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Arquivo da categoria: MEUS ESCRITOS

MINHA FORMA DE PENSAR E DE SENTIR

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Publicado por em 18 de agosto de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

RESPONSABILIDADE PESSOAL


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Quando algo não dá certo (segundo nossas expectativas) muitos de nós costumamos colocar a culpa em outras pessoas e quase nunca em nós mesmos.
O caro não funciona? Foi o mecânico que não fez um bom serviço.
Eu não fui compreendida corretamente? Foi você que não prestou atenção.
E por ai vai…
Esse tipo de pensamento acusador tornou-se extremamente comum em nossa cultura. Se formos colocar isso a nível pessoal, esse raciocínio vai nos levar a crer que nunca somos completamente responsáveis pelas nossas próprias ações, problemas e felicidades.
Quando temos o hábito de culpar aos outros, todas as nossas raivas, frustrações, depressões, stress e infelicidade são culpas das pessoas que nos cercam.
Não estou falando que quem nos cercam nunca tenham nada a ver com nossos problemas, Mas sempre?
Lembro uma frase de minha avó Lucinda: MARLUCI, O ACASO NÃO FAZ A PESSOA, APENAS REVELA QUEM ELA É.
Culpar aos outros desprende enorme quantidade de energia, gera stress e doenças.
Culpar faz com que tenhamos sentimento de fraqueza diante nossa própria existência, porque nossa felicidade passa a ser dependente das ações e comportamentos dos outros.
Quando paramos de culpar os outros, recuperamos o nosso senso de força pessoal.

 
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Publicado por em 12 de agosto de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Incrustada


Existem momentos em que o silencio é música para meus ouvidos.
Ouvir as folhas das árvores denunciando a presença do vento.
Ouvir a janela do quarto se balançando se batendo e dizendo :
__ Sim acredite! O vento está la fora, as folhas não mentem!
Sentir a pele arrepiando de frio mesmo estando em contato com a lã que cobre meus braços e esse incêndio interno contrapondo a tudo… é no minimo um contraponto do qual não me desapego.

 
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Publicado por em 6 de agosto de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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primeiro-passo-200x177 Minha escola (GENIC) estava na final dos jogos estudantis da cidade. E o jogo de volleyball ia ser na nossa quadra, estávamos fazendo bandeirinha, chocalhos, afinando os instrumentos da fanfarra. Todas as meninas se concentravam em Susan Meire, Biluca e Mariângela. Todas as meninas queriam ser uma delas (inclusive eu). Elas eram as melhores jogadoras de vôlei da cidade e Susan, a mais bonita e cobiçada de todas.
Su (como eu a chamava) era atenciosa com todos que chegavam perto dela, mas naquele dia estava diferente, concentrada, quieta… Eu a vi sentada no batente da gruta de Nossa Senhora, entre as folhagens e a arvore de jasmim que fazia uma sombra cheirosa. Fui lá falar com ela.
__ Você está bem? __ Perguntei.
__ Não __ ela respondeu, levantou-se e foi sentar em outro lugar me deixando sozinha sem entender o que tinha acontecido.
Perdemos a final. Susan jogou mal, cortava na rede, demorava para fazer o bloqueio, errava os saques… Teve até vaia … Ninguém entendia o que estava acontecendo com ela.
Quando o jogo terminou, fui como sempre para a casa de vovó Lucinda. E já cheguei procurando por ela:
__ Vó! Vó! Cadê você?
__ No quartinho rezando __ me respondeu Dirce que lavava as louças na cozinha.
Fui até ela. Entrei e me sentei no banquinho de madeira que tinha no seu quartinho de orações enquanto ela de joelhos recitava a novena de MENINO JESUS DE PRAGA. Como sempre ela pedia por tio Eca, para que ele parasse de beber e cuidasse da saúde.
Quando ela terminou sua novena levantou-se do chão e sentou ao meu lado.
__ O que aconteceu? __ me perguntou.
Contei para ela, com a garganta apertada, meio querendo chorar. (Eu sempre chorava perto de vovó, a presença dela me emocionava).
_ Olha _ me disse ela_ não é sempre que estamos bem, as vezes acontece coisas com a gente, que a gente não quer contar para ninguém. São problemas pessoais. Sua amiga queria resolver os problemas dela, deixa ela sozinha. Quando ficamos sozinhos a gente consegue ouvir a voz do nosso coração. Se você não fez nada para ela ficar zangada com você, então tá tudo bem.
_ Não fiz, vó! Apressei-me a dizer.
__ Então ótimo. Não sofra por isso.
__ Mas vovó ela não quer nem ficar perto de mim, será que fizeram fofoca de mim pra ela?
__ Quem faria isso?
__ As meninas que não gostam de mim.
_ Mas ela não é sua amiga?
__ É sim
__ Marluci, você, eu to vendo que é amiga dela, mas eu perguntei se ela é sua amiga. Se ela já te deu provas de amizade sincera.
_ Já vovó.
_ Então aguarde. Fica tranquila. Reza para o anjo de guarda dela e para o seu anjo de guarda, os dois anjos se entendem e aproximam vocês.
_ Mas vovó…
Ela sorriu e me deu um cascudo carinhoso.
__ Olha se isso está te deixando tão incomodada, vá falar com ela, agora que ela perdeu o jogo deve estar mais frágil ainda. Deve estar precisando de uma amiga.
_ Mas eu tentei e não adiantou nada
_ Tenta de novo.
_ Eu não!!! E se ela me tratar de novo daquele jeito?
_ Você acha que ela faria isso?
_ Não sei…
_Se você não sabe então dê o primeiro passo para saber o que está acontecendo com sua amiga.
_ Dar o primeiro passo não vai adiantar nada, ela não vai falar comigo __ respondi com pessimismo e dor adolescente.
_ Engano seu. O primeiro passo é sempre o Primeiro Passo. Ele é muito importante, Ele pode até não te levar a lugar nenhum, mas ele te tira do lugar onde você estava.
Olhei para ela… De onde ela tirava aquela sabedoria toda?
Fui para casa e no caminho passei na casa de Susan, dei o primeiro passo, o segundo, o terceiro ajudei minha amiga no que a estava atormentando e nossa amizade se firmou ainda mais.

 
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Publicado por em 17 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Homens


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Homem é tudo de bom!
Homem é companheiro, é parceiro!
Homem protege e as vezes se deixa “ser protegido” só para dar à mulher o “gostinho” de estar fazendo algo de bom para o ser amado.
Homens são cocriadores do maior tesouro da vida de uma mulher: seus filhos.
Homens nos encantam sem precisar de carro do ano, de maço de notas, de roncos de carros e motos, de músculos bombados…
Homens nos encantam com o olhar, com o carinho, com o respeito, com o companheirismo, com a palavra certa no momento certo.
Homens nos tornam cativas quando nos pegam e nos recriam em seu abraço e nos olham dentro dos olhos desvendando nossa alma.
Homens nos conduzem a orgasmos físicos e mentais quando nos tocam em partes genitais ou na ponta dos dedos…
Homens degustam nossos dotes culinários, físicos, criativos, artísticos, nossa capacidade e nossa inteligência …
Homens são sensíveis e rústicos quando é preciso que seja, e não há necessidade de que nós os lembremos de que isso é o que achamos que deve ser e quando deve ser, ele percebe e pronto: o é!
Homens não tem mãos que agridem nem bocas que denigrem e ofendem.
Homens tem mãos que acariciam e bocas que nos saciam a necessidade de beijos e palavras de amor.
Homens são maravilhosos. São esteio, são recheios, são coberturas…
Homens quando percebem nossa fragilidade passa à nossa frente e diz: DEIXA COMIGO! E a gente deixa, e respira aliviada. A gente se sente amparada…
Homens são tão poucos, tão escassos… Mas os que o são, merecem o meu reconhecimento, o meu deslumbramento, o meu agradecimento e o suspiro de minh´alma no calor do meu abraço.

(Texto de Marluci Brasil ___ respeite os direitos autorais)

 
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Publicado por em 15 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Fôlego


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Não sei precisar que mês era, que dia. A memória já começa a me trair de forma constrangedora, mas é engraçado como as palavras vão brotando pelos meus dedos, e eu as escrevo, uma a uma e a lembrança vai descortinando o fato adormecido no travesseiro do passado.

Eu devia ter mais ou menos 13 anos de idade, estávamos discutindo na sala da casa de vovó Lucinda, eu e minha prima Luciana. Não me lembro o porquê, só sei que discutíamos. Luciana tentava argumentar e eu alterada falava sem parar e batia o pé no chão (cheia de birra).

Vovó veio até nós duas enxugando as mãos no avental quadriculado. Me pegou pela mão e me olhou profundamente. Minha prima entendeu o recado e foi para os fundos. Vovó apontou a cadeira para mim e eu me sentei obedientemente.

_ Tome fôlego antes de falar. __ ela me disse.

Fiquei sem chão. Eu esperava um interrogatório a respeito do porquê discutíamos eu e minha prima.

E ela continuou:

__ Tome fôlego para aprender a ser mais paciente. Sua prima é mais criança que você e você tem que ser paciente com ela.

_ Mas vó… (tentei argumentar)

_ Não me interrompa! Aprenda a ouvir.

E ela tomou o fôlego que eu precisava ter tomado.

_ Respire, e só fale depois que a pessoa que estiver falando com você acabar de falar. Só assim você vai entender o que ela falou. Enquanto você ouvir a voz dela misturada com a sua, o seu pensamento vai ficar confuso. É assim que nascem os mal-entendidos que acabam em confusão. No inicio você vai achar que demora muito tempo, mas aos poucos você vai notando a diferença, você vai ganhando respeito de quem tá falando com você. Saber ouvir é muito bom. Evita males maiores.

Nesse momento minha respiração já estava menos ofegante… Alguns segundos (quase minuto) eu ouvindo minha vozinha e eu já me sentia menos mal… Ah!!!! Ela sempre me fazia tão bem!!!!!!

_ Observe as pessoas calmas ao seu redor, Marluci. Presta atenção nelas. Elas esperam a vez para falar. Isso não é covardia, é sabedoria. Se você ficar falando “hum rum”, “eu sei, mas”, você só vai estar apressando a pessoa pra terminar logo o que ela está falando e vai estar atrapalhando ela falar o que ela acredita que é importante falar. Fica quieta, olhe ela nos olhos e ouça. Não se preocupe que a sua vez de falar vai chegar. Dialogo, conversa de gente educada é assim.

Não consegui conter a emoção e abracei vovó pela cintura. Comecei a chorar. O cheiro de alho misturado com cebola, entrou pelas minhas narinas e agora, neste exato momento em que escrevo esta memória, está em todos os meus sentidos… eu sinto o cheiro dela.

 
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Publicado por em 11 de julho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Bem-me-quer mal-me-quer


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Minha irmã estava apaixonada, o nome dele era Tadeu, não sei o que foi feito de Tadeu, nunca mais ouvi falar dele, só do irmão menor, o Edes, que acabou se casando com uma amiga de minha irmã, a Vânia.
Marcia vivia com os olhos perdidos no espaço, suspirando pelos cantos da casa e eu sabia: era por conta do Tadeu.
Comprou um caderno, vivia escrevendo escondida, as vezes chorando, as vezes com um sorriso preso nos lábios…
Eu precisava conversar com alguém sobre o que estava acontecendo com minha irmã.
Entrei na casa de vovó Lucinda com uma margarida na mão (peguei de um jardim no caminho que fiz até a casa dela).
_ Bem-me-quer, mal-me-quer. Bem-me-quer, mal-me-quer.
Ouvi vovó falando lá da cozinha (ela sempre estava ou no tanque de roupas para lavar, ou na cozinha) __ Vai dar mal-me-quer.
… E deu
_ Como a senhora sabia que ia dar “mal-me-quer “, vó?
_ Porque quem quer bem, não maltrata nem uma flor.
Senti um nó no peito e uma vontade incontrolável de chorar.
A culpa me prendeu ao chão. Não fui capaz de mover um passo. Ela percebeu o efeito de suas palavras em mim e veio ao meu encontro enxugando as mãos no vestido preto de bolinhas brancas…
Me pegou pelas mãos e levou-meu até o banco comprido de madeira que ficava nos dois lados da mesa da família.
_ Marluci, a flor é uma criatura de Deus. Tem vida. Deus deu a vida pra ela, não podemos tirar a vida nem de uma flor. Não podemos arrancar a florzinha do seio de família dela, que mora no jardim.
Comecei a chorar…
Limpou-me as lágrimas e continuou: __Não chore, você fez sem saber. Mas agora você já sabe. Se você quer dar uma flor para alguém, então dá uma flor brotinho e peça para a pessoa cuidar com amor, assim quem cuida vai estar cuidando da vida, vai estar lembrando do gesto de amor. Temos que ter cuidado quando queremos demonstrar amor. Quem não pensa com o coração corre o risco de demonstrar dor achando que está demonstrando amor. Entendeu?
__ Sim vó.
Ela voltou para a cozinha.
_ Você fica para o almoço? Vou fazer macarrão com molho de almondegas.
(Ah!!!! O macarrão com almondegas da vovó… Nunca mais comi igual)
_ Oba vó. Eu quero sim.
Continuei sentada no banco olhando ela fazer as bolinhas de carne moída com as mãos.
_ Vó.
_ Sim…
_Marcia, tá estranha.
Ela parou e me olhou com uma interrogação no olhar.
_ Acho que ela tá apaixonada
Ela riu e deixou cair uma bolinha de carne no chão (Mixe _ o gato _ pegou em questão de segundos)
_ Isso é bom.
_ Por que?
_ Porque ela está experimentando uma nova forma de sentir amor.
_ Mas ela não fala comigo.
Ela jogou um pano de prato em cima da vasilha com as almondegas para mosca e o Mixe não atacarem a carne e veio ela em minha direção novamente; sentou-se ao meu lado:
_ Amar é simples e é complicado ao mesmo tempo. Não são todas as pessoas que conseguem amar. Para amar é preciso entender o amor. É preciso tomar decisões, é preciso renunciar, é preciso aprender a ler o olhar, é preciso saber perdoar, é preciso recomeçar todo dia… E isso a gente aprende sozinha. A gente ensina pra gente. Dá tempo pra sua irmã. Ela está aprendendo a ser mulher de verdade e você um dia também vai aprender.
Olhei para ela. Ela olhou para mim… Segundos eternos se passaram naquela troca de olhar e ela continuou.
_ O segredo é não procurar o amor… Nunca tente encontrar o amor. Tenha paciência. Espere. Ele que tem que encontrar você. Quando saímos procurando o amor encontramos muita coisa que não é amor fingindo que é, e ai você sofre.
(Vó, não segui seu conselho… Procurei… Sofri…)
OBS: quando terminei de escrever esta lembrança veio uma frase em minha mente (com o tom da voz dela) _ Não desista! Espere!
 
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Publicado por em 12 de junho de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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