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Barco de Papel

21 jan

conselhos-de-vovo-lucindabarcoCheguei na casa dela e me mantive em silencio…
Percebi seu olhar interrogativo pra mim. Mas não falei nada, não sorri nem chorei, apenas permaneci calada.
Ela colocou um suco de laranja num copo na mesa e nada disse só olhou pra mim…
Eu olhei para o copo e não vi o suco. Minha alma adoecida não via o “cheio” só percebia “o vazio”
De repente percebi que ela sentou-se ao meu lado à mesa e ali colocou uma panela funda. A panela estava cheia de água…
Em silencio pegou uma folha do jornal O MOMENTO, onde meu avô tinha uma página que ele assinava, e começou a dobrar e dobrar…
Percebi a forma de um chapéu se formando…
Ela continuou dobrando e o chapéu se tornou um barquinho. Ela colocou o barquinho na panela cheia de água e ele ficou ali flutuando e nós duas olhando o barquinho de papel flutuando na panela.
De repente ela colocou a mão na água e começou de gota em gota transferir a água de fora para dentro do barco de papel e ele começou a afundar… E afundando…afundando foi sendo dissolvido pela água da panela.
Ela olhou para mim e quebrou o silencio.
__ Marluci, o barco não afunda por causa da água ao redor dele. O barco afunda por causa da água que quando entra nele, nós não tiramos e jogamos fora. Não deixe que o que está machucando seu coração afunde sua alegria…
Ah!!!! Vovó… Meu barco hoje tem tantos remendos …
Meu barco ainda flutua…
Obrigada Vovó Lucinda!

 

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Publicado por em 21 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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