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Arquivo da tag: CRÔNICA

Quando minha pena resolve deitar os meus pensamentos no papel….

Conflito de gerações


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Houve um tempo em que o CONFLITO DE GERAÇÕES  era provocado por gozo de liberdade, por rebeldia, por visão do mundo, pelas tradições, pelas religiões, pelo grau de intrusão, pela tecnologia. Hoje é gerado pela OPORTUNIDADE DE EMPREGO.

Houve um tempo em que eu acreditava que o FATOR GERADOR DOS CONFLITOS eram a adrenalina e a audácia do jovem que não suportava a experiência de vida dos idosos. Hoje eu sei que não o é. O fator gerador é a POLÍTICA.

Estamos vivendo num país onde a CONFUSÃO é o fator gerador das ações políticas.

Sabemos que a violência tem como fatores geradores de sua existência não apenas a índole do meliante, também pesam na balança o grau de instrução, a fome, o desemprego, a impunidade e o ambiente familiar.

Podem dizer que só penso em dinheiro, mas não é com ele que pago o que vou comer? Não é com ele que pago onde vou dormir? Não é com ele que pago a recuperação da saúde quando preciso de ajuda? E não estou falando de DIREITOS , estou falando de independência.

Se o governo finge que dá o que comer, saúde e habitação e se o brasileiro aceita é chamado de “mamador de tetas do governo”. Se sai à procura de emprego para ter tudo isso, volta pro seu canto desolado. Procurar ONDE? NÃO TEM EMPREGO!!! O emprego que o jovem TERIA direito depois de anos dedicados aos estudos ESTÁ SENDO OCUPADO POR IDOSOS. Assim sendo, o jovem pensa: ENTÃO PRA QUE ESTUDAR? SE DEPOIS DE FORMADO EM UMA PROFISSÃO NÃO TEREI ESPAÇO PARA APLICAR O QUE ESTUDEI? ( aí o efeito colateral atinge a educação). O que terá o jovem que fazer para viver? (alimentar, morar, dormir)? Ele vê DUAS OPÇÕES à sua frente e opta por uma delas… (e aí o efeito colateral atinge a segurança ou a habitação).

Enquanto isso a vista curta, a respiração mais difícil, a memória esquecida, a falta de agilidade nas articulações vão tornando o trabalho mais moroso (e aí o efeito colateral atinge a estrutura do sistema social).

O que fazer? Como agir? Seria a interrupção do ciclo, seria a subtração da vida a solução para o momento crucial que a Previdência Social  vive?  Não seria mais fácil repensar a valoração, a regalia, os “direitos” do politico atuante e o “aposentado pela política”?

Se formos fazer as contas, o que se gasta com político neste país, daria para tapar o ROMBO da PREVIDÊNCIA SOCIAL e ainda sobraria algum…

Eu já estou aposentada…

Comigo ninguém mexe! Mas não posso deixar de pensar nesse assunto quando vejo um jovem passar uniformizado por mim , indo em direção à escola ou me atendendo nos “balcões” da vida.

Olho minhas netas … E choro!!!

 
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Publicado por em 7 de dezembro de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

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Galo Português


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Quem me conhece “realmente” sabe que “minha alma é europeia”.

Quem me conhece “realmente” sabe da importância de minha avó Lucinda em minha vida. Muito mais do que vovô Castro. E o estranho é que as pessoas acham que pelo fato de eu gostar das letras e me saia razoavelmente bem em poemas e discursos, essa é uma herança de meu avô. Mas eu afirmo: Não é não! É influencia de minha avó Lucinda. Foi o silencio dela que me ensinou a falar e a escrever. A pensar e a enfrentar os problemas. A perceber as mensagens e a decifra-las…

Vovó Lucinda me ensinou tudo o que sei. Não foi minha mãe, nem meu pai, nem meu avô. Foi ela. Foi minha avó.

Não estou com isso dizendo que eles não me ensinaram nada. Aprendi muito com eles, mas aprendi muito mais com ela.

Vovó me deixou de herança três coisas materiais que eu prezo muito: O seu MENINO JESUS DE PRAGA (para quem ela dobrava os joelhos, diariamente em uma novena que não terminava nunca), o seu sininho de prata que acho que perdi em minha mudança e eu procuro como louca até hoje em minha casa, e as suas taças de cristal.

Hoje descobri que ela me deixou mais uma herança, que estava guardada na minha memória esquecida…

Sempre falei que amo Portugal, que minha alma é europeia, e pra todos que eu sei que vão para aquela terra eu peço que me tragam algo que tenha o GALO PORTUGUES.

Hoje, meu filho amado Felipe de Castro, me visitou pela manhã e me trouxe um pano de pratos com o Galo Português, como lembrança da terra de minha alma. Que emoção olhar aquele galo, fiquei emocionada, arrepiada… Mas quando ele me entregou a segunda lembrança, meu coração derreteu, meus olhos vasaram, transbordaram… Ele me trouxe o GALO PORTUGUES.

A minha memória esquecida deu um salto e tremulou toda em minha lembrança…

Eu era menina. A geladeira verde escura de vovó Lucinda tinha um Galo português que mudava de cor conforme o tempo. Aquilo me encantava. Mas aquele galo era quardado por 3 pinguins (cada um de um tamanho). Vovó morria de ciúmes daquele galo, era um presente de seu pai Gonçalo Cristovam para ela quando ela era adolescente na ultima viagem que ele fez ao seu país de origem (meu bisavô foi o primeiro consul Português no Brasil sempre ouvi essa história desde criança).

Um dia eu peguei o banquinho e subi nele ( eu tinha uns 8 ou 9 anos de idade). Numa das minhas fugas de casa (fugi umas 10 vezes de casa , levando só calcinhas e minhas bonecas… e fugia sempre para a casa de vovó). Subi e tentei pegar o galo, eu queria descobrir como ele fazia para mudar de cor… Na peraltice de infância, o banquinho virou e eu derrubei Heitor(um dos pinguins  Cesar e Ludovico  os outros dois se salvaram) e junto com Heitor o Galo veio ao chão. Eu quebrei Heitor em três partes e o galo de vovó perdeu o bico e uma das perninhas.

Vi o desespero de vovó…. Ela não olhou para Heitor aos cacos pelo chão … Ela pegou o seu galinho na mão como quem pega um beija-flor assustado …. com carinho… com tanto carinho… com tanta dó …. com os olhos marejados … ela só conseguiu dizer… ôoooooooooo meu Menino Jesus de Praga!!!!!

Meu Deus !!!!! Que remorso!!!! Que sentimento de culpa!!!! Foi a única vez que vi minha avó chorando… A única!!!

Eu tinha apagado essa lembrança de minha vida… e hoje eu a tive de volta… Descobri porque eu queria tanto ter um galo Português. Mas eu queria dar pra ela de volta e pedir perdão.

Coloquei-o (o galo) no altar que tenho em meu quarto ao lado do MENINO JESUS DE PRAGA e ouvi meu coração dizendo.

— Toma vó! Meu filho comprou outro pra você! Não chora não vó, eu não fiz por querer!…

 

 

 

 

 
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Publicado por em 5 de dezembro de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

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Ah!!! Os segredos…


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Hoje resolvi fazer faxina em meu computador.

Jogar na lixeira arquivos repetidos, anotações e registros que não me servem mais.

Entrei na minha pasta IMPORTANTE GUARDAR.  Encontrei  uma outra pasta com um ícone em forma de chave na tecla ENTER.

Ah!!! Os Segredos!!! Passei praticamente a manhã toda buscando  onde estaria a anotação da senha daquela pasta…

Encontrei!

Digitei!

Acessei!!!

Ah!! Os segredos!!!!!! Segredos são regiões de solidão!!!! Existem, mas existem só para si. Maltratam a quem os acolhe! Censuram sua própria existência.

Passeando meu olhar entre eles, revi situações de desabafos, auxílios, mentiras, confissões… Revi olhos que já choram diante dos meus olhos… Ouvi vozes que embargadas pelo medo ou estridentes pelo descontrole emocional deixaram as ações em minhas mãos dependentes de meu intelecto… Vozes que dDe uma forma ou de outra me envolveram na trama… Revi fotos comprometedoras… Penso!!! Será que sabem que eu ainda tenho a chave? Que por mais que o cadeado esteja enferrujado ( consequência de ter sido deixado ao relento, ao descaso, sob chuva e sol, sol e chuva) a chave que guardei ainda é capaz de abri-lo?

Ah!!! Os segredos!!!

Melhor trocar o miolo da fechadura!

Melhor colocar outra chave!  Seria melhor não guardar a nova chave e confiar na minha já pouca memoria (consequência de meus anos vividos)?

 

( texto de Marluci Brasil )

 
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Publicado por em 1 de dezembro de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

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Quando um avião cai


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Quando um avião cai a gente cai junto. Um avião transporta mais do que vidas, transporta sonhos. É o pai que está indo reencontrar os filhos, é a mãe que está indo buscar o sustento de sua família, são pilotos que planejam estar em casa ao jantar e a aeromoça que leva na bagagem o perfume favorito do namorado.

Quando cai um avião a gente cai junto, pois quantos de nós viram os sonhos começar dentro de um avião. A viagem tão esperada, a assinatura de um contrato, o encontro com alguém que tanto sonhamos estar junto.

Aviões partem rumo a sonhos, e era isso que cabia também neste trágico voo que quase chegou a seu destino. Jogadores que representavam o sonho do menino que quer ser jogador, jogadores que representavam seus familiares, seus torcedores.

Quando um avião cai todos nós caímos juntos. Morrem sonhos, morrem encontros que não vão mais ocorrer, morrem saudades que não vão ser vencidas e que dali por diante vão apenas crescer e se tornar um buraco junto a quem nunca chegou.

Quando um avião cai a dor é compartilhada, pois todos nós somos torcedores, torcemos para quem amamos, torcemos para logo poder dar o abraço, torcemos, pois ninguém sonha sozinho.

Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta.

Jamais será só um jogo.

( texto de George Dominiki)

 

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BORRA DE CAFÉ


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Estou num daqueles dias em que a saudade de minha avó Lucinda fala alto em meu coração.

__ Vó!

__ Fala Marluci.

__ Você acha que eu falo demais?

__ Às vezes fala sim.

__ Isso é ruim?

__ Mais para quem fala do que para quem ouve!

__ Não entendo!!!

Ela sentou-se a meu lado ainda enxugando as mãos no avental surrado que cobria o vestido mais surrado que o avental.

__ Eu sei que para você , que é do signo de peixes , é difícil segurar a boa. Todo pisciano morre pela boca, se não for de comer de mais ou de menos, será de beber de mais ou de menos ou se falar de mais ou de menos…

Olhei pra ela com um enorme ponto de interrogação na minha testa…

__Mas lembre-se que até o peixe se livraria de um grande problema se mantiver a boca fechada.

__ Vó porque você fala assim desse jeito.

__ Citando exemplos?

__ Sim, com essas frases que fazem a gente ficar pensando…

Ela riu…

__ Porque se a palavra dita não provocar uma reflexão, então é palavra vazia.

HUM… Fala mais então vó.

__ Sobre o fato de você falar demais?

__ É

__ Boca fechada não entra mosca…

__Eca vó!!!!

Novo riso…

__ Ninguém estraga aquilo que não sabe…

__ Ala Pinta!!!!! Essa é boa vó!!!! __ E aplaudi!

Um carinho em meus cabelos e ela prosseguiu:

__ Pois então lembre-se dessa frase sempre. Não anuncie aquilo que esta por acontecer, principalmente se isso for lhe trazer benefícios. Nem sempre os “ouvintes”  vibram positivamente com as conquistas gloriosas que fazemos. O ser humano é  como um coador de café.

__ Como assim vó?

__ Só interessa a água quente, o aroma , a cor e o sabor se passarem pelo seu filtro. A borra ele costuma separar… mas é na borra que está o adubo das ações , a historia do aroma, do sabor e da cor do café. Tente beber um café depois de frio… quando já tiver passado o calor da água fervendo…. Ele perde o cheiro, a cor fica opaca, o sabor fica amargo, por mais que você coloque açúcar nele. Assim são as pessoas. Elas falam e acontecem só no calor das emoções. E nem sempre as emoções que provocamos em nossos “ouvintes” são boas….

__ HUUUUUMMM!!!! Entendi…..

Mas eu não tinha entendido…. Menti pra minha avó. E eu sei que ela sabia que eu tinha mentido…

Hoje estou aqui…. diante do teclado de meu notebook olhando para o pó de café… com a água fervente  ao meu lado… e pensando na borra do café que tenho na ponta da língua…

Hoje eu entendi Vó…. Hoje de verdade , eu entendi….

E me calo!!!

Ainda não é hora do café.

Ainda tem cafezal com grãos verdes!!! Ainda tem café no pé ! !!

Ainda não esta na hora da colheita!!!!!!

 

 

 
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Publicado por em 19 de novembro de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

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Um susto na intolerância.


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É amigos… Eu sei que é difícil. Mas você que me lê agora, já experimentou “tomar as rédeas da situação de forma surpreendente?
Eu fiz isso hoje.
Minha avó Lucinda me disse uma vez que para vencer o ódio, só o amor. Para vencer a raiva, só o perdão.
Hoje eu vi esse arquivo e me lembrei dela. Senti saudades…
Sai de casa e estava dirigindo pela rua Albert Sabim normalmente… Vinha um motorista “apressadinho” atrás de mim. Eu não queria correr e não podia dar passagem porque vinha carros na direção contraria, e se eu desse poderia provocar um acidente. Tambem não podia abrir para a direita porque tinha carros estacionados.
Deixei ele buzinando e acelerando incontidamente atras de mim.
quando vi que dava para ele passar sem provocar um acidente , abri passagem
E ele passou me xingando e fazendo gestos obscenos pra mim…
Resolvi segui-lo.De boa!!!! Ele parou no posto de gasolina na esquina da academia de ginastica que minha filha frequenta. quando eu parei atras dele , ele saiu do carro com ares de quem ia me agredir…. E ficou me olhando com aquela cara de mau…
Eu abri a porta de meu carro e desci. Fui em direção a ele . ele percebeu minha determinação e veio em direção a mim gritando.
__ Que é que há sua velha maluca, vai querer estranhar agora?
Parei na frente dele :
__ Não! Eu te segui porque achei que vc estava precisando de ajuda! Vc esta muito nervoso! Isso não vai fazer bem para um rapaz tão jovem, tão bonito…. A raiva envelhece! Faz mal para o coração. Te segui para te dar um abraço! >… E abri meus braços pra ele.

Ele me olhou boquiaberto… Nao sabia o que fazer.
E eu insisti:
__ Vamos lá!!!! Não é tão dificil assim!!!1 Abra os braços ( e mostrei como se pede um abraço)

A moça que estava no carro no banco do carona desceu e empurrou ele do lado , me abraçou com lagrimas nos olhos. Sem dizer uma palavra.

O frentista ficou olhando sem entender nada!!!
Ele virou-me as costas e foi em direção ao carro dele, eu desisti e voltei para o meu. quando sentei para tomar a direção do carro novamente percebi que ele estava ao meu lado.
__ A senhora pode me abraçar?
Desci e o abracei. longamente…
Os frentistas aplaudiram…
E eu acho que vi lagrimas nos olhos do rapaz…
E eu acho que vi minha avó além da imagem que eu tenho dela na lembrança…

 
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Publicado por em 18 de novembro de 2016 em MEUS ESCRITOS

 

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” A mais lamentavel de todas as PERDAS é a PERDA DE TEMPO”


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Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.

Passamos muito tempo fazendo a coisa certa para as pessoas erradas, sofrendo as consequências das péssimas escolhas pelo caminho, sofrendo à toa por coisas inúteis e gente sem conteúdo, alimentando vãs esperanças em relação ao que não tem a menor chance de vir a acontecer. Perdemos muito tempo investindo no vazio, esperando retorno do que não volta, aguardando sorrisos de quem nem nos olha direito. É preciso focar no que é real, pois, mesmo que não haja muito de verdadeiro nesses terrenos, esse pouco bastará.

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, às pessoas descontentes e incapazes de receber algo de fora. Existem indivíduos que se encontram por demais fechados ao acolhimento do que não se encontra dentro deles, do que não faz parte daquele mundinho em que eles se fecham, presos a crenças e sentimentos que não mudam, não são repensados, não saem do lugar. Tentar alcançá-los é inútil.

É necessário evitar a servidão aos folgados, aos aproveitadores, a quem não sai do lugar por si só, a quem foge a qualquer tipo de responsabilidade, pois sabe que alguém sempre fará por ele. Temos que ter clareza quanto ao que realmente devemos e poderemos tomar para nós, ou acumularemos cargas de bagagens que não são, nem de longe, relacionadas às nossas vidas. Muita gente precisa de ajuda, sim, mas muitos precisam é de vergonha na cara.

Não podemos nutrir amizades duvidosas, com pessoas que não expressam a menor necessidade de nós, como se tanto nossa presença quanto nossa ausência fossem a mesma coisa, algo sem importância, invisível, dispensável. Nem todos de quem gostamos irão gostar de nós, o retorno da estima e da afeição nunca é uma certeza, portanto, há necessidade de que adentremos exclusivamente os encontros verdadeiros.

Não é fácil nem tranquilo conseguirmos acertar quanto ao que poderemos regar com a certeza de retorno e reciprocidade, uma vez que as pessoas, os acontecimentos, a vida, tudo é imprevisível. Embora muito do que acontecerá em nossas vidas não possa ser controlado, mantermos sob controle nossas verdades e a certeza de que merecemos ser felizes nos tornará mais fortes diante dos tombos, sem que desistamos de nossos sonhos.

(Texto de MARCEL CAMARGO)

 

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