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“Aguas calmas não fazem bons marinheiros.”

03 jan

conselhos-de-vovo-lucinda

A paisagem não me era estranha… Já tinha visto aquele lugar, só não me lembro onde.Talvez no filme “A noviça rebelde”… Seria? Não sei!

Senti o cheiro de terra úmida. No meio do vale uma árvore.“Sombra”—pensei—Vou pra lá.

Estranho… Desci correndo a colina mas quanto mais eu descia, mais a árvore se afastava de mim…

De repente, sem mais nem menos, eu estava embaixo dela. Que surpresa adorável!!!! Sentada na raiz que aparecia no chão (de tão grande que era) estava minha avó Lucinda!

— Vó?!!!

— Senta aqui Marluci! – e me apontou a raiz que serpenteava pelo chão

Senti meu coração disparado. Arrepiei! Quis correr para abraça-la mas algo que desconheço me continha.

Caminhei lentamente e me sentei ao lado dela.

— Antes que você me pergunte…(e deu um sorriso) Não! Você não morreu! Você está dormindo!

Comecei a chorar! Queria falar mas não conseguia ouvir minha voz nem ordenar meus pensamentos.

— Lembre-se: nossos medos e nossos inimigos tem o tamanho e o valor que nós damos a eles. Você é capaz de superar isso tudo. Mais uma vez você está no leme do barco, e existe uma tempestade. Mas saiba que aguas calmas nunca fizeram bom marinheiro.

Ficou me olhando e com a minha mão em seu colo acariciava o dorso dela…

— Depois da enchente o rio sempre volta para o seu leito. Mantenha a calma. Espera. O sol tem hora pra nascer.

–Mas vó…- Tentei argumentar.

— Não tem mas, nem meio-mas.  Eu sei que tem coisas que acontecem  sem que a gente esteja preparado, Eu sei que a chuva não pede pra cair, mas ela avisa que vai cair se vai ser mansa ou se vai ser avassaladora. Você percebeu a tempestade, por que não se preparou?

— Mas eu me preparei vó! Eu percebi o vento das arvores, o céu escurecendo, as nuvens pesadas. Percebi que os pássaros não cantavam que parece que se escondiam amedrontados… Aos poucos fui arrumando tudo, uma coisa de cada vez! Busquei ajuda espiritual. Apelei para Apometria. Fiz curso de Reiki. Chamei a família inteira pra ir se preparando junto comigo. Eu sentia o que ia acontecer. Só não achei que seria assim.

— Marluci, olha pra mim!

(olhei)… Ah aqueles olhos calmos…

— Essa historia de que os opostos se atraem é besteira de cientista. Os oposto se repelem. Amor e ódio não comem no mesmo prato, não dormem na mesma cama, não dividem o mesmo teto. Amor que vira ódio, nunca foi amor. Se fantasiou de amor, só isso!

Levantou ( e eu pude ver a ferida que ela tinha na perna cicatrizada)

— Ainda doi vó? – Perguntei.

— Cicatrizes doem… Ela respondeu.

E completou.

Pegue o leme. Não conduza o barco para alto mar. Procure terra firme. Eu estarei com você.

Percebi o som de mensagem no celular que estava ao lado da cabeceira de minha cama…

Acordei! Meus olhos olham o quarto, a casa, o dia…A chuva ameaça la fora…

Meu barco me espera!

 

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Publicado por em 3 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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