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Arquivo da tag: CRÔNICA

Quando minha pena resolve deitar os meus pensamentos no papel….

Conversando com Nossa Senhora no meu colo


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Vem cá Mãezinha…

Não, não se sente nem pense que vou colocar minha cabeça em teu colo para chorar as minhas dores nem meus medos.

Hoje só quero colocar a SUA cabeça em meu colo e acariciar os seus cabelos e falar com a Senhora.

Isso… Deite-se na relva. Coloque sua cabeça aqui …

Sabia que seus olhos são lindos? Eles tem uma serenidade e uma luz que penetram na alma da gente…  Isso, melhor ficar de olhos fechados… Assim a Senhora não me deixa flutuando só de te olhar e eu posso falar com a voz do coração.

Que sorriso lindo, mãezinha!!!! Engraçado como mesmo de olhos fechados e com esse sorriso calmo nos lábios a Senhora consegue entrar dentro de mim.

Posso afagar seus cabelos enquanto te conto o que a Senhora já sabe? Posso? Ahhhh! Gratidão!!!! Assim é mais fácil pra mim. Assim eu consigo falar mais à vontade, foi assim que conversei com meus filhos quando queria que eles me ouvissem…

Mãezinha, suponho que a Senhora tenha conversado com Jesus a meu respeito. Suponho que a Senhora tenha pedido a ele por mim. Ele mandou uns anjos pra me ajudar. Gratidão, viu? A Senhora foi maravilhosa!

Escuta, fiquei sabendo que São Pedro chamou Jesus para uma conversa. Me contaram que São Pedro estava zangado porque ele é o responsável pela “portaria” do céu, mas que notou estranhos no paraíso, almas que não tinham passado por ele na portaria e então ele resolveu investigar… Foi quando ele viu a Senhora numa “porta secreta” recolhendo almas perdidas, sofridas, arrependidas, doentes e que os anjos que são seus amigos abraçavam cada alma recolhida pela Senhora e sumiam entre as nuvens do céu. Então disseram que quando São Pedro contou para seu filho Jesus, ele deu um sorriso, balançou a cabeça com ternura e disse: _ COISAS DE MINHA MÃE. NÃO ATRAPALHE O TRABALHO DELA. ELA SABE O QUE FAZ. EU VOU DIZER SIM MESMO… sorriu e saiu entre anjos, arcanjos e raios de luz.

A Senhora sabia disso, mãezinha?

Ah?… Não ouvi. Fala mais alto .

__ MEU FILHO ENTREGOU A CHAVE DA “PORTA SECRETA” PARA MIM…

( texto de Marluci Brasil __ Respeite os DIREITOS AUTORAIS)

 
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Publicado por em 7 de fevereiro de 2020 em MEUS ESCRITOS

 

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CONTÁGIO GENÉTICO


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 Tudo começou com um SURTO (genético). De forma isolada, a obsessão pelo poder, pela perseguição, a não aceitação de opiniões contrárias, o próprio umbigo como o centro da atenção de todos (e se assim não o fosse , seria intolerável), uma paixão secreta por líderes (e por um partido político brasileiro em especial, ainda não reconhecido como PAIXÃO) propagou-se pelos genes e logo apareceu um aumento inesperados no número de casos que surtou os descendentes de forma completa e inquestionável.

Não sabiam falar nada nem fazer nada que não fosse relacionado àquela paixão contida no peito. Camuflada. Espremida. Reprimida.

Uma paixão que extravasou em “aquartelamento” e sorrateiramente tomou características ENDÊMICAS.

Pelotões inteiros, sob visão física “uniforme” passaram a compartilhar muito mais do que cortes de cabelo, marcha, corpos humanos ou até mesmo adereços ilustrativos (armas, tanques, insígnias, patentes…) foram surgindo aqui, ali e acolá…

Nem se percebeu o momento em que o SURTO posteriormente tornou-se uma ENDEMIA, assumiu proporções inimagináveis, e do lar familiar, passado para o aquartelamento, ganhou municípios, estados e assolou EPIDEMICAMENTE um país de proporções continentais.

A ferocidade no olhar, na fala, nas ações, no discurso, tornou-se um filme de terror.

Mais assustador que SEXTA-FEIRA 13.

 
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Publicado por em 3 de janeiro de 2020 em MEUS ESCRITOS

 

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A MINHA OPINIÃO SOBRE A DECORAÇÃO DE NATAL EM CORUMBÁ/MS


Hoje recebi várias mensagens pelo aplicativo do whatsapp  e mesmo por aqui ( no facebook) reclamações de meus conterrâneos sobre a decoração de Natal em minha cidade Corumbá. E teve até quem me cobrasse:

__ Você deixou de ser corumbaense? Esqueceu da gente? Não vai falar nada sobre nossa cidade?

“Sai pela tangente” como diria minha avó Lucinda… Me fiz de desentendida… Amorteci a conversa com o silêncio após as cobranças que recebi.

Agora, em meu quarto, em repouso pós-operatório e ouvindo meus filhos e netas preparando a Ceia de Natal na cozinha, pensei melhor…

O QUE EU POSSO DIZER? Não estou na minha terra. Não sei os motivos. Desconheço os entraves. Posso supor as limitações, mas não posso garantir nada… Falar o que? Atacar o executivo? Por que eu? Não vou falar do que não sei, não vou falar nem vou embarcar em jogo político. Não vou militar em causa alheia, embora a minha cidade não seja “causa alheia”.Vou falar do que admiro na cidade morena (onde moro com minha família), talvez a minha história que vou contar inspire as ações futuras de meus conterrâneos…

A história que quero contar aconteceu em uma passagem minha pela principal avenida de Campo Grande, a avenida Afonso Pena quando algo chamou minha atenção: escoras de madeira sustentavam uma velha árvore.

Resolvi parar o carro e fotografar a visão. Quantas vezes eu já passei por “esses cuidados” e nunca os percebi dessa forma?

CUIDADO

Lembrei de minha avó Lucinda.

__ Marluci, se você quer conhecer uma pessoa olhe a casa dela. Preste atenção em tudo. Se ela deixa a casa suja e caindo aos pedaços ela não ama a família que tem. Se ela não tem verde, se não tem plantas é uma pessoa amarga, rude, sem raízes, muda sempre e quando muda leva consigo só o que plantou na vida: amargura, egoísmo, insatisfações. Se ela tem plantas e não cuida, não apara, não rega e permite que o mato cresça é uma pessoa acomodada, que acha que tudo tem que ser resolvido por Deus e por outras pessoas; ela sempre se julga o centro das atenções e aparenta ser o que não é. Se tem o verde e cuida, mesmo pagando alguém pra cuidar pra ela, essa pessoa se ama, ama sua família, ama a vida, ama os amigos, tem esperança e é de Deus! Sim de Deus! Porque respeita a primeira criação divina a Natureza. Essa é uma pessoa que vale a pena você ter como amiga, porque ela vai te fazer o bem e vai te ensinar muita coisa boa na vida.

Acho que a população de Corumbá tem que pensar muito nas próximas eleições para prefeito e vereadores. Tem que andar pela cidade, num passeio descompromissado, observar o que foi conservado, o que foi valorizado, o que foi cuidado, o que foi renovado, o que foi implantado… Deve puxar pela memória e relacionar os nomes colocados para a disputa do pleito e o que foi observado…

Não pode ter partidarismo. Não pode ter ódio político. Não pode ter mimimi.

Tem que ter RETORNO. O voto do corumbaense tem que ter RETORNO!!! E TEM QUE TER RETORNO POSITIVO para a cidade e para os habitantes para que não tenhamos tantas reclamações…

O  voto do povo corumbaense tem que ter a mensagem:ESTAMOS CUIDANDO de nossa cidade, de nossa história,  de nossas tradições, de nosso povo (como a foto das madeiras escorando a velha arvore no canteiro da Afonso Pena tem). Votar por votar, votar por favor, votar por pedido de outrem, votar por obrigação, não nos dá o direito de reclamar nada.

Votem com o olhar de amor pela nossa terra. Só assim não teremos do que reclamar…

O LAMENTAR pode ainda acontecer, mas LAMENTAR é diferente de reclamar.

Reclama quem clama pela segunda, terceira,quarta vez o clamor que emitiu para a pessoa errada… E se fez isso o ERRO é de quem CLAMOU.

Lamenta quem acreditou, quem teve fé, quem confiou e que apesar da dor de ter feito uma escolha equivocada, está pronto(a) para tentar novamente.

Esqueçamos a decoração natalina desfocada… Vivamos o espírito do NATAL. E que nasça em cada um dos corumbaenses uma nova esperança de acertar na hora do voto nas próximas eleições.

Está feito.

 

 
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Publicado por em 24 de dezembro de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Diagnóstico emocional


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Um hóspede invasivo é perturbador. Especialmente quando não fica claro para o hospedeiro qual a sua real função na hospedaria…

A que veio? Quando se instalou? Por que escolheu a hospedaria?

Li em algum lugar que o CÂNCER é criatura, não é criador. O criador é o hospedeiro.

Resolvi fazer uma faxina em minhas emoções (nas boas e nas más).

Mágoas favorecem o “acordar” das células cancerosas presentes em todos os seres vivos…

O que me magoou? Por que me magoou? Quanto me magoou? O que eu esperava que não aconteceu como eu esperava e que por isso eu remoí, revivi, refluxei tantas e tantas e vezes que  acordei as células adormecidas?

(Espero que você que está me lendo nesse momento, se faça essa pergunta, antes de “acordar” as suas células adormecidas)

Eu me perguntei muito em minha faxina sentimental, e descobri que as pessoas que mais amei na vida foram as que mais me magoaram…

Percebi que a mágoa é criação minha, porque quando você ama alguém incondicionalmente você automaticamente ACREDITA que aquela pessoa JAMAIS vai lhe virar as costas, humilhar, desprezar, abandonar… E quando ela o faz, a mágoa nos assalta de uma forma tão arrebatadora que cada vez que é lembrada, a dita volta de forma mais dolorida e transborda pelos nossos olhos, entrecorta nossa voz, gela as extremidades de nossos corpos, acelera nosso coração … Independentemente do tempo, reacende nosso sofrimento.

Descobri que quem sente mágoa, não sabe perdoar. Entendi o VALOR DO PERDÃO.

Descobri que EU MESMA ABRI AS PORTAS DE MEU CORAÇÃO PARA A MÁGOA e ela, empoderada, acordou as células cancerosas adormecidas.

A magoa dói no coração. Talvez por isso o meu “hospede” tenha escolhido o lado esquerdo de meus seios para se abrigar em meu peito. E ele chegou quieto… Toda mágoa é quieta… Ela cala a nossa voz com o abacaxi espinhento que coloca em nossa garganta e que a gente não consegue engolir.

Lembro-me de que nos momentos de mágoa, surgiram manchas roxas pelo meu corpo, como se fossem hematomas, como se eu tivesse apanhado, levado uma surra mesmo… Meu corpo doía…

Hoje, eu tento não despertar as outras células adormecidas. Faço a oração do perdão DIARIAMENTE!

Meu amado… Minha amada … Eu peço perdão por esperar que vocês agissem como EU queria que vocês agissem comigo. Nesse meu querer egoísta, eu não respeitei a individualidade, o livre-arbítrio, o direito de vocês agirem conforme as suas consciências. Peço perdão pelos meus erros e perdoo os erros de vocês para comigo. Trago as memórias negativas adormecidas em meus sentimentos e livro-as do sentimento de mágoa e dor. Vocês estão livres de qualquer obrigação para comigo. Sou grata por terem feito parte de minha vida e me ensinado tanto sobre ela… Sinto muito por compartilhar com vocês esses sentimentos de perda, de dor, de derrota, de desamor. Perdão por ter sido egoísta em meus sentimentos, não entendendo os sentimentos de vocês. Eu amo vocês e sempre amarei. Sou e serei eternamente grata por cada momento vivido tendo ao meu lado as suas presenças. Sinto Muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grata!!!!

Hoje olho meu seio tatuado pela cicatriz que o despejo de meu “hospede invasivo” deixo, e percebo que o vazio é um “preenche-dor” de espaços.

 
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Publicado por em 23 de dezembro de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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A lição do Rio


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Uma semana pensando em vovó Lucinda…

Uma semana me perguntando o que ela me diria sobre o momento que estou passando…

A lembrança de menina, encolhida diante da realidade assustadora mas que “assustadoramente” não me parece fatalidade, ou decreto, ou castigo, ou algo REALMENTE GRAVE, adormece feito feto …

Forço a memória, ela está entorpecida, sonolenta…

Não consigo… Deito-me em minha cama, jogo “paciência” no celular e espero o sono chegar… Nem percebi quando fechei os olhos.

Sentada na poltrona ao lado de minha cama, observo meu corpo adormecido…

_ “Estou dormindo”_ pensei…

Senti a mão passando pelos meus cabelos, olhei para o lado e para cima. Uma especie de portal de luz se fazia junto ao bico-de-lampada no teto de meu quarto.

Vovó Lucinda estava em pé ao meu lado, acariciando meus cabelos…

_ Eles vão cair vó?

_ Se cair, outros nascerão! __ e sorriu para mim.

_ E meu peito?

_ Ele já cumpriu sua missão, te fez mulher, te fez mãe, até serviu de proteção para seu coração contra as pancadas que a vida dá na gente.

Olhei para meu corpo adormecido… Olhei para ela…

_ Vão me entubar de novo vó?

_ Você não vai nem ver, nem sentir.

E continuava me acariciando os cabelos.

_ Vou morrer vó?

Segurou meu rosto com as mãos, levantou meu queixo…  Senti o cheiro de tempero caseiro em suas mãos. Senti a pele fina dos seus dedos…

_ A vida é um rio, tem nascente e morre numa coisa maior, o mar. Lá ele se junta com outras vidas, formam a vida universal, evaporam e caem feito chuva, alimentam a cabeceira da nascente e se tornam rio novamente e tudo se repete… Sabe porque o rio nasce, nasce e nasce e nasce?

Olhei pra ela embevecida… Lá vinha um novo ensinamento.

Meu corpo se mexeu na cama ao meu lado; desviei o olhar para ele e ela me pegou pelo queixo novamente me forçando a olhar nos seus olhos miúdos com um brilho diferente do que eu me lembrava…

Continuou__ Porque ele aprende a lidar com as pedras que surgem pelo seu caminho. Ele contorna. Ele alisa as pedras ásperas a cada vida nova, ele acaba diminuindo aquilo que está lá, duro como pedra, porque É PEDRA (frisou a entonação da voz) e ele segue seu caminho.

_ As pedras são as provações né vó?

Ela assentiu com a cabeça e continuou.

_ Se tem um baque, um susto, uma dor muito forte ele salta, ele cai…. Uma coisa que joga o rio para baixo entende? Ele desce com força, ele corre, ele vira cachoeira se for preciso, mas ele continua seu caminho; depois do perigo da queda passada ele se acalma… fica lisinho… sai alimentando de vida aquilo que está nas margens… até encontrar o mar…

_ Mas Vó, tem rio que não encontra o mar.

_ Esses, vão por baixo da terra… cavam a sua cova e no fim… acabam no mar também.

Como ela podia pensar isso tudo? Como ela podia ter uma visão dessa? Com quem ela aprendeu essas comparações? Ela não tinha estudo… Lembro dela desenhando vagarosamente seu nome… Em que escola vovó Lucinda estudou?

Ela passou a mão em meus cabelos e completou.

_ Preciso voltar para minha dimensão Marluci. Volte você também. Não se afaste de seu corpo. Respeite seu tempo de vida. Não vou sair daqui enquanto você não voltar.

Olhei para meu corpo adormecido, eu estava pálida… minha respiração parecia não existir… fechei os olhos, suspirei fundo… quando abri novamente senti um torpor… o quarto estava escuro e vovó não estava mais ali… Olhei para a cadeira-poltrona vazia ao lado de minha cama… O cheiro de tempero caseiro ainda estava no ar…

_ Obrigada Senhor!!!! Gratidão eterna!!! Sua benção vovó!

Ouvi a resposta.

_ Deus te abençoe!

 
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Publicado por em 29 de novembro de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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RESPONSABILIDADE PESSOAL


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Quando algo não dá certo (segundo nossas expectativas) muitos de nós costumamos colocar a culpa em outras pessoas e quase nunca em nós mesmos.
O caro não funciona? Foi o mecânico que não fez um bom serviço.
Eu não fui compreendida corretamente? Foi você que não prestou atenção.
E por ai vai…
Esse tipo de pensamento acusador tornou-se extremamente comum em nossa cultura. Se formos colocar isso a nível pessoal, esse raciocínio vai nos levar a crer que nunca somos completamente responsáveis pelas nossas próprias ações, problemas e felicidades.
Quando temos o hábito de culpar aos outros, todas as nossas raivas, frustrações, depressões, stress e infelicidade são culpas das pessoas que nos cercam.
Não estou falando que quem nos cercam nunca tenham nada a ver com nossos problemas, Mas sempre?
Lembro uma frase de minha avó Lucinda: MARLUCI, O ACASO NÃO FAZ A PESSOA, APENAS REVELA QUEM ELA É.
Culpar aos outros desprende enorme quantidade de energia, gera stress e doenças.
Culpar faz com que tenhamos sentimento de fraqueza diante nossa própria existência, porque nossa felicidade passa a ser dependente das ações e comportamentos dos outros.
Quando paramos de culpar os outros, recuperamos o nosso senso de força pessoal.

 
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Publicado por em 12 de agosto de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Lendo o futuro


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Era uma tarde de domingo, eu e minha irmã fomos (escondidas de mamãe) com nossas primas ler a sorte numa cartomante.
Quando voltamos para casa encontramos toda fechada e com um bilhete dobradinho no batente: ESTOU NA CASA DE MAMÃE.
Mais ou menos umas 15 quadras nos separavam da casa de vovó Lucinda, mas fomos para lá encontrar com nossa mão.
Assim que entramos veio a pergunta:
__ Onde vocês estavam?
Respondemos ao mesmo tempo e com respostas diferentes:
_ Na casa de tia Rudy.
_ Na casa de tia Téia.
Mamãe olhou para nós duas… E vinha bronca:
_ É melhor falar a verdade. Diga você, Marcia, e fale olhando pra mim. (mamãe sempre acreditou mais nela do que em mim)
_ Fomos ler sorte nas cartas na cartomante da rua américa com Arany.
Mamãe demonstrou todo o seu aborrecimento com nossa mentira e com nosso feito em pelo menos uma meia hora de bronca.
E finalizou: _ Já falei: O FUTURO A DEUS PERTENCE.
Enquanto ela dava a bronca, minha irmã ouvia de cabeça baixa, mas eu olhava para vovó Lucinda, acompanhando as expressões faciais dela, só assim eu podia ter certeza se o que mamãe falava era correto ou não.
Minha irmã, como sempre chorava na hora da bronca, e foi chorar na sala, mamãe saiu em direção a ela, vovó voltou para a cozinha e eu fui sentar junto à mesa enorme, no cantinho do banco de madeira, bem à frente da porta da cozinha para observar vovó.
E ela olhou para mim enquanto assoprava o fogo do fogão de lenha e começou a minha aula de vida sem que eu pedisse…
_ Sabe de uma coisa Marluci? Se você quer ser um Noé da vida, tem que se preparar para isso.
_ Quem é Noé, vó?
_ Foi o homem que Deus escolheu para recomeçar a vida na Terra.
_ Igual Adão?
_ Não. A responsabilidade de Noé foi maior. Ele tinha que recomeçar tudo. Com animais e plantas também…
E me contou toda a história de Noé enquanto preparava o feijão, que com seu cheiro provocava um verdadeiro alagamento em minha boca.
Eu bebia cada palavra dela como se fosse a única água que me matasse a sede.
_ Deus avisou Noé, e ele acreditou. Por isso ele se salvou. Deus falou o iria acontecer e aconteceu. Hoje tem a previsão do tempo não tem? Então Noé foi a primeira pessoa que acreditou na previsão do tempo. Então se é bíblico prever o que vai acontecer, não pode ser pecado. O problema é acreditar em quem está prevendo. No caso de Noé era Deus. Entendeu?
Afirmei que sim com o movimento da cabeça.
E ela continuou:
_ Tudo o que você precisa saber sobre o futuro é que amanhã quando o sol nascer teremos o dia e quando ele se pôr, a lua e as estrelas chegam e nós teremos a noite. O que você vai fazer com essa informação depende de você e não de quem te falar isso, entendeu?
_ Entendi vó.
_ E presta atenção, quem lê esse futuro para nós é Deus. E ele lê todos os dias…
Levantei para atender mamãe que já me chamava para ir para casa, mas ainda pude ouvir ela falando
__ E não se esqueça, se você se perder um dia e precisar ser resgatada, o resgate de Deus é o único que nunca chega tarde demais.
Parei, olhei para traz e pude vê-la soprando a palma da mão para provar o sal do feijão.

 
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Publicado por em 8 de maio de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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Fuja!


Certa vez entrei esbaforida na casa de vovó Lucinda. O homem do saco ( um louco que andava pelas ruas de minha cidade carregando um saco de estopa nos ombros) vinha em minha direção m na mesma calçada que eu.

Todas as crianças da época tinham medo do “homem do saco”. Ele era louco e roubava criancinhas, colocava no saco e entrava no pantanal para alimentar os jacarés que eram seus bichos de estimação.; e tem mais, ele só gostava de pegar crianças arteiras, briguentas, desobedientes, teimosas e choronas. Eu nunca fui chorona mas… E eu tinha muito medo dele.

Vovó estava servindo o café do bule no copo de tio Carlinhos.

_ O que foi Marluci? _ perguntou meu tio

_ O homem do saco _ respondi com a respiração entrecortada_ vinha em minha direção.

Meu tio riu muito e ainda brincou comigo.

_ Ele ia te pegar, com certeza. Você é briguenta, é danada… Por que você não ficou para enfrentar ele já que você é tão briguenta, tão “maluda”.

_ Por que ele é maior que eu _ respondi prontamente.

_ Fala a verdade , você se acovardou. _ disse ele, com um sorriso provocador.

Cerrei os olhos de raiva, mordi os lábios segurando o palavrão.

Vovó aproximou-se de mim, segurou minha mão e me olhou nos olhos.

_ Fugir parece ser uma atitude de covardes, que não sabem enfrentar uma situação, mas fugir exige muito mais coragem do que ficar. Na nossa vida existem momentos em que fugir é o melhor que podemos fazer. Toda vez que você encontrar em sua vida situações que forem maiores que as suas forças, seja corajosa. Fuja!

Olhei para tio Carlinhos que mudamente, cabisbaixo tomava seu café enquanto vovó largava minhas mãos e tocava o ombro dele com dois tapinhas maternais sem dizer nem mais uma palavra.

 
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Publicado por em 3 de maio de 2019 em MEUS ESCRITOS

 

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O tempo de hoje


Com os anos passando feito dias, tão rapidamente que quase me passam desapercebidos, aprendi a reconhecer meus medos, depois a controla-los, depois a diminui-los, depois a elimina-los.
Hoje não tenho mais medos.
O medo irradia forças negativas, que atraem críticas que podem ser propícias a duplicar o poder de destruição do medo.
Aprendi que se você teme, mostra onde pode ser atingido mortalmente.
Aprendi que se você não teme, você paralisa a crítica dos outros, que então se sentem tolhidos e dominados pela sua força mental positiva.
Hoje não tenho medo nem da morte.
Hoje tenho é medo de não viver.
Hoje aprendi que o profundo pode ser menos perigoso que o raso, porque pessoas rasas me incomodam. Essa questão de “dar pé” às vezes é menos envolvente do que o “boiar”.
Hoje não arrisco mais dar o primeiro passo, mesmo porque é preciso estar parada para dar o primeiro passo, e eu não tenho mais tempo para ficar parada.
Hoje eu me arrisco no salto!
Hoje eu me jogo!
Hoje eu atropelo as situações de entraves daquilo que quero e que preciso ser e ter!
Hoje só tenho medo de aranha caranguejeira!

(Texto de Marluci Brasil __ respeite os direitos autorais.)

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Publicado por em 24 de junho de 2018 em MEUS ESCRITOS

 

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É pra cair o C_ da B_nd_ !!!!


 

Hoje uma amiga me confidenciou estar chateada…

Tem ela uma amiga ( que não é minha também e nem quero que seja) a quem ela sempre deu atenção e ajudou de todas as formas possíveis ( ouvindo, buscando filho na escola quando ela estava na academia, emprestando nome para crediário, emprestando cartões de crédito, levando em médico e esperando no carro algumas quadras distante já que não achava estacionamento perto do consultório__ esperava ela ligar para dar voltas na quadra e passar para pega-la __ uma verdadeira “motorista particular”) … Pois bem essa “amiga” abriu uma boutique.

Pasmem!!! Minha amiga fez os salgadinhos para a inauguração da boutique dela e deu… isso DEU de presente para ela, sem cobrar um tostão…

Então ela encontrou uma blusa na boutique… Amou! E disse: “ Essa eu quero!!!”

A “amiga” dela, fez o embrulho e veio com o decreto:

__ É R$120,00 . você vai fazer no debito, credito ou dinheiro?

A moça ficou sem chão e disse que queria apenas que ela guardasse a blusa porque estava sem dinheiro no momento mas que iria buscar a blusa assim que conseguisse o valor… ( detalhe, o que ela tinha , ela usou para comprar os ingredientes dos salgadinhos)…

E ainda me diz:

_ Sabe Marluci, eu sei que ela não tem obrigação de me dar a blusa, afinal eu faço por amizade a ela, mas fiquei chateada. Você acha que eu estou errada?

Respirei fundo:

__ Como assim? Claro que ela tem obrigação de te dar a blusa, e não apenas uma, e sim duas, três… quantas você quiser. Ela tem o dever!!!!! O comercio é dela mas e o que você gastou para atender o que ela pede para você fazer? Ela só te procura quando precisa de você. É dinheiro, é carona, é empréstimo de cartão… Você compromete o seu credito para atender o que ela precisa. Claro que tem!!! Você está certíssima… Se ela tivesse um bar, um restaurante, uma empresa de taxi… você nunca mais iria pagar nada … tinha que ser tudo de graça! Afinal é ela quem te deve!

De repente olhei para o lado e vi o olhar de minha filha Leatrice sentada ao meu lado ouvindo minha conversa.

O olhar dela me disse:

__ Mãe , ouve a senhora o que a senhora disse pra ela. O seu trabalho também tem preço, ou não tem?

Pensei… pensei… Essa minha filha é fogo!!!!!!

É… essa é pra Cair o C_ da B_nd_ !!!!

 
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Publicado por em 14 de março de 2018 em MEUS ESCRITOS

 

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