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Arquivo mensal: dezembro 2017

Justiça em segredo


Meu avô materno sempre foi o “cérebro” de minha família.

Vovô Castro sabia que sabia das coisas e da vida e ele sabia que nós sabíamos que ele sabia… (gostei dessa frase…rs)

Uma vez numa conversa depois do jantar ele e tio Carlinhos continuaram à mesa a conversar.

Minha mãe e meus primos já estavam fora da copa, alguns na sala, outros na calçada. Eu podia ouvir a conversa deles, mas quando Vovô Castro ficava conversando com alguém eu sempre ficava por perto, ele percebia a minha presença, mas fingia não perceber. Ele sabia que eu iria ali ficar sorvendo suas frases, seu jeito de argumentar, sua forma de analisar as situações. Vovô Castro era um “Delta Larousse”…

Vovó Lucinda na cozinha, lavava as vasilhas do jantar…

_ O fato é que ele pediu para que eu fizesse a defesa para ele. Eu estudei o caso e escrevi a defesa. Mas o advogado é ele, eu sou tabelião _ Tio Carlinhos reclamava.

_ Não devia ter seguido esses passos que dei Carlinhos. Eu já lhe falei que esse foi um dos grandes erros que cometi em minha vida… (vovô ponderava)

… (Vovô errando? Isso soava mal aos meus ouvidos. Vovô sabia tudo! Vovô não errava)

_ E depois ele vem contar vantagem porque ganhou a ação, e ainda vem contar para mim, e fala da forma que ganhou, recita para mim trechos da defesa que EU ESCREVI PARA ELE e o faz como se fosse dele…

Tio Carlinhos estava indignado…

Arrisquei…

_Tio Por que você não conta para todo mundo que foi você que escreveu para ele ler no tribunal?

Os dois pararam, se entreolharam…

Vovô franziu o cenho…

__ Não se mete em conversa de adulto, Marluci. Vá brincar com seus primos.

Levantei envergonhada e me dirigi para sala …

__ Marluci

Ouvi a voz dela, parei imediatamente e virei-me ansiosa eu sabia que viria uma pérola …

__ Quando você quiser que o mundo saiba de alguma coisa, escolha a pessoa certa, conte para ela e peça segredo!

Tio Carlinhos olhou para minha avó e sorriu…

Levantou-se da mesa, passou ao meu lado com um sorriso largo nos lábios e piscou o olho para mim…

 

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Publicado por em 31 de dezembro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Uma pausa para refletir. Quem não precisa?


O ano de 2017 está nos deixando e nessa “partida” ele nos convida a refletir sobre o período que passamos na companhia dele e no que está por vir ( 2018 está ai, na batendo na porta e apitando a campainha ao mesmo tempo).

Este é o momento de repensar a própria vida e avaliar os pontos que desejamos mudar no ano que se inicia. Este processo de reflexão vai nos possibilitar uma reorganização de fazeres e pensares que nos permitirá desfrutar de maior equilíbrio nesta nova etapa que está por vir.

O certo é que quando se desejamos repensar a própria vida muitos fatores podem ser considerados, mas há três áreas de grande importância: VIDA AFETIVA, VIDA PROFISSIONAL e a RELAÇÃO CONSIGO MESMO. A análise da vida afetiva e familiar nos leva a considerar a qualidade das relações que estabelecemos com aqueles que nos cercam.

É hora de se perguntar:
_ Estou satisfeita (o) meus relacionamentos pessoais? De modo geral, as pessoas com quem você convivo me fazem bem? Quais aspectos de meu comportamento têm sido elogiados e quais têm sido criticados por meus filhos, netas, familiares e amigos?

Após fazer todas estas perguntas procuro imaginar o que posso pode fazer para melhorar a qualidade de meus relacionamentos. Este tipo de reflexão me permitirá rever as atitudes e ter uma vida pessoal menos conflitiva e mais prazeirosa, com certeza. Faço isso todo ano e posso garantir que não é fácil não…

Em relação à vida profissional é importante questionar-se sobre o grau de satisfação que você tem em seu trabalho. Você se sente realizado com a atividade que executa? Sente-se reconhecido e valorizado por seu trabalho? Sua remuneração está suprindo suas necessidades? Qual a qualidade dos relacionamentos com seus superiores e com seus colegas de trabalho? Sempre me perguntei isso, e confesso que foi num desses questionamentos que decidi deixar de “cantar na noite” porque eu já estava aposentada mesmo… As minhas apresentações musicais eram praticamente minha nova profissão… O fato é que perguntas como estas me possibilitaram avaliar os prós e contras de meu “cantar” e analisar se era ou não necessário batalhar por uma atividade que embora estivesse mais próxima de meus interesses que me davam maior a satisfação também me fazia sentir frustração.

Por fim, ainda falta avaliar a relação que eu estabelece comigo mesma.
_ Estou satisfeita com a pessoa que sou? Quais são minhas maiores virtudes? Quais defeitos eu deseja superar? Como minha aparência física me faz sentir? ( e nessa eu sempre sofro quando me pergunto) Eu desejo alterar minha imagem atual? Quais fatores têm dificultado para que eu alcance as transformações que desejo? Estas perguntas me permitem refletir sobre meus hábitos e me esforce para alterar as atitudes que me tem trazido sofrimento.

Costumo também elencar 12 metas para serem cumpridas no ano, não necessariamente na ordem que elenco. Tenho o prazo de doze meses para cumprir as 12 metas. E no final do ano revejo essas metas, analiso o que impediu que eu realizasse as que não consegui e agradeço pelas que consegui. O certo é que a minha media de acerto nos últimos 10 anos é a faixa de 4 das 12 elencadas…

O que venho me convencendo a cada ano que finda e outro que se inicia é que reconhecer a necessidade de mudança e acreditar na capacidade de alcançá-la é um grande passo para que se possa viver de forma mais satisfatória no ano vindouro.

 

(Texto adaptado)

 
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Publicado por em 29 de dezembro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

Gratidão e esperança!


2017 está se despedindo…

2018 já apresenta as contrações uterinas do Tempo…

A vida passa, rapidamente e nem nos damos conta de que o tempo passou , só nos percebemos quando encaramos e espelho e identificamos uma assinatura aqui, outra ali… Todas elas em nosso próprio rosto.

É inevitável o envelhecimento. Mas é evitável a envelhecer com sofrimento.

É preciso ter a alma limpa e revigorada a cada ano que passa.

A internet está cheio de textos e considerações sobre o assunto.

Já tem um tempinho ( na verdade 18 anos ) que sigo uma orientação que adaptei para a minha forma de ver e pensar minhas próprias atitudes.  Vou compartilhar com vocês.

Pense e escreva:

Se 2017 fosse uma palavra, qual seria?
Quem foram as pessoas que fizeram parte da sua jornada neste ano?
O que você aprendeu neste ano?
Qual foi o seu maior desafio?
Quais foram as suas realizações neste ano?
O que você descobriu sobre você?

Reveja mentalmente os melhores momentos de 2017, quais foram mesmo?
E o que você quer deixar para traz?
O que você quer manter em 2018?
O que você quer viver e agradecer em 2018?

Despeça-se de 2017 com gratidão.
Escreva uma carta de despedida para 2017 e uma de acolhida para 2018.
Diga ao ano que vai iniciar o que vc espera dela, quais são suas metas, o que vc quer que aconteça.
O que depende só de você para acontecer….
Sele a carta e guarde-a em local seguro.
Em 31 de dezembro de 2018 você  abre, relê e veja quais foram as suas vitórias e onde você errou.

Espero que gostem.

Boas festas e feliz ano novo.

 
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Publicado por em 14 de dezembro de 2017 em ESPIRITUAL, MEUS ESCRITOS

 

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-62ºC (negativos)


Estive em Bonito na FLIB .

Amei!!! Foi muito bom!

Senti-me valorizada e isso fez bem ao meu eu interior; e para a minha surpresa, lá eu tive um reencontro com as minhas origens!

Incomodou meu coração e minha alma sentir a representatividade de minha terra natal tão tímida, tão calada, tão “figurante” nos cenários culturais que ali se apresentavam…

Foi assustadora para mim a confusão entre as personalidades de meus “eus”…

_ Mas ninguém vai falar por Corumbá?

_ Não to te entendendo Marluci!

_ Onde está a Cultura Pantaneira?

_ Uéé´!!

_ Ah…Ali está Roma Romam,  ali está Peninha!!! ( Tão gigante dentro de seu silencio…Tão presente dentro de sua humildade… )

_ Mas…

Num determinado momento, eu mesma me surpreendi ao jogar-me no centro da roda e me identificar:

__ Meu nome é Marluci Brasil! Sou de Corumbá!

Senti uma força levantando meus ombros, empurrando meu peito para frente, levantando minha cabeça, empinando meu nariz, firmando meu olhar, empostando meu timbre de voz… Era como se eu estivesse “encarando o desafio”. Uma posição de defesa. Uma atitude de proteção!!! E me vi falando das dificuldades dos artistas corumbaenses e ladarenses  ( não podia esquecer de Ladário). Questionei sobre música, sobre artes plásticas, sobre dramaticidade, e principalmente sobre literatura. Puxei uma perna do “Polvo Cultural” para a minha amada Educação e recebi tapinhas nos ombros, apertos de mãos e sorrisos, fiquei presa a olhares fixos, a ouvidos atentos… Tomei as rédeas e usei do tempo que me cabia caprichando no “dox, trex “ no fato de termos sido a primeira cidade de MT integrado a ter instutuida uma ACADEMIA DE LETRAS, e percebi que muitas pessoas desconheciam os valores culturais de Corumbá. Extrapolei protocolos. Quebrei a ordem de apresentações … E ganhei um número considerável de endereços de e-mails e contatos por whatsapp…

Quer saber? Embora eu saiba, embora eu tenha certeza, de que os fins de meus dias não serão na Terra Branca, identifiquei em Bonito uma parte de minha alma ainda presa em minha naturalidade.

Não doi mais… Doeu muito, e doeu quando eu ainda morava na Cidade Branca. Mas o sentimento em meu peito congelado  ( a – 62 °C. ) parece que começou a suar …

A magoa colada neste sentimento ( gelo cola, e como cola!!!) começa a apresentar trincaduras…

Acho que já posso arriscar a dizer que pode ser que eu permita que o passado passe…

 
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Publicado por em 11 de dezembro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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