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Arquivo da tag: LIÇÕES DE MINHA AVÓ

Diante do desmerecimento


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O caminho da escola até a casa de minha avó Lucinda foi feito debaixo de sol quente. Em Corumbá era assim… 8 ou 80.

Cheguei sem muitos sorrisos. Estava magoada.

Sentei-me à mesa e devorei o prato de macarronada com molho de almondegas ( ela sempre fazia , sabia que eu gostava).

Depois quando todos já tinham se levantado da mesa eu ainda continuei ali, espetando uma rodela de tomate no prato com o palito de dentes.

Percebi que ela me olhava “de canto”.

Eu sabia que ela vinha falar comigo, saber o que houve, me dar seus sábios conselhos…

Sentou-se ao meu lado:

__ Quer doce de tarumã?

_ hum rum…..

Ela colocou num copo e trouxe a colher, sentou-se ao meu lado e ficou me olhando comer o doce com um olhar lindo…..

_ Comendo com essa amargura você vai amargar o doce….

Comecei a chorar…

_ Eu fiz o trabalho de irmã Lurdes sozinha… Puz o nome de Fátima , ela não fez nada… Mas eu puz porque ela tava doente.

_ Fez bem! Isso é prova de amizade.

_ É mas hoje professora Sheila marcou trabalho em dupla e pôs eu e ela. E ela foi dizer pra professora que não queria fazer o trabalho comigo.

Vovó se ajeitou no banco….

_ Hum… e por que?

_ Ela falou que eu nunca sei nada. Que eu sou pelego…

Os olhos de vovó se amiudaram…

_ É assim mesmo, Marluci… Você tem que aprender a lidar com essas situações. Faz o trabalho sozinha.

_ Mas vó ela falou que eu não sirvo pra fazer trabalho com ela, como que ela pode?

_ Não importa como ela pode fazer isso com você, o fato é que ela pode. __ levantou-se , deu dois passos e virou para acrescentar essa pérola que até hoje eu carrego em minha lembrança quando sei que alguém fez uma critica negativa a meu respeito:

__ Lembre-se : NA BOCA DE QUEM NÃO PRESTA, QUEM É BOM NÃO VALE NADA!

 

OBS: obrigada vovó.

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Publicado por em 8 de agosto de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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O olhar


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Cheguei na casa dela estava anoitecendo…

_ Vó, soube da filha de sua amiga?

_ Qual?

_ Aquela que faz bolo-de-arroz pra vender.

_ Sim. Ouvi na rádio.

_ Porque ela se matou vó?

_ Por desespero, por raiva, por tristeza. A gente nunca sabe o que vai no coração das pessoas.

_ Mas ela era tão alegre… Lá na escola ela ficava rindo o tempo todo. Ela que tinha mais amigas lá. Todo mundo queria sentar na escadaria ao lado dela. Ela vivia rindo…

Minha avó parou seus afazeres para conversar comigo ( ela sempre fazia isso).

_ Isso não quer dizer nada Marluci. Quando uma pessoa fica rindo não significa que ela está alegre ou feliz.

_ Não entendo vó .

_ Olha nos olhos da pessoa que te sorri. Se eles estiverem sorrindo pra você ai você acredita no sorriso dos lábios. Não adianta a boca sorrir se os olhos choram e pedem socorro.

Fui correndo para o espelho e me olhei nos olhos…

Pensei numa coisa engraçada e dei risada olhando nos meus olhos e eles sorriam para mim…

Pensei numa coisa triste e dei risada… meus olhos estavam opacos, sem brilho, sem vida… eles choravam para mim…

Como é que vovó sabia disso tudo?

 
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Publicado por em 26 de julho de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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DESCASO


_ Que cara é essa Marluci?
_ To besta vó.
_ Com o que?
_ Com o descaso da Carmem
_ O que ela fez desta vez?
_ Mamãe trouxe de presente pra ela, uma blusa linda , la de São Paulo. Eu queria a blusa, mas mamâe falou que tinha comprado para Carmem e não me deu. Deu pra ela , e ela nem agradeceu.
_ E você tirou o que de lição disso tudo?
_ Como assim, vó?

Ela parou de lavar a louça e voltou-se para mim. Veio enxugando as mãos… Fez um afago em minha cabeça e disse:
_ Algumas pessoas existem para nos ensinar a não ser como elas.
….

( Carmem é um nome fictício)

 
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Publicado por em 24 de julho de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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ALMAS GÊMEAS e PARCEIROS DE VIDA.


Nem todos os relacionamentos e amizades devem durar. Tanto quanto você pode gostar de alguém – tanto quanto você pode aprender sobre a vida através deles, a verdade é que algumas pessoas são parceiros de vida, enquanto outras são meramente alma-gêmea de sua alma…

Hã? Eles não são o mesmo? Não, é claro que não. Quando penso no assunto consigo identificar 4 principais diferenças entre os dois termos : “PARCEIROS DE VIDA”  e “ALMA GÊMEA”. E só me dei conta desta diferença quando entendi que para eu me sentir completa eu precisava encontrar meu PARCEIRO DE VIDA, porque ALMAS GÊMEAS a vida se encarregaria de me entregar de tempos em tempos…  Eu sei que soa estranho o que estou falando, que deveria ser ao contrário, mas eu realmente penso assim.

Comentei isso com uma amiga num bate-papo num de meus passeios pela net.

_E quais são essas 4 diferenças? _ Perguntou-me a minha companheira de ”navegação internética”

_ A primeira diferença está ligada ao OBJETIVO (o seu e ao da pessoa). Quando uma alma gêmea entra em sua vida, ela parece conhecê-la exatamente no nível que você precisa. Vocês aprendem lições juntas, lições que vai ajuda-los a superar esse estágio de sua vida.

Mas então, as coisas mudam e vocês se vêem obrigados a tomar diferentes caminhos.

Pode ser doloroso, mas tenha a certeza; Um dia você encontrará um verdadeiro parceiro de vida – alguém que compartilha seus objetivos. Um parceiro de vida não está apenas lá para guiá-lo através de uma fase da vida. Eles estão lá para guiá-lo em todas as etapas no futuro.

_ E a segunda?

_ A segunda tem a ver com a ATRAÇÃO. O que primeiro atrai você para sua alma gêmea é como vocês dois são iguais. Você completa suas frases com facilidade, e eles fazem o mesmo por você. Você sabe exatamente como eles se sentiriam se você fizesse ‘x, y ou z’ porque é exatamente como você se sentiria também.

Mas uma alma gêmea também compartilha suas falhas. E é aí que as coisas ficam rochosas. Não há equilíbrio – ninguém para dizer “Ei, eu sei que você está louco e você realmente não quer dizer isso.” Você é tão parecido.

Já o seu PARCEIRO DE VIDA , o que o atrai para o seu parceiro de vida é intriga – o fato de que eles não são totalmente como você. Suas falhas e seus pontos fortes se cancelam. E isso faz com que um relacionamento equilibrado e estável possa suportar até os momentos mais tumultuosos.

_ Hum!!!.. Entendi… e a terceira?

_ A Terceira tem a ver com a  INTUIÇÃO. Uma ALMA GÊMEA intuitivamente sabe quem você é. Como tal, a comunicação é muito fácil. Não há mal-entendidos ou algum desses confusos. Com um PARCEIRO DE VIDA, por outro lado, há um pouco mais de trabalho envolvido. Mas vale a pena. Quanto mais você aprender sobre o seu PARCEIRO DE VIDA, mais você deseja mergulhar fundo em sua mente – e aí, mais você o ama. Afinal, é o que uma boa parceria a longo prazo deve proporcionar: crescimento, aprendizagem e intriga.

_ Estou preparada para a quarta …

_ Bem a Quarta é que UMA ALMA gêmea muitas vezes está ligada a um evento importante em sua vida. ALMAS GEMEAS tendem a surgir quando algo grande acaba de acontecer em sua vida. Pode ser um novo trabalho incrível ou algo triste como a morte de um pai. Me lembro bem quais almas foram gêmeas da minha quando perdi o meu pai. Seja como for, essa pessoa permanece vinculada a esse evento em particular. Eles o ajudam a processá-lo, mas à medida que você se move, eles caem cada vez mais atrás de você. Vou caindo pelo chão e quando se erguem já erguem tomando outro rumo, porque já cumpriram o seu destino para aquele momento que foi o de ajudar você a se reestruturar. Cada pedaço seu que se reestrutura libera uma ALMA GEMEA para seguir o caminho dela.

Com um PARCEIRO DE VIDA, por outro lado a coisa é diferente… Como aquela pintura na parede em sua casa de infância, eles ganham novo significado e propósito em sua vida a cada dia que passa. Capítulo após o capítulo, eles continuam sendo seu companheiro leal – e você, o deles. Porque eles estão com você não como pintura na parede mas como tatuagem na sua pele…

_ Sabe, Marluci? … Você não tem ideia de como admiro essa forma que você tem de ver a vida.

_ Aprendi com minha PARCEIRA DE VIDA.

_ Quem?

_ Minha avó… Lucinda!

 
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Publicado por em 14 de junho de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Barco de Papel


conselhos-de-vovo-lucindabarcoCheguei na casa dela e me mantive em silencio…
Percebi seu olhar interrogativo pra mim. Mas não falei nada, não sorri nem chorei, apenas permaneci calada.
Ela colocou um suco de laranja num copo na mesa e nada disse só olhou pra mim…
Eu olhei para o copo e não vi o suco. Minha alma adoecida não via o “cheio” só percebia “o vazio”
De repente percebi que ela sentou-se ao meu lado à mesa e ali colocou uma panela funda. A panela estava cheia de água…
Em silencio pegou uma folha do jornal O MOMENTO, onde meu avô tinha uma página que ele assinava, e começou a dobrar e dobrar…
Percebi a forma de um chapéu se formando…
Ela continuou dobrando e o chapéu se tornou um barquinho. Ela colocou o barquinho na panela cheia de água e ele ficou ali flutuando e nós duas olhando o barquinho de papel flutuando na panela.
De repente ela colocou a mão na água e começou de gota em gota transferir a água de fora para dentro do barco de papel e ele começou a afundar… E afundando…afundando foi sendo dissolvido pela água da panela.
Ela olhou para mim e quebrou o silencio.
__ Marluci, o barco não afunda por causa da água ao redor dele. O barco afunda por causa da água que quando entra nele, nós não tiramos e jogamos fora. Não deixe que o que está machucando seu coração afunde sua alegria…
Ah!!!! Vovó… Meu barco hoje tem tantos remendos …
Meu barco ainda flutua…
Obrigada Vovó Lucinda!

 

 
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Publicado por em 21 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Ontem passando pela Avenida Afonso Pena algo chamou-me a atenção.

O cuidado! Sim, o cuidado que esta cidade tem com as crianças e com os idosos. “Nunca vi uma cidade com tantas vagas de estacionamento para idosos  como esta. Nunca vi uma cidade com sinalizações em escolas como esta. E o mais bonito de tudo … respeitados.” Não pude deixar de pensar assim quando vi essas imagens.

Resolvi parar o carro e fotografar a visão. Quantas vezes eu já passei por “esses cuidados” e nunca os percebi dessa forma?

Observei as pessoas nas calçadas, nos carros que cruzavam pela avenida passando como eu passava antes, “desapercebidas” e desconhecidamente.

Acho que nunca mais passarei da forma que passava antes por um jardim como esse.

Lembrei de minha avó Lucinda.

__ Marluci, se você quer conhecer uma pessoa olhe a casa dela. Preste atenção em tudo. Se ela deixa a casa suja e caindo aos pedaços ela não ama a família que tem. Se ela não tem verde, se não tem plantas é uma pessoa amarga, rude, sem raízes, muda sempre e quando muda leva consigo só o que plantou na vida , amargura, egoísmo, insatisfações. Se ela tem plantas e não cuida, não apara, não rega, e permita que o mato cresça é uma pessoa acomodada, que acha que tudo tem que ser resolvido por Deus e por outras pessoas; ela sempre se julga o centro das atenções e aparenta ser o que não é. Se tem o verde e cuida, mesmo pagando alguém pra cuidar pra ela, essa pessoa se ama, ama sua família, ama a vida, ama os amigos, tem esperança e é de Deus! Sim de Deus! Porque respeita a primeira criação divina a Natureza. Essa é uma pessoa que vale a pena você ter como amiga, porque ela vai te fazer o bem e vai te ensinar muita coisa boa na vida.

Pensei mais uma vez: Obrigada Campo Grande por me ensinar tanta coisa em tão pouco tempo.

 

 
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Publicado por em 15 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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Emoção e sentimento


 

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Fui chegando sorrateira, ela estava como sempre , com o vestido de bolinhas brancas em um fundo preto ( já desbotado na altura do umbigo- cicatrizes do tanque de lavar roupas e da pia da cozinha) caminhando léguas entre a pia de granito vermelho e branco e o fogão de lenha que ficava no canto esquerdo, ao lado da porta da cozinha , quase embaixo da pequena janela que não ventilava em nada aquele minúsculo cômodo da casa:

-Vó – arrisquei.

– Fala Marluci.

– Qual é a pior emoção que uma pessoa pode sentir?

Ela parou de mexer a colher de pau no caldeirão de ferro (o cheiro inconfundível do feijão da vovó Lucinda). Olhou-me e sorriu.

Enxugou as mãos no pano de prato que trazia pendurado no ombro esquerdo e aproximou-se de mim.

– E sentir que você não é nada na vida de alguém que é tudo na vida pra você.

Foi até a geladeira e pegou uma garrafa de água vazia que eu tinha acabado de esvaziar, e como sempre guardava vazia, na geladeira porque eu sabia que alguém iria encher o que eu esvaziei…

Colocou a garrafa em minha frente.

– Pra que serve essa garrafa vazia pra quem tem sede?

-Pra nada… eu respondi (envergonhada—lá vinha uma lição)

-Pois é … a coisa funciona assim. As vezes nós somos a garrafa  para alguém, A garrafa que aguenta o frio e que é buscada com avidez por quem tem sede, mas só pelo o que a gente pode dar pra quem tem sede. Só a água gelada. Não é a nós que a pessoa quer , é o que podermos dar pra ela, e outra garrafa também pode fazer isso. Sem contar que depois de vazia nem pra matar a sede a gente serve… Quando a gente ama e não é amado por quem a gente ama é o sentimento de inutilidade, de desprezo, de desamor… essa é a pior coisa. Tem muita gente que pra não sentir isso fica mimando filho, marido, neta…(e riu…) Assim a gente tem a sensação de que nunca vai ser inútil…

Olhei pra ela com carinho. Mas calei o pensamento.

Em seguida argumentei:

– Vó , eu pensei que o ódio fosse a pior emoção que a gente podia sentir.

– Ódio não é emoção, Marluci. Ódio é sentimento. Emoção é o que o sentimento provoca na gente. O ódio provoca o medo em quem recebe ele e provoca amargura e frieza em quem sente ele. Entendeu?

( Como era sábia minha avó Lucinda)…

– Você quer que eu faço mate queimado pra você?

– Vó… (abracei ela pela cintura) Eu nunca vou gostar de você só porque você faz mate queimado pra mim…

Senti seu beijo em minha cabeça.

…..

Hoje penso: Vó, nunca ninguém fez mate queimado pra mim… Só você!

 

 
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Publicado por em 10 de janeiro de 2017 em MEUS ESCRITOS

 

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