aqueles olhos calmos…

— Essa historia de que os opostos se atraem é besteira de cientista. Os oposto se repelem. Amor e ódio não comem no mesmo prato, não dormem na mesma cama, não dividem o mesmo teto. Amor que vira ódio, nunca foi amor. Se fantasiou de amor, só isso!

Levantou ( e eu pude ver a ferida que ela tinha na perna cicatrizada)

— Ainda doi vó? – Perguntei.

— Cicatrizes doem… Ela respondeu.

E completou.

Pegue o leme. Não conduza o barco para alto mar. Procure terra firme. Eu estarei com você.

Percebi o som de mensagem no celular que estava ao lado da cabeceira de minha cama…

Acordei! Meus olhos olham o quarto, a casa, o dia…A chuva ameaça la fora…

Meu barco me espera!

 

 
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Publicado por em 3 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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