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Arquivo mensal: julho 2019

Conversa com Vovó Lucinda sobre TENTAR OUTRA VEZ.


primeiro-passo-200x177 Minha escola (GENIC) estava na final dos jogos estudantis da cidade. E o jogo de volleyboll ia ser na nossa quadra, estávamos fazendo bandeirinha, chocalhos, afinando os instrumentos da fanfarra. Todas as meninas se concentravam em Susan Meire, Biluca e Mariângela. Todas as meninas queriam ser uma delas (inclusive eu). Elas eram as melhores jogadoras de vôlei da cidade e Susan, a mais bonita e cobiçada de todas.
Su (como eu a chamava) era atenciosa com todos que chegavam perto dela, mas naquele dia estava diferente, concentrada, quieta… Eu a vi sentada no batente da gruta de Nossa Senhora, entre as folhagens e a arvore de jasmim que fazia uma sombra cheirosa. Fui lá falar com ela.
__ Você está bem? __ Perguntei.
__ Não __ ela respondeu, levantou-se e foi sentar em outro lugar me deixando sozinha sem entender o que tinha acontecido.
Perdemos a final. Susan jogou mal, cortava na rede, demorava para fazer o bloqueio, errava os saques… Teve até vaia … Ninguém entendia o que estava acontecendo com ela.
Quando o jogo terminou, fui como sempre para a casa de vovó Lucinda. E já cheguei procurando por ela:
__ Vó! Vó! Cadê você?
__ No quartinho rezando __ me respondeu Dirce que lavava as louças na cozinha.
Fui até ela. Entrei e me sentei no banquinho de madeira que tinha no seu quartinho de orações enquanto ela de joelhos recitava a novena de MENINO JESUS DE PRAGA. Como sempre ela pedia por tio Eca, para que ele parasse de beber e cuidasse da saúde.
Quando ela terminou sua novena levantou-se do chão e sentou ao meu lado.
__ O que aconteceu? __ me perguntou.
Contei para ela, com a garganta apertada, meio querendo chorar. (Eu sempre chorava perto de vovó, a presença dela me emocionava).
_ Olha _ me disse ela_ não é sempre que estamos bem, as vezes acontece coisas com a gente, que a gente não quer contar para ninguém. São problemas pessoais. Sua amiga queria resolver os problemas dela, deixa ela sozinha. Quando ficamos sozinhos a gente consegue ouvir a voz do nosso coração. Se você não fez nada para ela ficar zangada com você, então tá tudo bem.
_ Não fiz, vó! Apressei-me a dizer.
__ Então ótimo. Não sofra por isso.
__ Mas vovó ela não quer nem ficar perto de mim, será que fizeram fofoca de mim pra ela?
__ Quem faria isso?
__ As meninas que não gostam de mim.
_ Mas ela não é sua amiga?
__ É sim
__ Marluci, você, eu to vendo que é amiga dela, mas eu perguntei se ela é sua amiga. Se ela já te deu provas de amizade sincera.
_ Já vovó.
_ Então aguarde. Fica tranquila. Reza para o anjo de guarda dela e para o seu anjo de guarda, os dois anjos se entendem e aproximam vocês.
_ Mas vovó…
Ela sorriu e me deu um cascudo carinhoso.
__ Olha se isso está te deixando tão incomodada, vá falar com ela, agora que ela perdeu o jogo deve estar mais frágil ainda. Deve estar precisando de uma amiga.
_ Mas eu tentei e não adiantou nada
_ Tenta de novo.
_ Eu não!!! E se ela me tratar de novo daquele jeito?
_ Você acha que ela faria isso?
_ Não sei…
_Se você não sabe então dê o primeiro passo para saber o que está acontecendo com sua amiga.
_ Dar o primeiro passo não vai adiantar nada, ela não vai falar comigo __ respondi com pessimismo e dor adolescente.
_ Engano seu. O primeiro passo é sempre o Primeiro Passo. Ele é muito importante, Ele pode até não te levar a lugar nenhum, mas ele te tira do lugar onde você estava.
Olhei para ela… De onde ela tirava aquela sabedoria toda?
Fui para casa e no caminho passei na casa de Susan, dei o primeiro passo, o segundo, o terceiro ajudei minha amiga no que a estava atormentando e nossa amizade se firmou ainda mais.

 
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Publicado por em 17 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Homens


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Homem é tudo de bom!
Homem é companheiro, é parceiro!
Homem protege e as vezes se deixa “ser protegido” só para dar à mulher o “gostinho” de estar fazendo algo de bom para o ser amado.
Homens são cocriadores do maior tesouro da vida de uma mulher: seus filhos.
Homens nos encantam sem precisar de carro do ano, de maço de notas, de roncos de carros e motos, de músculos bombados…
Homens nos encantam com o olhar, com o carinho, com o respeito, com o companheirismo, com a palavra certa no momento certo.
Homens nos tornam cativas quando nos pegam e nos recriam em seu abraço e nos olham dentro dos olhos desvendando nossa alma.
Homens nos conduzem a orgasmos físicos e mentais quando nos tocam em partes genitais ou na ponta dos dedos…
Homens degustam nossos dotes culinários, físicos, criativos, artísticos, nossa capacidade e nossa inteligência …
Homens são sensíveis e rústicos quando é preciso que seja, e não há necessidade de que nós os lembremos de que isso é o que achamos que deve ser e quando deve ser, ele percebe e pronto: o é!
Homens não tem mãos que agridem nem bocas que denigrem e ofendem.
Homens tem mãos que acariciam e bocas que nos saciam a necessidade de beijos e palavras de amor.
Homens são maravilhosos. São esteio, são recheios, são coberturas…
Homens quando percebem nossa fragilidade passa à nossa frente e diz: DEIXA COMIGO! E a gente deixa, e respira aliviada. A gente se sente amparada…
Homens são tão poucos, tão escassos… Mas os que o são, merecem o meu reconhecimento, o meu deslumbramento, o meu agradecimento e o suspiro de minh´alma no calor do meu abraço.

(Texto de Marluci Brasil ___ respeite os direitos autorais)

 
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Publicado por em 15 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Fôlego


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Não sei precisar que mês era, que dia. A memória já começa a me trair de forma constrangedora, mas é engraçado como as palavras vão brotando pelos meus dedos, e eu as escrevo, uma a uma e a lembrança vai descortinando o fato adormecido no travesseiro do passado.

Eu devia ter mais ou menos 13 anos de idade, estávamos discutindo na sala da casa de vovó Lucinda, eu e minha prima Luciana. Não me lembro o porquê, só sei que discutíamos. Luciana tentava argumentar e eu alterada falava sem parar e batia o pé no chão (cheia de birra).

Vovó veio até nós duas enxugando as mãos no avental quadriculado. Me pegou pela mão e me olhou profundamente. Minha prima entendeu o recado e foi para os fundos. Vovó apontou a cadeira para mim e eu me sentei obedientemente.

_ Tome fôlego antes de falar. __ ela me disse.

Fiquei sem chão. Eu esperava um interrogatório a respeito do porquê discutíamos eu e minha prima.

E ela continuou:

__ Tome fôlego para aprender a ser mais paciente. Sua prima é mais criança que você e você tem que ser paciente com ela.

_ Mas vó… (tentei argumentar)

_ Não me interrompa! Aprenda a ouvir.

E ela tomou o fôlego que eu precisava ter tomado.

_ Respire, e só fale depois que a pessoa que estiver falando com você acabar de falar. Só assim você vai entender o que ela falou. Enquanto você ouvir a voz dela misturada com a sua, o seu pensamento vai ficar confuso. É assim que nascem os mal-entendidos que acabam em confusão. No inicio você vai achar que demora muito tempo, mas aos poucos você vai notando a diferença, você vai ganhando respeito de quem tá falando com você. Saber ouvir é muito bom. Evita males maiores.

Nesse momento minha respiração já estava menos ofegante… Alguns segundos (quase minuto) eu ouvindo minha vozinha e eu já me sentia menos mal… Ah!!!! Ela sempre me fazia tão bem!!!!!!

_ Observe as pessoas calmas ao seu redor, Marluci. Presta atenção nelas. Elas esperam a vez para falar. Isso não é covardia, é sabedoria. Se você ficar falando “hum rum”, “eu sei, mas”, você só vai estar apressando a pessoa pra terminar logo o que ela está falando e vai estar atrapalhando ela falar o que ela acredita que é importante falar. Fica quieta, olhe ela nos olhos e ouça. Não se preocupe que a sua vez de falar vai chegar. Dialogo, conversa de gente educada é assim.

Não consegui conter a emoção e abracei vovó pela cintura. Comecei a chorar. O cheiro de alho misturado com cebola, entrou pelas minhas narinas e agora, neste exato momento em que escrevo esta memória, está em todos os meus sentidos… eu sinto o cheiro dela.

 
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Publicado por em 11 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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